Imprimir
Categoria: Economia
Visualizações: 534

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ontem ao Governo para que fortaleça a supervisão sobre o endividamento de todas as empresas estatais, para colocar a dívida pública numa trajectória sustentável, a médio prazo.

"Os directores elogiaram o empenho das autoridades em trazer o risco da dívida para níveis moderados, a médio prazo, e os passos importantes que foram tomados para fortalecer a transparência e a gestão da dívida pública", lê-se no comunicado sobre a análise anual da economia feita pelo FMI a Moçambique, ao abrigo do artigo IV.

O artigo IV do FMI prevê que sejam feitas análises às economias dos membros do Fundo todos os anos.

"Ao mesmo tempo que acolhem o acordo de princípios com os credores privados sobre o alívio na dívida, os directores defenderam a adopção e a implementação de uma estratégia para a dívida e vincaram a importância de fortalecer a supervisão de todo o portefólio de dívida pública, incluindo as empresas detidas pelo Estado, para colocar os rácios da dívida pública face ao PIB (produto interno bruto) numa trajectória claramente descendente", acrescenta o FMI, que coloca a dívida externa a subir para mais de 99% do PIB este ano.

Confirmando a revisão da previsão de crescimento do PIB para 1,8% este ano, no seguimento dos ciclones Idai e Kenneth, o FMI diz que "a situação económica de Moçambique estava a melhorar até os ciclones atingirem o país, com o crescimento económico a recuperar, gradualmente, e alargando a sua base de crescimento, e a inflação chegou a estar bem abaixo de dois dígitos".

No entanto, o impacto destes desastres naturais mudou o panorama: "A actividade económica deverá desacelerar, fortemente, em 2019, devido ao choque na capacidade produtividade, mas deve recuperar para os níveis anteriores ao ciclone em 2020", principalmente, se houver ajuda internacional, acrescenta.

No documento, o FMI defendeu o "contínuo empenho das autoridades em melhorar a governação, transparência e responsabilização, incluindo para reduzir as vulnerabilidades à corrupção", e acolheu, favoravelmente, "a preparação, em curso, com assistência técnica do FMI, de um relatório de diagnóstico sobre os principais desafios da governação e do combate à corrupção e encoraja fortemente a sua publicação".