Director: Júlio Manjate

O Hospital Central da Beira (HCB) vai cancelar, a partir de segunda-feira, as visitas diárias aos doentes internados nesta unidade sanitária no período entre as 16 e as 18 horas, como medida preventiva contra a pandemia do COVID-19.

A informação foi tornada pública ontem na cidade da Beira pela directora clínica do HCB, Ana Tambo, ressalvando que só será permitida a entrega de refeições apenas por uma pessoa no período da manhã, às 7.30 horas, e à tarde, às 13.30 horas.

Serão igualmente canceladas as consultas de rotina, mas haverá o serviço de urgências e cirurgias electivas. Neste caso, não será permitida a entrada dos acompanhantes de doentes que consigam caminhar e se comunicar sem qualquer ajuda.

Ana Tambo explicou que os acompanhantes manter-se-ão fora do recinto hospitalar, em observância das medidas recomendadas pelo sector da Saúde que, neste caso, têm a ver com a distância mínima de um metro entre as pessoas.

Criado Comité Científico

O HCB acaba de criar um Comité Científico de Prevenção e Controlo do coronavírus que vai assessorar a direcção desta unidade sanitária na monitoria da doença.

Segundo o presidente do Comité Científico de Prevenção e Controlo do coronavírus, Leonel Andela, a sua equipa de trabalho é formada por 10 profissionais. 

Andela reconheceu que existem vários desafios, um dos quais relativo às consultas externas porque muitas delas já estavam marcadas.

Aproveitou a ocasião para apelar à população a seguir as medidas de higiene individual e colectiva porque esta doença é uma realidade.  

Situação continua controlada

As autoridades sanitárias consideram que a situação da doença ainda está sob controlo na cidade da Beira, onde há observância das medidas de prevenção, rastreio e testagem dos suspeitos.

O director distrital da Saúde, Género e Acção Social, Fino Massalambane, que deu esta informação na conferência de imprensa, referiu que todas as 20 unidades sanitárias já estão em prontidão.

Disse que cada Centro de Saúde conta com um gabinete criado para o atendimento aos pacientes com sintomas de gripe que são submetidos ao rastreio e testagem.

Neste sentido, revelou que já foram rastreadas 383 pessoas das quais quatro amostras foram submetidas a análises no Instituto Nacional de Saúde (INS), em Maputo, cujos resultados laboratoriais foram negativos.

Entre os rastreados, constam indivíduos provenientes de países vizinhos sobretudo daqueles em que foi notificada a ocorrência da pandemia, sobretudo o Zimbabwe.

Fora isso, a fonte indicou que equipas compostas por técnicos do sector e estudantes finalistas do curso de Medicina nas Universidades Jean Piaget e Católica de Moçambique e do Instituto Superior de Ciências Tecnologias Alberto Chipande, todas sediadas na Beira, estão a reforçar as acções de sensibilização nas comunidades para se evitar estar em locais de aglomeração de pessoas como nas praias, discotecas, praças, mercados, paragens, estabelecimentos comerciais, entre outros.

Neste contexto, atenção especial vai para os periféricos bairros de Chaimite, Praia-Nova, Maquinino, Ponta-Gêa, Macuti, Estoril e Matacuane.

O dirigente reafirmou, entretanto, a necessidade de todos os rastreados cumprirem com as orientações sobre a quarentena.

“Queremos que as pessoas nos compreendam, porque rastrear 383 pessoas não é uma tarefa fácil. Neste momento, a cidade da Beira está bem, mas todo o cuidado é pouco. Se houver qualquer caso positivo, nós seremos os primeiros a anunciar publicamente”, garantiu.

Sublinhou que nas unidades industriais, instituições públicas e privadas, terminais de autocarros e de transportes semicolectivo de passageiros se observa escrupulosamente a lavagem das mãos com sabão.

Todavia, condenou o uso abusivo das luvas e máscaras por parte de pessoas sem sinais da patologia, pois, segundo disse, estes, quando mal aplicados, podem ser fontes da transmissão da doença.

Apelos contra desinformação

Na manhã de ontem, circulou, nas redes sociais, um áudio indicando que um cidadão de nacionalidade malawiana com sintomas de coronavírus ter-se-á posto em fuga, depois de dar entrada no Centro de Saúde Urbano da Ponta-Gêa.

O director distrital da Saúde, Género e Acção Social, Fino Massalambane, desmentiu a informação, afirmando que não corresponde à verdade. Porém, referiu que deu entrada no Centro Urbano da Ponta-Gêa um motorista moçambicano, de 30 anos de idade, que estudou na Zâmbia e no Malawi e com residência no bairro de Nhaconjo, arredores da cidade da Beira.

Acrescentou que o paciente em alusão foi submetido ao rastreio no gabinete de atendimento das gripes mas depois seguiu o seu destino.

“Alguém viu-o a ser conduzido para um local específico, por causa da gripe, e concluiu erradamente que se tratava de uma pessoa com coronavírus. E não se pôs em fuga, como se propala”, esclareceu Massalambane.

Por isso, apelou a todos no sentido de combaterem a desinformação que pode deitar abaixo todos esforços para a prevenção.

“O sector da Saúde está totalmente aberto para qualquer informação ou esclarecimento”, disse.

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