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EXTRADITADO DE PORTUGAL: Abdul Gafar aterra esta quarta-feira em Maputo

Por admin-sn
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ABDUL Gafar, um dos arguidos da Operação Branqueamento de Capitais, aterra na manhã desta quarta-feira (25), pelas 07h35, no aeroporto de Maputo, extraditado de Portugal.
Na quinta-feira, será presente ao Juiz da Instrução Criminal para o primeiro interrogatório judicial, no âmbito do processo nr. 3/GCCCOT/22, vulgo Operação Stop BC,
O mesmo faz parte do grupo de 40 indivíduos e 32 sociedades comerciais constituídos arguidos, indiciados pela práticas dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal, associação criminosa, falsificação e uso de documentos falsos.
O arguido Abdul Gafur Gulam, que se encontrava em parte incerta, foi localizado em Lisboa, Portugal, onde ficou detido. Comunicadas às autoridades nacionais, estas solicitaram a extradição do arguido, ao que o Tribunal da Relação de Lisboa anuiu.
As autoridades moçambicanas haviam emitido mandados de captura internacional e, por consequência, o alerta vermelho pela INTERPOL, contra o arguido.
Do processo a que o “Notícias” teve informações privilegiadas, Abdul Gafar Gulam, à data dos factos, teria criado cerca de oito empresas de fachada, usando para o efeito, terceiras pessoas, entre as quais, de nacionalidade estrangeira e nacionais.
Criadas as empresas, Abdul Gafar Gulam, por intermédio de testas de ferro, em nome de quem constituiu as empresas, acto contínuo, abriu contas em diferentes bancos comerciais, através das quais passou a receber elevadas somas de dinheiro, maioritariamente por depósito em numerário e cheques.
Sem que as referidas empresas tivessem efectivamente exercido alguma actividade comercial para qual teriam sido supostamente criadas, passaram a transferir montantes para várias jurisdições estrangeiras, entre as quais Portugal, Turquia, China, Hong Kong, Maurícias, Tailândia, Japão, Emirados Árabes Unidos, Malásia, alegadamente para pagamento de mercadorias que nunca, efectivamente, foram importadas, ou seja, nunca deram entrada no território aduaneiro moçambicano, prejudicando, deste modo, o Estado moçambicano que se viu privado de arrecadar os impostos devidos.
Com vista a justificar as transferências de valores ao estrangeiro e dissimular a falta de entrada da mercadoria à Moçambique, Abdul Gafar Gulam, contando com auxílio de alguns despachantes aduaneiros e alguns colaboradores de bancos comerciais, forjou termos de compromisso de intermediação bancária, facturas proformas supostamente de fornecedores e documentos únicos das Alfândegas, que posteriormente os apresentou junto aos bancos comerciais e entidades públicas.
Abdul Gafar Gulam, com recurso a este “modus operandi”, transferiu para o estrangeiro, entre 2019 a 2022, o equivalente a cerca de USD 140.000.000,00 (cento e quarenta milhões de dólares americanos), alegadamente para compra de mercadorias que nunca foram desembaraçadas no território aduaneiros nacional.
Portanto, com a criação de empresas em nome de trceiras pessoas que nunca operaram no País, que nunca tiveram trabalhadores, que nunca tiveram existência física, que nunca pagaram impostos, mas que movimentaram milhares de meticais seguidas de transferências ao estrangeiro sem causa legítima, provocou prejuízos ao Estado moçambicano, colocando em causa a estabilidade do sistema financeiro nacional e da economia nacional.

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