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Director: Júlio Manjate

PERTO de 300 famílias viram-se forçadas a abandonar as suas residências ao princípio da noite de quarta-feira última, na Praia Nova, cidade da Beira, devido a mais uma invasão das águas do mar.

Na circunstância, as famílias refugiaram-se nos corredores dos prédios vizinhos, levando consigo alguns dos seus pertences.

Já na manhã de ontem, a nossa Reportagem esteve no local onde testemunhou que as águas estavam a reduzir, propiciando que as pessoas começassem a regressar aos seusaposentos.

“Quando a água começou a entrar eu estava no mercado grande a vender. Ninguém me informou e assim perdi a farinha que tinha em casa. Os meus vizinhos conseguiram salvar parte dos seus bens porque estavam próximos”, contou-nos uma moradora que se identificou como Fátima.

A zona da Praia Nova é das mais vulneráveis aos efeitos das marés altas na cidade da Beira. Por essa razão, as autoridades, repetidas vezes, aconselharam as pessoas a retirarem-se, mas estas não acatam sob alegação de que só ali podem encontrar o seu sustento.

No ano passado, na sequência do ciclone Idai, foram retomados os apelos para os moradores saírem definitivamente, mas, de novo,sem sucesso.

O autarca Daviz Simango apareceu publicamente a dizer que em caso de choques ambientais como inundações nenhum apoio seria canalizado às vítimas, pois já foram convidadas a abandonar a área. No entanto, as pessoas voltaram a ignorar as recomendações e mantêm-se nesta zona de alto risco.

Sobre esta nova situação, Daviz Simango reafirmou que o problema da invasão das águas do mar só poderá cessar caso haja um trabalho profundo de protecção costeira.

Voltou a afirmar que, do ponto de vista social, os moradores daquele bairro devem ser transferidos por não haver condições de habitabilidade na Praia Nova.

Os moradores, por seu turno, justificam a sua estadia naquele bairro por estar próximo do centro da cidade,onde os seus negócios podem fluir com mais facilidade.

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O COMITÉ Operativo de Emergência de Saúde Pública, em Sofala, reúne-se segunda-feira, na cidade da Beira, para, de entre outros pontos, debater a estratégia de materialização e monitoria do Decreto Presidencial número 11/2020 de 30 de Março, que institui o Estado de Emergência no país.

Um comunicado do comité chegado fim-de-semana à nossa Redacção, Delegação na Beira, indica que o encontro será orientado pela Secretária de Estado da província, Stella Zeca, devendo igualmente, avaliar o grau de cumprimento das decisões da última sessão, havida semana passada, e o ponto de situação da Covid-19 neste ponto do país.

Na sua primeira sessão realizada no passado dia 27 último, o órgão debruçou-se sobre os casos de quebra do regime de quarentena por parte de algumas pessoas que chegaram à província de Sofala vindas da África do Sul, tendo decidido que os visados deviam ser forçados a regressar imediatamente aos seus domicílios.

Na ocasião, a directora provincial de Saúde, Priscila Filimone, reconheceu que estas situações estavam a ocorrer com alguma frequência nacidade da Beira, tendo levado à intervenção conjunta das autoridades da Saúde, Policia de Protecção e Migração.

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Osw sete indiciados de desvio de 9.791.111 meticais no dia 4 de Dezembro do ano passado, no Hospital Central da Beira (HCB), acabam de ser suspensos das suas funções, tendo-lhes sido instaurados os respectivos processos disciplinares.

O facto foi revelado sexta-feira ao “Notícias” pelo inspector-chefe na Direcção Provincial de Saúde em Sofala, Duarte Comissário. Segundo a fonte, a suspensão dos suspeitos é em resposta à orientação deixada nesse sentido pela secretária de Estado, Stella Zeca, na sua visita de trabalho, a primeira ao sector, realizada em finais de Fevereiro último.

Conforme apurou o “Notícias”, entre os suspeitos ora suspensos de todas as actividades consta o administrador do Hospital Central da Beira, Abú Júlio.

Comissário revelou que já está em curso, nesta unidade hospitalar, a audição dos funcionários visados.

Na sequência do processo disciplinar, uma equipa do Ministério da Saúde esteve recentemente na Beira, com o objectivo de recolher mais informações sobre o assunto, numa altura em que também decorre uma sindicância da Inspecção Geral das Finanças, através da sua delegação regional, visando determinar o envolvimento de cada um dos suspeitos.

Caso se prove, os visados serão demitidos ou expulsos do Estado, conforme as penas previstas no Estatuto Geral de Funcionários e Agentes do Estado.

Enquanto o caso criminal está sob alçada das autoridades da administração da justiça, a Inspecção e o Departamento dos Recursos Humanos da Direcção Provincial de Saúde têm feito o acompanhamento e monitoria dos procedimentos e prazos do processo disciplinar em curso.

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O Hospital Central da Beira (HCB) vai cancelar, a partir de segunda-feira, as visitas diárias aos doentes internados nesta unidade sanitária no período entre as 16 e as 18 horas, como medida preventiva contra a pandemia do COVID-19.

A informação foi tornada pública ontem na cidade da Beira pela directora clínica do HCB, Ana Tambo, ressalvando que só será permitida a entrega de refeições apenas por uma pessoa no período da manhã, às 7.30 horas, e à tarde, às 13.30 horas.

Serão igualmente canceladas as consultas de rotina, mas haverá o serviço de urgências e cirurgias electivas. Neste caso, não será permitida a entrada dos acompanhantes de doentes que consigam caminhar e se comunicar sem qualquer ajuda.

Ana Tambo explicou que os acompanhantes manter-se-ão fora do recinto hospitalar, em observância das medidas recomendadas pelo sector da Saúde que, neste caso, têm a ver com a distância mínima de um metro entre as pessoas.

Criado Comité Científico

O HCB acaba de criar um Comité Científico de Prevenção e Controlo do coronavírus que vai assessorar a direcção desta unidade sanitária na monitoria da doença.

Segundo o presidente do Comité Científico de Prevenção e Controlo do coronavírus, Leonel Andela, a sua equipa de trabalho é formada por 10 profissionais. 

Andela reconheceu que existem vários desafios, um dos quais relativo às consultas externas porque muitas delas já estavam marcadas.

Aproveitou a ocasião para apelar à população a seguir as medidas de higiene individual e colectiva porque esta doença é uma realidade.  

Situação continua controlada

As autoridades sanitárias consideram que a situação da doença ainda está sob controlo na cidade da Beira, onde há observância das medidas de prevenção, rastreio e testagem dos suspeitos.

O director distrital da Saúde, Género e Acção Social, Fino Massalambane, que deu esta informação na conferência de imprensa, referiu que todas as 20 unidades sanitárias já estão em prontidão.

Disse que cada Centro de Saúde conta com um gabinete criado para o atendimento aos pacientes com sintomas de gripe que são submetidos ao rastreio e testagem.

Neste sentido, revelou que já foram rastreadas 383 pessoas das quais quatro amostras foram submetidas a análises no Instituto Nacional de Saúde (INS), em Maputo, cujos resultados laboratoriais foram negativos.

Entre os rastreados, constam indivíduos provenientes de países vizinhos sobretudo daqueles em que foi notificada a ocorrência da pandemia, sobretudo o Zimbabwe.

Fora isso, a fonte indicou que equipas compostas por técnicos do sector e estudantes finalistas do curso de Medicina nas Universidades Jean Piaget e Católica de Moçambique e do Instituto Superior de Ciências Tecnologias Alberto Chipande, todas sediadas na Beira, estão a reforçar as acções de sensibilização nas comunidades para se evitar estar em locais de aglomeração de pessoas como nas praias, discotecas, praças, mercados, paragens, estabelecimentos comerciais, entre outros.

Neste contexto, atenção especial vai para os periféricos bairros de Chaimite, Praia-Nova, Maquinino, Ponta-Gêa, Macuti, Estoril e Matacuane.

O dirigente reafirmou, entretanto, a necessidade de todos os rastreados cumprirem com as orientações sobre a quarentena.

“Queremos que as pessoas nos compreendam, porque rastrear 383 pessoas não é uma tarefa fácil. Neste momento, a cidade da Beira está bem, mas todo o cuidado é pouco. Se houver qualquer caso positivo, nós seremos os primeiros a anunciar publicamente”, garantiu.

Sublinhou que nas unidades industriais, instituições públicas e privadas, terminais de autocarros e de transportes semicolectivo de passageiros se observa escrupulosamente a lavagem das mãos com sabão.

Todavia, condenou o uso abusivo das luvas e máscaras por parte de pessoas sem sinais da patologia, pois, segundo disse, estes, quando mal aplicados, podem ser fontes da transmissão da doença.

Apelos contra desinformação

Na manhã de ontem, circulou, nas redes sociais, um áudio indicando que um cidadão de nacionalidade malawiana com sintomas de coronavírus ter-se-á posto em fuga, depois de dar entrada no Centro de Saúde Urbano da Ponta-Gêa.

O director distrital da Saúde, Género e Acção Social, Fino Massalambane, desmentiu a informação, afirmando que não corresponde à verdade. Porém, referiu que deu entrada no Centro Urbano da Ponta-Gêa um motorista moçambicano, de 30 anos de idade, que estudou na Zâmbia e no Malawi e com residência no bairro de Nhaconjo, arredores da cidade da Beira.

Acrescentou que o paciente em alusão foi submetido ao rastreio no gabinete de atendimento das gripes mas depois seguiu o seu destino.

“Alguém viu-o a ser conduzido para um local específico, por causa da gripe, e concluiu erradamente que se tratava de uma pessoa com coronavírus. E não se pôs em fuga, como se propala”, esclareceu Massalambane.

Por isso, apelou a todos no sentido de combaterem a desinformação que pode deitar abaixo todos esforços para a prevenção.

“O sector da Saúde está totalmente aberto para qualquer informação ou esclarecimento”, disse.

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Várias igrejas sediadas na cidade da Beira estão desde ontem envolvidas no movimento de prevenção da pandemia do coronavírus que ameaça o mundo e o nosso país, numa iniciativa desencadeada pela Direcção Provincial da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Sofala.

De acordo com o director do sector, Yazalde de Sousa, em entrevista ao nosso jornal, no âmbito da implementação das medidas anunciadas pelo Governo estava previsto para ontem o início de uma série de palestras com líderes de diferentes congregações religiosas que operam na Beira no sentido de se lhes transmitir a mensagem sobre a necessidade de observância das medidas de prevenção do novo coronavírus.

Yazalde de Sousa fez saber, igualmente, que tais palestras serão efectuadas em turnos, de uma hora, como forma de evitar aglomerações por tempo prolongado.

Na mesma entrevista, aquele responsável manifestou-se satisfeito porque as igrejas estão a acatar as medidas de prevenção, tendo já anunciado algumas restrições e interrupção dos cultos e outras manifestações litúrgicas.

Fora disso, Sousa sublinhou que durante o período de 30 dias decretados pelo Governo para o reforço das medidas de prevenção do Covid-19, algumas igrejas baseadas na Beira manifestaram a disponibilidade de usarem outras plataformas nos seus cultos, através de rádio, por exemplo.

No rol das recomendações a serem deixadas figuram, igualmente, os cultos por ocasião dos funerais.

Assim, o director da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos apelou para a necessidade de se evitar ao máximo missas de corpo presente e aglomerados acima de 50 pessoas.

"É uma situação difícil, mas é bom cumprirmos todas as medidas de prevenção da pandemia para o bem comum"- sensibilizou.

Oficialmente, estão inscritas 82 igrejas na província de Sofala, das quais mais de 50 operam na cidade da Beira, além de tantas outras que funcionam sem autorização do sector de Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

(Horácio João)

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