Director: Lázaro Manhiça

MOÇAMBIQUE registou a maior subida de casos da Covid-19 das últimas semanas, ao diagnosticar, entre quarta-feira e ontem, 775 novas infecções, segundo dados das autoridades sanitárias que reportam ainda seis vítimas mortais.

A última vez que o Ministério da Saúde registou uma cifra grande de casos positivos foi a 18 de Fevereiro, quando foram anunciados 898 infectados. Os dados contrariam a tendência de redução de casos positivos que o país vinha assistindo nos últimos dias.

As vítimas mortais sãotodas do sexo masculino, cujas idades variam de 45 a 95 anos. Estavam internadas na cidade de Maputo e nas províncias de Maputo, Inhambane e Nampula.

Os dados de actualização diária apontam que 181 pessoas estão hospitalizadas nos centros de isolamento, 17 das quais entre quarta-feira e ontem, com complicações respiratórias e patologias crónicas como a hipertensão e a diabetes.

Entretanto, as províncias de Sofala, Zambézia e Nampula registam uma tendência crescente de casos, o que revela a prevalência de várias cadeias de transmissão activas e necessidade de adopção de medidas para a contenção da propagação.

Um comunicado da Direcção Nacional de Saúde Pública refere que o país ultrapassou a barreira dos 61 mil casos positivos. De acordo com a nota do sector da Saúde, os infectados encontram-se em isolamento domiciliar, enquanto decorre o rastreio e mapeamento dos principais contactos.

As autoridades sanitárias recordam que,apesar de o país estar a registar uma tendência decrescente do número de infecções nas últimas semanas, é importantecumprir rigorosamente as recomendações do Governo para evitar que o actual quadro de queda de casos seja interrompido.

Acrescentam que se todos cumprirem as medidas de prevenção, o número de novos casos continuará a baixar e o país permanecerá no caminho certo para a eliminação do novo coronavírus.

AS aulas presenciais suspensas no contexto das acções de contenção da propagação da Covid-19 deverão ser retomadas. A medida foi anunciada ontem pelo Presidente da República, na comunicação à nação, na qual decidiu manter, praticamente, as outras normas restritivas tomadas em Fevereiro último.

A medida entra em vigor no próximo domingo, dia 7 de Março, por um período de trinta dias.

Filipe Nyusi disse que a autorização do reinício das aulas nos estabelecimentos de ensino em todo o território nacional segue-se à constatação de que entre Outubro do ano passado e Janeiro último não foram detectadas complicações graves no sistema de educação, apesar dos 1380 casos positivos registados entre alunos e professores.

Segundo o Chefe de Estado, nem houve evidências concretas de estas contaminações terem ocorrido no ambiente escolar.

Deixou claro que alguns estabelecimentos de ensino poderão levar algum tempo para reabrir, pois tudo dependerá da criação de condições básicas para a retoma segura das aulas.

A outra novidade nas medidas anunciadas ontem tem a ver com a retoma dos treinos por parte das equipas que disputam o campeonato nacional, o Moçambola, devendo os clubes continuarem a observar as medidas que incluem testagem regular aos jogadores.

Nyusi sublinhou que os jogadores e/ou pessoal técnico que testarem positivo para a Covid-19 deverão ser isolados, tal como recomenda o protocolo global, até que sejam declarados recuperados para voltarem a integrar os trabalhos.

Entre as restrições mantidas, destaca-se o recolher obrigatório no Grande Maputo entre as 21 e 4 horas, o encerramento do comércio até as 20 horas, suspensão do Moçambola e de eventos sociais públicos e privados, incluindo casamentos que só podem ser registados com o máximo de 20 participantes.  

No próximo dia 11 de Março corrente, o mundo completa um ano após a Organização Mundial da Saúde ter declarado a Covid-19 uma pandemia global.

O Presidente Nyusi lembrou que a 14 de Março de 2020 fez a primeira comunicação à nação sobre a evolução da doença no país e que, olhando para trás, são notórios os resultados da adopção antecipada de medidas preventivas contra a Covid-19. 

O mais alto magistrado da nação congratulou o esforço dos moçambicanos, com destaque para os profissionais da Saúde e convidou a todos a aplicarem-se na luta contra a pandemia, deplorando o desrespeito das medidas de prevenção que ainda se regista em muitos pontos do país.

Por isso, ele apontou para a necessidade do contínuo reforço da prevenção, através da exigência da obrigatoriedade do uso da máscara em locais públicos e de aglomeração.

Sobre a vacina, o Chefe de Estado afirmou que as doses continuarão a chegar ao país, mas serão, numa primeira fase, para os que mais precisam, tal é o caso do pessoal da Saúde, pelo que se deverá lutar para que os hospitais não voltem a ficar sob pressão.

Explicou que a vacinação ajuda no combate à doença, mas não opera milagres, sendo apenas um complemento das outras medidas preventivas.

(JOSÉ CHISSANO)

O ALÍVIO precoce das medidas restritivas, aprovadas pelo Governo, para conter a propagação da Covid-19 no país, poderá resultar na eclosão de uma terceira vaga com transmissão ainda mais intensa.

O alerta é do director-geral do Instituto Nacional de Saúde, Ilesh Jani, realçando que no mês de Março em curso o país poderá registar mais mortes do que as 274 reportadas em Fevereiro que, por sua vez, superam as 201 vítimas mortais de Janeiro.

Dados apresentados no encontro que o Presidente da República, Filipe Nyusi, manteve com os presidentes das principais federações desportivas, indicam que o mês de Fevereiro teve cumulativamente mais casos, óbitos e hospitalizações.

Em 28 dias, as autoridades sanitárias registaram 20.696 infecções de Covid-19, uma subida de 3,3 por cento, em comparação com o mês de Janeiro. A proporção de pessoas internadas registou uma variação de 11,4 por cento, com o acolhimento de 1.002 pacientes, contra 887 do mês anterior.

Entretanto, entre terça-feira e ontem o número de óbitos devido à Covid-19 subiu para 668, com o anúnciode mais trêsmortes, que ocorreram nos últimos dias nas unidades sanitáriasda província de Nampula e cidade de Maputo.

Os dados de actualização diária do Ministério da Saúde (MISAU) apontam queno mesmo intervalo foram internados 18pacientes com complicações respiratórias e patologias crónicas como hipertensão arterial e diabetes.

Quatrocentos e oitenta e um indivíduos testaram positivo para o novo coronavírus, elevando o cumulativo para 60.395 casos, enquanto 1.205 pacientes foram dados como recuperadosda doença.

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