A embaixada dos Estados Unidos da América na África do Sul pediu, formalmente, ao governo sul-africano, que não extradite o antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, para Moçambique, enquanto os EUA se desdobram numa ofensiva legal com vista a reverter a decisão de Pretória, que deu luz verde favorável ao pedido do governo moçambicano.

O porta-voz da embaixada, Robert Mearkle, sublinhou que a lei norte-americana permitia que Chang, que enfrenta graves acusações de fraude nos EUA e em Moçambique, seja julgado primeiro nos EUA e depois em Moçambique, seu país de origem.
As autoridades norte-americanas pediram, em Dezembro, ao executivo de Pretória para extraditar Manuel Chang para os EUA a fim de enfrentar acusações de fraude e corrupção, decorrentes de um esquema de empréstimo de 2 biliões de dólares, conhecido como o das "dívidas ocultas”.
Manuel Chang foi preso no Aeroporto Internacional “OR Tambo”, na cidade de Joanesburgo, capital económica sul-africana, no dia 29 de Dezembro, com um mandado da Interpol emitido pelos EUA.
Mas mais tarde, o governo moçambicano também pediu à África do Sul, que extraditasse o ex-governante ao país de origem, para enfrentar acusações relacionadas ao mesmo crime.
O ministro sul-africano da Justiça, Michael Masutha, anunciou a 21 de mês em curso, que Manuel Chang seria extraditado para o país de origem.
Os Estados Unidos disseram, na altura, terem notado a declaração de Masutha “com grande desapontamento” e acrescentaram que Pretória havia recebido seu pedido de extradição muito antes do pedido feito pelas autoridades moçambicanas.
“Manuel Chang é acusado de orquestrar um esquema de fraude e lavagem de dinheiro no valor de dois biliões de dólares, que tirou proveito do sistema financeiro dos EUA e defraudou os investidores dos EUA” , disse na altura a representação diplomática.
“Instamos o governo da África do Sul a enviar Manuel Chang para os Estados Unidos para ser julgado por esses supostos crimes, que vitimaram os cidadãos norte-americanos e roubaram o governo de Moçambique de mais de 700 milhões de dólares”, refere a embaixada.
Alguns grupos da sociedade civil moçambicana acreditam que é mais provável que Chang enfrente justiça real nos EUA e não no país de origem, onde há fortes suspeitam que, se ele for devolvido, os seus supostos crimes serão cobertos para proteger funcionários seniores do governo, suspeitos de estarem envolvidos na fraude.
Na quinta-feira, Robert Mearkle disse que “pedimos, formalmente, ao governo da África do Sul, por via diplomática, que não extradite ou remova Chang para Moçambique, enquanto os Estados Unidos buscam a reconsideração da decisão do Ministro da Justiça, publicamente, anunciada no dia 21 do mês em curso, através de mecanismos legais relevantes.
“Também notamos que a lei de extradição dos EUA permite que Chang enfrente a justiça em ambos os países - primeiro nos Estados Unidos, depois em Moçambique. A lei moçambicana não oferece a mesma disposição”, referiu.
O diplomata acrescentou que a embaixada dos EUA acredita que Chang ainda esteja em território sul-africano.

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