Director: Lázaro Manhiça

A população residente em Nacala-Porto, na província de Nampula, acusa os profissionais do sector da Saúde de estarem a protagonizar cobranças ilícitas nas maternidades locais e o mau atendimento nas repartições de triagem de adultos e crianças.

As denúncias foram apresentadas ao Governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, que visitou as unidades sanitárias de Nacala-Porto para se inteirar dos esforços em curso no combate a doenças de origem hídrica.

Na breve interacção com os doentes do Centro de Saúde de Naherengue, o Governador de Nampula foi confrontado com situações de cobranças ilícitas na maternidade local e o mau atendimento.

As mulheres gestantes que se dirigem à maternidade para dar à luz dizem que são exigidas o pagamento de 300 meticais quando a criança recém-nascida é do sexo feminino e 400 meticais se for do sexo masculino.

Em casos de ser submetida à operação (cesariana) e necessitar de sangue, também é cobrada uma quantia não especificada pelas denunciantes. Os profissionais de saúde afectos àquela unidade sanitária promovem o mau atendimento, que se caracteriza, segundo disseram, pelo início tardio das actividades e pela morosidade na resolução dos problemas dos pacientes.

De acordo com os doentes, trata-se de uma situação que abre espaço para subornos na tentativa de querer ser atendido primeiro em relação aos outros.

Manuel Rodrigues encorajou as denúncias populares contra cobranças ilícitas e o mau atendimento, porque só assim é possível corrigir os problemas relacionados com o comportamento dos profissionais do sector de saúde.

O governante disse estar disposto a instaurar  processos disciplinares contra os culpados, mas os denunciantes não foram capazes de indicar os enfermeiros responsáveis pelas cobranças ilícitas.

Por causa dessas e de outras situações, o governador convocou uma reunião com os gestores das unidades sanitárias, líderes comunitários e membros dos conselhos de co-gestão dos hospitais, a nível de Nacala-Porto, onde manifestou o seu total desagrado pela situação que mereceu denúncia por parte da população.

“O Governo de Moçambique constrói hospitais para servirem à população e nós não podemos criar dificuldades para os doentes beneficiarem dos cuidados de saúde, pois é nossa obrigação garantir a satisfação dos utentes”, disse.

Ao Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, o governador de Nampula  recomendou que se faça um trabalho em coordenação com todos os envolvidos no processo de gestão das unidades sanitárias, no sentido de se identificar os prevaricadores que põem em causa o esforço do Governo e dos profissionais honestos.

Reiterou que o executivo provincial não vai tolerar casos de desrespeito à vida da população e, caso se repita, todos os gestores serão alvos de processos disciplinares.

Sérgio Fernando

 

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