Director: Júlio Manjate

Duzentos e catorze novos professores destinados a todos os subsistemas de ensino previstos para o próximo ano lectivo, que arranca oficialmente a 31 de Janeiro corrente, com as cerimónias de abertura agendadas para o posto administrativo de Chiconono, distrito de Muembe, estão em processo de contratação na província do Niassa.

As autoridades provinciais do sector da Educação e Desenvolvimento Humano, que revelaram o facto, salientam que as necessidades em professores para assegurar o normal processo de ensino ao longo do ano lectivo de 2020 são de 867, sendo que o défice vai comprometer o programa visando a redução do rácio professor-aluno, até então considerado alto.

Isabel Amela, directora provincial-adjunta da Educação e Desenvolvimento Humano no Niassa, precisou que dos professores em processo de contratação 172 vão preencher as vagas no nível quatro, 32 no nível três e dez para o primeiro escalão. O concurso para selecção de candidatos à vaga de professores foi lançado em Dezembro passado e caracterizou-se pela avaliação documental, encontrando-se neste momento os júris a fazer o apuramento.

A fonte salientou que a contratação de 214 novos professores de uma necessidade de 867 resulta de dificuldades orçamentais que o sector enfrenta, em particular, e a província e o país, de um modo geral, para satisfazer as suas exigências no que concerne à educação dos necessitados.

“Com efeito, o desafio de reduzir o rácio professor-aluno, que se situa em 68 alunos por turma, que pedagogicamente pode-se considerar alto, vai ficar adiado para uma melhor oportunidade” - salientou Isabel Amela.

O sector da Educação e Desenvolvimento Humano no Niassa conta actualmente com um universo de 9170 professores de diferentes subsistemas de ensino, dos quais 3275 do sexo feminino.

O ensino à distância constitui uma aposta por parte do sector da Educação e Desenvolvimento Humano, que vai continuar a aconselhar os estudantes a procurar aquela alternativa viável para reduzir o rácio professor-aluno.

(Inocêncio Mazula)

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Hoje é o grande dia. Filipe Jacinto Nyusi será investido ao cargo de Chefe do Estado. E para marcar o dia, perto de 70 artistas, entre bailarinos, músicos, acrobatas e poetas, estarão em palco para celebrar o início do segundo mandato presidencial do estadista moçambicano.

Os ensaios decorram na Casa de Cultura do Alto Maé, na cidade de Maputo, e levaram 10 dias. Os artistas já estão prontos para representar os cinco anos de governação de Filipe Nyusi. Através de dança, música, poesia e acrobacia, serão trazidas as principais acções, obstáculos que Filipe Nyusi teve ao longo do exercício das suas actividades governativas.

O elenco tem a direcção artística do músico e coreógrafo Casimiro Nhussi, um dos fundadores da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) e director artístico da NAfro Dance, companhia de canto e dança estabelecida no Canadá.

Os artistas transpiram os corpos e prepararam o espectáculo ao mínimo detalhe. Para a execução do trabalho, Casimiro Nhussi conta com o auxílio de Emelva Dine, que desempenha o papel de coreógrafa e assistente, e Virgílio Sithole, coreógrafo principal assistente.

Além destes nomes, fazem parte do elenco inúmeros bailarinos, tais como Lulu Sala e Alexandra Matos; os músicos Stewart Sukuma e Xixel Langa; a actriz Cândida Bila, que vai declamar um poema, entre outros.

Um director artístico aberto

ACTUALMENTE Casimiro Nhussi está radicado no Canadá, mas sempre que pode retorna à terra que o viu nascer e, assim, partilha os seus anos de experiência.

Este ano recebeu uma missão, comandar o elenco que vai elaborar a apresentação do momento cultural na investidura de Filipe Nyusi para Chefe do Estado. O coreógrafo aceitou o desafio, escolheu os artistas e deixou que estes tivessem a independência de escolher os restantes membros da equipa. Neste processo só participou para dar uma olhada na lista, oferecer algumas sugestões e aprovar as opções de Virgílio Sithole e Emelva Dine.

O elenco é composto por artistas de diferentes grupos para que seja grande a partilha de ideias. Nos ensaios os mais novos aprendem dos mais velhos e vice-versa, o ambiente é de liberdade e aprendizado. 

“Temos aqui bailarinos do Grupo Hodi, Raízes, Huxene; acrobatas do grupo Circo Wezo, entre outros”, detalhou Virgílio Sithole.

Disse ser gratificante trabalhar com Casimiro Nhussi, o expoente máximo do musical. Até porque este é um reencontro, pois ambos já haviam estado juntos na Campanha Nacional de Canto e Dança.

“Aprendi e continuo a aprender muito com ele. É uma pessoa aberta, aceita sugestões, sabe ouvir o outro”, disse, indicando que admira a capacidade que o experiente coreógrafo tem de passar a sua experiência aos mais novos.

“É um profissional excepcional, trabalhei com ele na Companhia Nacional de Canto e Dança e hoje é muito bom reencontrá-lo neste trabalho”, disse Virgílio Sithole, para quem o bailado é uma oportunidade de trocar experiências, receber e passar o legado para as novas gerações.

Por sua vez, Emelva Dine aponta que trabalhar com o director artístico é sempre um desafio. “É uma pessoa muito exigente, que sempre procura explorar o melhor das pessoas com as quais trabalha”, disse, indicando ainda ser um privilégio fazer parte da equipa que prepara o musical para a tomada de posse de Filipe Nyusi ao cargo de Presidente da República.

 

Os aplausos são conquistados nos ensaios

OS ensaios terminaram e os artistas esperam o momento em que o Mestre de Cerimónias (MC) vai anunciar a sua actuação. Por aproximadamente 20 minutos o elenco vai espelhar, em palco, o que foi planeado na Casa de Cultura do Alto Maé

“Os artistas entregaram-se, o que nos dá certeza de que o bailado será um sucesso”, disse a coreógrafa Emelva Dine, que elogiou a capacidade de entrega dos artistas.

Por exemplo, Vasco Cutchuaio conta que chegavam 30 minutos antes do início dos ensaios para concentração e preparação espiritual.

“É sempre bom chegar mais cedo para preparar a alma e o corpo para a transpiração”, refere, indicando que os coreógrafos são exigentes.

“Disciplina é a palavra de ordem. É uma honra estar a trocar experiências com pessoas tão profissionais como estás”, indicou o bailarino do Grupo Raízes.

Já Carolina Busisiwa apontou ter sido uma boa experiência, sobretudo por esta ser a primeira vez que dança numa tomada de posse.

Nelson Magule é do Grupo Circo Wezo. Iniciou a sua carreira como bailarino, mas agora dança e faz acrobacias. É exímio no monociclo (bicicleta com uma rota), faz pirâmides, entre outras acrobacias.

“Será uma grande apresentação. Os nossos corpos estão preparados para fazer todas as acrobacias. Vamos apresentar toda a nossa arte de circo”, indicou.

Francisca Pedro, outra bailarina, refere que os ensaios correram como o previsto. “A preparação foi produtiva. Actuarei em dueto, por isso será uma apresentação acrobática”, explicou.

Os integrantes do Agrupamento Huxene serão os mais novos em palco. A pequenada deste grupo vai emprestar a sua energia para dar cor ao musical. Jonas Judas, de 16 anos de idade, está ansioso em subir ao palco e detalha que conta as horas para o arranque da sua apresentação.

Júlia Venâncio está mais tranquila e confiante. Diz não temer o público. Afinal serão mais de três mil pessoas, das quais 12 Chefes do Estado e de Governo que estarão sentadas a ver a sua actuação no palco da Praça da Independência, em Maputo.

“Já dancei para o Presidente Filipe Nyusi por duas ocasiões. E ambas na Praça dos Heróis”, indica, garantindo que a terceira vez vai superar as anteriores.

“Os ensaios foram bons e estamos todos preparados para dar o nosso melhor”, garantiu.

Os coreógrafos indicam que é um desafio comandar uma equipa composta por dezenas de pessoas. “Mas o nosso tempo de estrada preparou-nos para dirigir artistas. Quando saímos de casa preparamos o nosso espírito para gerir o temperamento de cada integrante da equipa e no final o trabalho corre como esperado”, refere Emelva Dine.

A preocupação dos coreógrafos é a gestão da ansiedade colectiva. No entanto, Emelva Dine tem certeza que durante a actuação o nervosismo passará.

“No final eles vão recordar-se das orientações dadas durante os ensaios e se esquecerão dos medos para darem espectáculo”, garantiram, indicando que “eles já assimilaram o conceito do musical, que é o factor determinante para o sucesso da actuação”, anotou.

Cinco anos representados num palco

O MUSICAL vai narrar, de forma artística, os cinco anos de governação de Filipe Nyusi. Os artistas vão mostrar que o processo foi duro, pois o Presidente da República teve vários obstáculos, mas manteve-se firme e prosseguiu com sucesso, pois o seu maior desejo é o bem-estar dos moçambicanos, a paz e harmonia colectiva.

O musical contempla os vários estágios de governação do Presidente Filipe Nyusi e traduz as aspirações vertidas no Plano Quinquenal do Governo (PQG).

“Para representar esta fase mostraremos os trabalhadores a executarem as suas actividades quotidianas”, indicou Virgílio Sithole.

Quando menos se esperava surgiram contra-tempos. O Presidente da República foi desafiado pela natureza. No seu mandato foi fustigado por inúmeros fenómenos naturais, sendo que os mais intensos foram os ciclones Idai e Kenneth. Apesar das adversidades os objectivos foram mantidos e a harmonia venceu o caos.

Os coreógrafos indicam que os obstáculos que Nyusi teve de enfrentar também estarão representados. “Mostramos, de forma artística, que o país se reergueu, depois dos ciclones”, contam.

Uma das partes essenciais do musical é a representação do esforço de Filipe Nyusi na manutenção da paz no país.

“A paz é o símbolo da última governação”, indicou Virgílio Sithole, acrescentando que serão aglutinadas várias modalidades artísticas, desde a dança, música e poesia, para estampar “o sentimento que a paz gera nos moçambicanos”.

Músicos afinados para o evento

STEWART Sukuma e Xixel Langa fazem parte do elenco de artistas que farão parte do musical. Os músicos vão emprestar a sua voz para dar brilho ao espectáculo. Com dedicação, os artistas se entregaram aos ensaios e hoje vão apresentar ao público o resultado da transpiração.

Dos temas a serem interpretados está “Moçambique”, de Stewart Sukuma. A letra da música reflecte a beleza do país. Os bailarinos, acrobatas e outros artistas integrantes do elenco conhecem as notas desta faixa, que será apresentada com arranjos singulares feitos pela banda do musical.

Xixel Langa trabalhou com o elenco e “improvisou” um tema para o musical. Nele reflecte o trabalho abnegado dos moçambicanos para o alcance do seu bem-estar.

“Vamos cantar por um Moçambique melhor. O meu tema fala mais de trabalho, força. O que a minha faixa faz é motivar as pessoas para criar recursos para continuar a desenvolver o país. E é esta a nossa esperança, porque queremos paz, liberdade de expressão”, disse.

A cantora sente-se privilegiada em fazer parte deste elenco. “É a primeira vez que participo de algo do género”, contou Xixel Langa, que acrescentou que será um momento brilhante, porque “junta do Norte ao Sul de Moçambique, do Zumbo ao Índico. O país estará em festa”.

A produção está completa

LOURINO (Lino) Cuna está na produção e empresta a sua experiência adquirida na Companhia Nacional de Canto e Dança para a efectivação do evento.

Nos ensaios coordenou questões logísticas, transporte e alimentação. E mais, Lino era o elo de ligação entre os músicos, bailarinos, acrobatas e os encenadores.

“É uma experiência gratificante trabalhar com estes profissionais. Além de estar na produção, a minha missão foi velar pela parte musical. Sem dúvidas, foi um desafio, mas executei, pois faço com todo o gosto”, disse.

Nas tarefas de Lourino Cuna estava a programação de todos os ensaios, os contactos com todos os artistas e tudo que tem a ver com o evento. O facto de ser uma apresentação que será vista por uma plateia de luxo, que inclui estadistas, não lhe meteu medo.

“Já estive na coordenação de várias actividades do género. No entanto, não do mesmo calibre. Mas encaro cada trabalho com o mesmo sentido de profissionalismo, pois quero que, no final, tudo corra como o previsto”, indicou, garantindo que em termos de produção o musical tem tudo para dar certo.

“Será um espectáculo único. São cerca de 80 pessoas envolvidas, entre artistas e pessoal de produção”, detalhou, acrescentando que espera satisfazer o público que vai assistir ao evento.

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No final da década de 80, o cruzador americano Vincennes lançou dois mísseis contra o avião comercial da Iran Air, matando 290 pessoas, entre elas 66 crianças.

Dias antes da queda do avião ucraniano que matou 176 pessoas no Irão, uma troca de farpas via twitter entre os presidentes norte-americano e iraniano trouxeà tona um episódio pouco lembrado nos Estados Unidos, mas ainda vivo na memória do Irão: o ataque ao voo comercial 655 da companhia aérea Iran Air, derrubado em 1988 por um míssil disparado por um navio da marinha americana.

No último fim-de-semana, Donald Trump ameaçou via twitter destruir 52 alvos no Irão, em referência aos 52 americanos feitos reféns após a tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerãoem 1979.

O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, respondeu com outro número de significado histórico: 290.

“Aqueles que se referem ao número 52 deveriam também se lembrar do número 290. Nunca ameace a nação iraniana”, postou Rouhani na sua conta no twitter, na segunda-feira da semana passada.

Rouhani referia-se ao número de vítimas do episódio com o Iran Air 655.

As declarações de Trump e Rouhani ocorreram após os Estados Unidos matarem o general iraniano Qasem Soleimani, na semana passada, num ataque em Bagdad, no Iraque. Soleimani era considerado o segundo homem mais importante do país, atrás apenas do líder supremo do Irão, o aiatollahKhamenei.

Dois dias depois, a tensão diplomática entre os países acabaria por envolver a queda de outro avião. Na quarta-feira, o voo PS752 da companhia Ukraine International Airlines caiu pouco depois de descolar de Teerãocom destino a Kiev (Ucrânia).

No último sábado, o Governo iraniano admitiu que derrubou por engano o avião ucraniano.

Uma investigação interna identificou que “mísseis foram disparados por falha humana”, afirmou o Presidente Hassan Rouhani. Ele descreveu a tragédia como um “erro imperdoável”.

Os militares disseram que o avião voava muito perto de um lugar sensível que pertence à Guarda Revolucionária do Irãoe foi considerado, por engano, uma aeronave hostil.

A tragédia do voo 655, em 3 de Julho de 1988, aconteceu nos meses finais da guerra entreoIrãoe Iraque, na qual os Estados Unidos apoiavam os iraquianos e seu líder, Saddam Hussein.

No meio do conflito, o Governo iraniano parava embarcações no Golfo Pérsico que suspeitava estarem a fazer negócios com o Iraque e navios de guerra americanos patrulhavam o Estreito de Ormuz, com o objectivo de proteger rotas marítimas importantes no comércio de petróleo.

Naquela manhã, segundo um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, um helicóptero lançado pelo cruzador americano USS Vincennes numa missão de reconhecimento havia sido atingido por disparos vindos de pequenas embarcações iranianas.

Enquanto esse conflito entre embarcações dos Estados Unidos e do Irãose desenrolava no Golfo Pérsico, o Airbus A300 da Iran Air descolava de um aeroporto próximo, na cidade iraniana de Bandar Abbas, uma escala na rota entre a capital Teerãoe o destino final, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Estavam a bordo 16 tripulantes e 274 passageiros, entre eles 66 crianças.

O aeroporto de Bandar Abbas era usado tanto por aeronaves civis, quanto por militares e, segundo o Governo americano, quando o jacto comercial foi detectado pelo radar do Vincennes, membros da tripulação confundiram o avião de passageiros com um caça militar iraniano.

O voo da Iran Air estava em águas territoriais iranianas e seguia a sua rota normal, mas havia descolado com mais de 20 minutos de atraso. O Governo americanodisse que, pensando se tratar de um caça em procedimento de ataque, o Vincennes enviou uma série de advertências à aeronave.

Sem obter resposta, disparou dois mísseis, derrubando o avião e matando todas as 290 pessoas a bordo. Entre as vítimas, 254 eram cidadãos iranianos.

Reacção de Ronald Reagan

NO dia seguinte, oentão presidente americano, Ronald Reagan, que estava em Camp David para o feriado de 4 de Julho, dia da Independência dos Estados Unidos, ofereceu “condolências aos passageiros, à tripulação e às suas famílias”.

“Esta é uma tragédia humana terrível”, disse Reagan em declaração à Imprensa. Mas opresidente norte-americano afirmou também que o avião ia em direcção ao Vincennes e não respondeu a “repetidas advertências”. Segundo Reagan, a embarcação americana havia agido “para se proteger de um possível ataque”.

A conclusão do Departamento de Defesa, em relatório divulgado em 18 de Agosto daquele ano, foi a de que não houve conduta negligente por parte dos americanos e que o Irãodeveria “dividir a responsabilidade pela tragédia”, por ter permitido que um jacto comercial voasse sobre a área em que se desenrolava o conflito entre embarcações dos dois países.

Mas poucos meses depois, em Dezembro, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência das Nações Unidas especializada em transporte aéreo, divulgou o seu próprio relatório, em que identificou “precauções vagas e inadequadas”da Marinha dos Estados Unidos para evitar que as aeronaves civis se aproximassem de operações de combate no Golfo Pérsico, que contribuíram para a tragédia.

Um dos pontos ressaltados pela OACI foi a falta de equipamentos adequados nos navios norte-americanos para monitorar as frequências de rádio usadas pelo controlo de tráfego aéreo civil, o que teria permitido a identificação do avião de passageiros. As advertências feitas pelo Vincennes antes de disparar os mísseis foram transmitidas em canais de emergência, a maioria delas num canal militar, ao qual os pilotos do voo 655 não tinham acesso.

Apesar de os Estados Unidos garantirem que a derrubada do voo 655 foi um acidente, o Irão não aceitou a explicação e acusou os americanos de terem agido deliberadamente e ilegalmente enquanto estavam em águas iranianas.

Os Estados Unidos haviam rompido relações diplomáticas com o Irãoem 1980, após a tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerãoem 1979 por manifestantes iranianos, que mantiveram 52 americanos como reféns durante 444 dias.

 “O Irãonão acreditou que foi um erro”, disseà BBC News Brasil o historiador Abbas Milani, director do programa de Estudos Iranianos da Universidade Stanford, na Califórnia.

No ano seguinte à tragédia, em Maio de 1989, o Irãoprocessou os Estados Unidosno Tribunal Internacional de Justiça da ONU. Os dois países chegaram a um acordo em 1996. Os Estados Unidos concordaram em pagar  61,8 milhõesde dólares às famílias das vítimas iranianas, mas nunca admitiram responsabilidade nem se desculparam formalmente. Apesar de sua actuação natragédia, os comandantes do Vincennes na época do ataque foram agraciados com medalhas em 1990.

“Tudo isso tornou (oderrubedo voo 655) um momento muito simbólico na história”, ressaltou Milani.

Nova etapa nas relações já tensas

O ATAQUE aéreo norte-americano que matou o general iraniano Qassem Soleimani nasemana passada veio inaugurar uma nova etapa nas relações tensas entre Teerão e Washington. Apesar de algumas tentativas de aproximação, a interacção entre Estados Unidos e Irão tem sido complicada ao longo das últimas décadas e o discurso entre os dois países é ainda hoje marcado por ecos históricos persistentes que remontam até a eventos prévios à Revolução Islâmica de 1979. Olhamos para os principais momentos de um imbróglio diplomático que por estes dias se voltou a intensificar.

Último dia do ano de 1977. A poucas horas do início do novo ano, Jimmy Carter jantava em Teerão com o Xá Reza Pahlavi, monarca que liderava o Irão desde 1941. O Presidente norte-americano elogiava, nessa ocasião, as qualidades de uma liderança iraniana que apoiara de forma mais ou menos indirecta ao longo de vários anos.

“O nosso diálogo tem sido inestimável, a nossa amizade é insubstituível. (...) O Irão, devido à grande liderança do Xá, é uma ilha de estabilidade numa das áreas mais problemáticas do mundo”, afirmava então  o Carter. Mal sabia na altura que, menos de três anos volvidos, o Irão tornar-se-ia numa das maiores dores de cabeça para os Estados Unidos, não só na recta final da sua presidência, mas também durante as décadas seguintes e até à actualidade.

Os eventos recentes, nomeadamente a morte do general iraniano Qassem Suleimani por um drone norte-americano no Iraque, que levou o Presidente Hassan Rouhani a prometer uma “vingança severa”contra os Estados Unidos e a promessa de Donad Trump de responder à qualquer retaliação de Teerão, mostram que as ressonâncias históricas entre os dois países são múltiplas e que nenhum dos actores está disposto a esquecer as marcas do passado.

Do golpe de 1953 à revolução Islâmica

COMO demonstra a proximidade entre Jimmy Carter e Reza Pahlavi, a relação de inimizade entre os dois países só se manifesta ao mais alto nível depois da Revolução Islâmica de 1979. Mas as raízes do ódio para com os norte-americanos remontam a eventos anteriores.

O regime repressivo liderado por Mohammad Reza Pahlavi entre 1941 e 1979 - com o apoio da violenta Polícia política, a SAVAK - contava com uma proximidade económica e cultural muito significativa para com os Estados Unidos e o Ocidente, desde logo na ajuda concedida ao último Xá para que este se mantivesse no poder.

Este auxílio se fez sentir sobretudo no início dos anos 50 do século XX com uma ingerência norte-americana que os iranianos nunca viriam a esquecer. Em 1951, num acto de afirmação nacional, Teerão nacionalizara a indústria do petróleo, incluindo a Anglo-Iranian Oil Company, até ali nas mãos das autoridades britânicas.

Na altura estava no poder o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, o primeiro líder democraticamente eleito que procurava uma maior aproximação do Irão aos padrões de vida ocidentais. Em Agosto de 1953 é levada a cabo a Operação Ajax, sob a coordenação das autoridades britânicas e da CIA, com o consentimento de Reza Pahlavi, que se manteria no poder até à Revolução de 1979.

O golpe orquestrado pelos Estados Unidos teve como pretexto a alegada aproximação de Mossadegh à União Soviética, ainda no contexto da Guerra Fria, bem como a ascensão do Tudeh, o partido comunista no Irão, tendo também em conta a importância de manter um aliado com uma posição estratégica no Médio Oriente, às portas de Moscovo.

Por isso mesmo, Reza Pahlavi seria protegido e veria o seu poder reforçado pelo apoio norte-americano até ao final da monarquia Xá no Irão, em 1979. De tal forma que em 1957 Teerão e Washington vão assinar um acordo de cooperação nuclear para fins civis, com os Estados Unidos a assegurarem ao então aliado à assistência técnica necessária para iniciar o enriquecimento de urânio que décadas mais tarde viriam a tentar conter.

Dez anos depois, em 1967, os Estados Unidos estabelecem um acordo com o Irão para a concessão de plutónio e de urânio a um nível de enriquecimento suficiente para fabricar armas nucleares. Mas no ano seguinte Teerão assina o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que permite aos seus signatários a manutenção e um programa nuclear com fins civis, exigindo, no entanto, aos países o compromisso de que não tentassem alcançar armas nucleares. Em paralelo, o Irão continua a negociar com os Estados Unidos e aliados à construção de novos reactores e um poderio nuclear cada vez maior.

É neste contexto que se dá um dos eventos mais marcantes para o Médio Oriente no século XX. A repressão e a mão pesada do Xá começam a ser contestadas nas ruas logo nos primeiros meses de 1978 e culmina com a resignação de Reza Pahlavi, no início de 1979.

Quando, em Janeiro, o último Xá do Irão abandona o país, abre-se o espaço para o novo regime e para o regresso do exílio daquele que viria a ser o primeiro ayatollah, Ruhollah Khomeini.

Reféns norte-americanos em Teerão

NESTA fase, a aversão dos iranianos revolucionários contra os Estados Unidos que já vinha do golpe de 1953 cresceu ainda mais quando, no final de Outubro de 1979, o Presidente norte-americano Jimmy Carter deu aval à entrada de Reza Pahlavi nos Estados Unidos, uma vez que o antigo Xá tinha um cancro e necessitava de tratamentos médicos específicos.

Como medida de retaliação, a 4 de Novembro de 1979, um grupo de 300 a 400 estudantes que apoiava a revolução em cursoatacou e ocupou de forma repentina a representação norte-americana em Teerão, fazendo reféns entre os ocupantes.

Para os libertar, os atacantes exigiam aos Estados Unidos a extradição imediata de Pahlavi, permitindo que fosse julgado em Teerão. Inicialmente, mais de 60 norte-americanos estavam nas mãos dos revolucionários, apoiantes de Khomeini. Alguns seriam libertados, mas 52 ficaram cativos por mais 444 dias. Os 52 a que Trump se refere.

A ocupação da Embaixada veio dar fulgor ao impulso rebelde que tinha esmorecido após o início de 1979 e confirmou o lugar central do ayatollah no novo regime, que se radicalizou com este episódio de confronto.

Ao fim de longos meses de negociações e embargos, o Presidente norte-americano Jimmy Carter decide cortar as relações diplomáticas entre os dois países em Abril de 1980, situação que se mantém até hoje.

Terra Brasil e Andreia Martins - RTP

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A presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, afirma que o órgão possui grande maturidade em termos de cumprimento do seu dever, apesar de os juízes que o compõem serem ratificados pelo Parlamento. Na entrevista que se segue, Lúcia Ribeiro disseque, por exemplo, quando os juízes do Conselho Constitucional discutem os processos eleitorais, fazem-no do ponto de vista jurídico e não revestidos das suas cores políticas.

“Eles têm o dever de ser ingratos para com aqueles que os nomearam”, refere. Lúcia Ribeiro defende que a revisão da legislação eleitoral deve ocorrer antes da marcação da data da realização do sufrágio e que uma das saídas para os conflitos pós-eleitorais é a adopção de um Código Eleitoral. Sobre os recursos de contencioso eleitoral interpostos pelos concorrentes às eleições, a Presidente do Conselho Constitucional considera haver uma evolução, indicando, a título ilustrativo, que a maior parte dos processos relacionados com a votação do dia 15 de Outubro foi tramitada por advogados. “Isso alimenta-nos a esperança de que muitos advogados irão interessar-senesta área e brevemente haverá melhorias”, vaticinou.

Para além de aspectos inerentes ao próprio órgão, Lúcia Ribeiro falou do seu percurso de vida (familiar, académicoe profissional), bem como do seu envolvimento directo nas causas que visam àigualdade do género e emancipação da mulher, aspectos que, entretanto, serão espelhados na página dedicada à mulher da edição de sexta-feira. (FELISBERTO ARNAÇA E JOANA MACIE) LEIA MAIS

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A PROVÍNCIA do Niassa alcançou ao longo do ano passado a produção global correspondente a 43,3 mil milhões de meticais, um desempenho superior em 1,3 mil milhões de meticais, em relaçao à meta atribuída centralmente, onde se destaca a contribuição do sector agrícola.

Francisca Tomás, governadora do Niassa, que fez a revelação no balanço do desempenho económico anual da província relativo ao ano passado, salientou que o sector agrário, contribuiu na produção global  com cerca de 31 mil milhões de meticais.

A governante esclareceu que Niassa registou um crescimento na ordem de sete por cento em relação à produção global alcançada no ano de 2018, que também contou com o peso do sector agrário.(...)

 Carlos Tembe

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