O ANTIGO Secretário Executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Tomaz Salomão,defende um debate franco, sobretudo com os sul-africanos, para que fique claro que a liberdade que gozam está intimamente ligada ao sacrifício consentido por vários países da região.

“ (…) Os irmãos sul-africanos esquecem-se que eles estão como estão hoje graças a países como Angola, Moçambique, Botswana, Namíbia e a própria Zâmbia, que aceitaram sofrer a violência do regime do apartheid. É fácil esquecer isto, mas nalgum momento é preciso recordar-lhes que nós hoje estamos onde estamos e, se calhar, podíamos estar em outras posições, se não tivéssemos tido que nos confrontar com esta triste realidade”, disse Tomaz Salomão, falando ontem ao programa “Café da Manhã” da Rádio Moçambique.

A uma questão sobre se a região pode alcançar estabilidade num contexto em que a principal potência da zona, a África do Sul, enfrenta recorrentes problemas de xenofobia, Salomão recordou que “quem ajudou os sul-africanos a libertar-se do apartheid foram os angolanos, numa batalha no sul de Angola em que, pela primeira vez, um exército africano conseguiu pôr em terra a aviação sul-africana e, a partir daí, eles compreenderam que a correlação de forças aqui na região tinha mudado…”.

“Então, por vezes, é preciso chamar atenção aos nossos irmãos para que tenham cuidado, que as coisas não são bem assim… Nós não pedimos para que as casas na cidade da Matola fossem bombardeadas pela aviação sul-africana, é preciso, às vezes, lembrar-lhes isso”, frisou o nosso entrevistado.

Defendeu ainda que, para que isso aconteça, é preciso abrir um debate, conversar abertamente e levar esta mensagem aos diferentes níveis e instituições de que, “sozinhos, os sul-africanos não vão vencer esta batalha”.

“É preciso vermos como podemos estabelecer uma plataforma e agenda comum, não uma agenda apenas da responsabilidade política, mas uma em que o sector privado e a sociedade civil são chamados para participar neste processo de transformarmos isto. É aqui onde digo que os estabelecimentos de ensinos, as instituições de investigação têm um papel fundamental de apoiar os países a encontrarem as melhores saídas para políticas que nos possam levar a sair desta situação”, destacou.

Leia mais sobre a entrevista de Tomaz Salomão na página quatro desta edição.

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