Director: Júlio Manjate

O vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Mateus Magala, disse ontem que espera assinar ainda este mês todos os compactos específicos para cada país lusófono, salientando o interesse de várias instituições financeiras multilaterais.

“A nossa intenção é assinar todos os compactos, o mais tardar até ao fim deste mês de Julho”, disse o responsável em declarações à Lusa, a partir de Luanda, onde assinou ontem o compacto específico para Angola.

Questionado sobre quando será a assinatura deste inovador modelo de financiamento para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Mateus Magala explicou que “na Guiné-Bissau, o problema é a formação do novo governo”, adiantando que está “à espera de quando estarão preparados, já com um governo formado, para assinar” o memorando de entendimento que permite o acesso a financiamento mais barato e assistência técnica na apresentação dos projectos.

“Em São Tomé e Príncipe tivemos um problema de calendário, iam assinar esta semana, mas hoje mesmo vamos reprogramar”, disse, vincando também que a Guiné Equatorial faz parte do lote de países que vai beneficiar deste modelo.

O Compacto para o Desenvolvimento é uma iniciativa lançada no final de 2017 pelo BAD e pelo governo português, para financiar projectos lançados em países lusófonos africanos, com o apoio financeiro do BAD e com garantias do Estado português, que assim asseguram que o custo de financiamento seja mais baixo e com menos riscos.

“No Fórum de Investimento Africano, em Joanesburgo, em Novembro, pensamos entre três a cinco projectos que estão preparados, para serem aprovados no contexto do compacto, e isso vai ser um grande avanço”, anunciou Mateus Magala, que é também o presidente do comité de orientação do compacto.

Questionado sobre quais são estes projectos, o vice-presidente do BAD respondeu que não podia nomeá-los e salientou que “os países que estão mais avançados em termos de preparação dos projectos são Moçambique, Angola e Cabo Verde, os dois primeiros na área da energia e infra-estruturas, mas também no sector financeiro”.

Concretizando-se a aprovação dos projectos no Fórum, “o 'momentum' vai ser muito maior e a partir do próximo ano já poderemos entrar numa nova fase com nova dinâmica", disse o responsável.

Para além dos países lusófonos africanos, também o Brasil vai juntar-se à iniciativa, entrando na mesma categoria que Portugal, que funciona como garante dos projectos, apresentando garantias bancárias.

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