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Categoria: Beira
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PERTO de 300 famílias viram-se forçadas a abandonar as suas residências ao princípio da noite de quarta-feira última, na Praia Nova, cidade da Beira, devido a mais uma invasão das águas do mar.

Na circunstância, as famílias refugiaram-se nos corredores dos prédios vizinhos, levando consigo alguns dos seus pertences.

Já na manhã de ontem, a nossa Reportagem esteve no local onde testemunhou que as águas estavam a reduzir, propiciando que as pessoas começassem a regressar aos seusaposentos.

“Quando a água começou a entrar eu estava no mercado grande a vender. Ninguém me informou e assim perdi a farinha que tinha em casa. Os meus vizinhos conseguiram salvar parte dos seus bens porque estavam próximos”, contou-nos uma moradora que se identificou como Fátima.

A zona da Praia Nova é das mais vulneráveis aos efeitos das marés altas na cidade da Beira. Por essa razão, as autoridades, repetidas vezes, aconselharam as pessoas a retirarem-se, mas estas não acatam sob alegação de que só ali podem encontrar o seu sustento.

No ano passado, na sequência do ciclone Idai, foram retomados os apelos para os moradores saírem definitivamente, mas, de novo,sem sucesso.

O autarca Daviz Simango apareceu publicamente a dizer que em caso de choques ambientais como inundações nenhum apoio seria canalizado às vítimas, pois já foram convidadas a abandonar a área. No entanto, as pessoas voltaram a ignorar as recomendações e mantêm-se nesta zona de alto risco.

Sobre esta nova situação, Daviz Simango reafirmou que o problema da invasão das águas do mar só poderá cessar caso haja um trabalho profundo de protecção costeira.

Voltou a afirmar que, do ponto de vista social, os moradores daquele bairro devem ser transferidos por não haver condições de habitabilidade na Praia Nova.

Os moradores, por seu turno, justificam a sua estadia naquele bairro por estar próximo do centro da cidade,onde os seus negócios podem fluir com mais facilidade.