Representantes da população residente ao longo do Corredor Logístico de Nacala, na província de Nampula, exigem uma comunicação mais profícua com as empresas que operam aquela infra-estrutura. 
As empresas em questão são o Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), concessionária do sistema da linha férrea do norte e do Porto de Nacala, e o Corredor Logístico Integrado de Nacala (CLN), que se dedica ao transporte de passageiros e carga geral e do carvão extraído em Moatize, na província de Tete, tendo como terminal o Porto de Nacala-à-Velha, em Nampula.
O governador da província de Nampula, Víctor Borges, quer também que as empresas não se limitem a executar a sua tarefa principal, mas que tenham como questão fulcral a “licença social”, salvaguardando os interesses das comunidades.
Estas são algumas ilações tiradas, quinta-feira última, num encontro realizado na cidade de Nampula, organizado pela direcção de Relacionamento com a Comunidade da CLN/CDN, evento que contou com a presença de mais de duas centenas de líderes comunitários, tradicionais e religiosos, governos locais e sociedade civil.
Os participantes apontam falhas na comunicação com as comunidades, o que provocou, por exemplo, desencontro nas actividades agrícolas, com técnicos que desconhecem a matéria e que induziram os camponeses a realizar sementeiras fora da época, e ainda o uso de semente inadequada fornecida por empresas escolhidas e pagas pela CLN/CDN que, entretanto, se revelaram sem qualquer qualidade nem poder germinativo.
“Por exemplo, a CLN/CDN traz-nos semente comprada em empresas que se dizem especialistas na matéria, mas não o são. Também trazem semente sem qualidade, misturada com grão e o resultado é que não germina, acaba por não render. E aí quem paga o prejuízo do camponês?”, questionou um extensionista do distrito de Malema, local onde está implantada uma das mais importantes estações da linha ferroviária norte.
Um líder da zona de Mutuáli, também no distrito de Malema, reclama a pouca atenção que a CLN/CDN presta na comunicação com as lideranças e, por isso, não aproveita, cabalmente, a sua influência na comunidade.
“Devem prestar-nos mais atenção, não queremos tratar de novos assuntos, enquanto os do passado ainda não estão resolvidos. Por exemplo, continuamos a falar de muitos apeadeiros que foram encerrados, em 2016. A população os quer de volta, como o de Tui, pois é onde muitos camponeses vendem a sua produção. Agora, muitos têm de caminhar vários quilómetros até ao apeadeiro mais próximo”, disse, segundo a AIM.
Citando mais um exemplo de falha de comunicação, um líder da zona de Anchilo, distrito de Rapale, contou que tem conhecimento de locais onde há água em abundância. 
“Em Anchilo o terreno rochoso não facilita a procura de lençóis freáticos, mas nós na comunidade conhecemos sítios e podemos mostrar um antigo furo com capacidade até para que seja montado um sistema de fornecimento. Pedimos que se faça uma verificação”, afirmou. 
O gerente de Relacionamento com a Comunidade da CLN/CDN, Pedro Muendane, tem uma opinião diferente e considera que as questões apresentadas não mostram ausência de comunicação, antes pelo contrário, pois o que se apresentou foram detalhes específicos e não de grande vulto.
“Aqui ouvimos questões pequenas e não os grandes problemas, que são os que, efectivamente, impactam nas nossas comunidades. Reconhecemos que as preocupações do dia-a-dia são importantes. Mas não me parece que haja graves problemas. Temos variados fóruns e as pessoas têm oportunidade de apresentar o que as aflige de forma aberta”, explicou.
Muendane diz que outros fóruns, que decorrem ao longo do ano, regionais e distritais, são momentos em que as empresas e as comunidades partilham os problemas e as soluções encontradas.
“Agora faremos o levantamento de todas as preocupações e elaborar o nosso plano de acção. Por exemplo, o assunto dos apeadeiros está em análise e, brevemente, iremos dar uma resposta”, prometeu. 
O governador provincial, Víctor Borges, enfatizou que a 'licença social' é uma condição essencial e as empresas devem dar-lhe o devido valor para que as suas actividades sejam bem vistas pelas comunidades. 

“Dizemos que um empreendimento desta envergadura pode ser desenvolvido, mas não lhe basta capital, trabalho ou licença de impacto ambiental, precisa de ter também 'licença social'”, alvitrou.
Dados oficiais disponibilizados pelo Corredor de Nacala referem que aquela infra-estrutura transporta uma média de 500 mil pessoas e 550 mil toneladas de carga geral, por ano, entre as cidades de Nampula e Cuamba e Lichinga, e região de Entre-Lagos, na província do Niassa.

 

   

 

 

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