Moçambique deve explorar todos os argumentos do diálogo para evitar o retorno à guerra e a perda de todas as conquistas que o país foi alcançando ao longo dos últimos anos.

A recomendação é do Papa Francisco, que ontem falou a jornalistas, em pleno voo, de regresso a Roma, após sete dias da viagem apostólica que o levou sucessivamente a Moçambique, Madagáscar e Maurícias.

O Sumo Pontífice, que durante a visita ao nosso país manteve um encontro com o Presidente da República e trocou impressões com os líderes dos dois partidos da oposição com assento na Assembleia da República, disse acreditar que o processo de pacificação em curso no país está bem encaminhado, mas alertou sobre o perigo de se cair em triunfalismos que podem conduzir a falhas.

Infelizmente, segundo o Papa, a paz que actualmente se vive em Moçambique ainda é frágil, sendo essa uma razão bastante para os moçambicanos investirem na sua consolidação, usando sempre a arma do diálogo, do perdão e da reconciliação.

“É preciso evitar triunfalismos. O triunfo verdadeiro será a própria paz não os passos que vamos dando a caminho dela. Para mim, este é um projecto urgente. A paz que o país vive ainda é frágil e por isso precisa de ser acarinhada, de ser tratada com toda a delicadeza”, explicou o Papa Francisco, falando aos perto de setenta jornalistas que nos últimos sete dias o acompanharam na sua peregrinação apostólica pela África austral.

Recordou que Moçambique está envolvido no processo de pacificação há vários anos e o papel relevante que a Igreja Católica foi jogando em todas as etapas.

Reconheceu que o processo teve altos e baixos, mas mostrou-se satisfeito com a ideia de o mesmo estar agora a ganhar outro ritmo, com os actores a amostrar outros níveis de motivação.

“Tenham paciência. Cultivem o perdão. Isso é fundamental. Dialoguem mais. Se não houver isso, podem deitar tudo a perder. A guerra tem um preço muito alto e experiências disso temos de diversas partes do mundo, onde guerras nunca resolveram problemas. Com a guerra só se tem a perder. Só a paz nos pode proporcionar vitórias. Façam tudo para não voltarem à guerra, para que as armas nunca mais voltem a tomar o lugar da palavra”, apelou o Santo Padre.

Também reconheceu que esta não é propriamente uma tarefa fácil, mas ressalvou que o diálogo é um caminho que dignifica a civilização humana.

Sobre a visita a Moçambique, o Chefe da Igreja Católica disse ter ficado particularmente impressionado pela grande participação do público nos eventos e também a presença deste na via pública. Segundo disse, aquelas são pessoas que se “auto-convidaram” e foram de muitos lugares distantes para participar, espontaneamente, naquela festa de comunhão.

“Aquelas pessoas todas têm motivação, acreditam na força do evangelho e acreditam numa causa: a causa da fraternidade, da convivência e da paz. É preciso capitalizar, por exemplo, as experiências do diálogo inter-religioso que os jovens demonstraram no Pavilhão do Maxaquene, que também vi em Madagáscar e nas Maurícias. Aquele é sinal de maturidade. Mostra que os homens estão cada vez mais conscientes que precisam da convivência. Ali ficou clara a força da juventude e o papel que ela pode jogar em todos processos, em particular no da pacificação que é a grande prioridade para Moçambique” , destacou o Santo Padre.JÚLIO MANJATE, EM ROMA

 

Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction