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Categoria: Economia
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O empresariado nacional aponta os ataques armados nas regiões centro e norte do país como sendo responsáveis pela redução do fluxo de negócio dos transportadores de passageiros e carga, o que traz graves prejuízos económicos.
O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, disse ontem, em Maputo, que a redução do fluxo agrava o deficiente abastecimento em produtos básicos aos mercados do centro, que dependem, na sua maioria, de mercadorias idas do sul do país.
“Como consequência da mesma situação, o fluxo de transportadores de passageiros tem vindo a reduzir face a pouca aderência dos utentes que temem pela insegurança”, afirmou Vuma, durante o seu discurso por ocasião do Natal e fim de ano.
Segundo Vuma, durante o ano em curso, foram registados 15 ataques, tendo 11 sido direccionados a transportadores de passageiros, resultando em mortes e feridos, bem como destruição de bens.
As autoridades acusam a auto - proclamada Junta Militar da Renamo, o maior partido da oposição no país, dirigida pelo general Mariano Nyongo, como sendo responsável pelos ataques no centro do país.
No entanto, Vuma fez igualmente referência aos ataques dos insurgentes em Cabo Delgado, como “outra ameaça não apenas à estabilidade do país mas, também, ao ambiente de negócios”.
Segundo Vuma, citado pela AIM, ambas situações constituem um “verdadeiro risco para as perspectivas que se traçam para 2020”.
Por isso, o empresariado apela ao Governo a usar toda sua capacidade para solucionar os focos de violência que afectam sobretudo os negócios.
Apelou igualmente a necessidade de flexibilizar a implementação dos “principais instrumentos de planificação”.
Sobre as perspectivas para 2020, Vuma prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) atinja 5,5 por cento, contra 2,1 por cento projectado para o ano em curso.
Suporta a previsão, os esforços de reconstrução pós-ciclones Idai e Kenneth que assolaram as regiões centro e norte, respectivamente, no primeiro semestre de 2019.
“As perspectivas para 2020 são de forte recuperação da actividade económica e baixa inflação”, disse, acrescentado que o sector agrário poderá recuperar o que vai estimular a economia a partir de uma flexibilização gradual das condições monetárias e da compensação dos pagamentos domésticos em atraso aos fornecedores.
Sobre os atraso no pagamento da dívida aos fornecedores divididos em três grupos, Vuma fez saber que actualmente o Governo está a pagar o grupo dois da dívida validada mas sem visto do Tribunal Administrativo (TA).
Para este grupo, abrangendo cerca de três mil empresas, maioritariamente pequenas e médias empresas, a dívida está avaliada em 5,3 mil milhões de meticais.
E, o grupo três, da dívida não validada por diversas razões, sendo uma delas não se ter conseguido comprovar que, de facto, o bem ou o serviço foi fornecido ao Estado, Vuma disse que continuará a “desenvolver esforços para encontrar saídas”.
A dívida do grupo três está estimada em 5,7 mil milhões de meticais.
O grupo um, da dívida validada com visto do TA, estimada em 8,1 mil milhões de meticais, está na fase final de pagamento.
O Estado deve a fornecedores um total de 19 mil milhões de meticais, cobrindo o período de 2007 a 2017.