Director: Júlio Manjate

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem em ligeira baixa a perspetiva de crescimento da economia da África subsaariana, antecipando agora um crescimento de 3,5% neste e no próximo ano, menos 0,1 pontos do que em Outubro.

"Na África subsaariana, o crescimento deve fortalecer-se de 3,3% em 2019 para 3,5% em 2020 e 2021, 0,1 pontos percentuais mais baixo que a previsão de Outubro para 2020 e 0,2 pontos abaixo da estimativa para 2021", lê-se na Atualização das Perspetivas Económicas Mundiais, ontem divulgado em Washington.

De acordo com o documento, esta revisão é explicada pela perspectiva de crescimento mais baixa "na África do Sul, onde os constrangimentos e as finanças públicas estão a prejudicar a confiança dos investidores e o investimento privado, e para a Etiópia, onde a consolidação do sector público, necessárias para conter as vulnerabilidades da dívida, deve pesar no crescimento".

Em outubro, quando previa um crescimento de 3,2% em 2019 e 3,6% em 2020, o FMI escrevia que "esta retoma do crescimento será mais lenta do que o anteriormente previsto devido, em parte, ao ambiente externo mais difícil", escreviam então os economistas do FMI nas 'Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsariana', divulgadas no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial.

No documento, o FMI alertou que as perspetivas variam muito de país para país, principalmente entre os países ricos em recursos naturais, cujo crescimento deverá ser de 2,5%, em média, e dos outros, que deverão registar expansões na ordem dos 6%.

“À semelhança das perspetivas mundiais, a região enfrenta riscos em sentido descendente elevados”, comentou o director do departamento africano do FMI, Abebe Aemro Selassie, acrescentando que "as perturbações externas intensificaram-se, conforme demonstrado pelo acentuado abrandamento do crescimento das exportações".

A nível interno, continuou, "as incertezas de política continuam a conter o investimento nas maiores economias da região".

Por outro lado, salientou, "embora o peso da dívida média esteja a estabilizar, as elevadas vulnerabilidades da dívida pública e as baixas reservas externas vão continuar a limitar o espaço de política em vários países".

O FMI recomenda, por isso, três vectores de actuação para os governos "para reduzir os riscos e promover o crescimento sustentado e inclusivo", a começar pela política monetária.

Depois, estes países devem "continuar a criar resiliência, tanto aos choques económicos como aos desastres cada vez mais frequentes relaccionados com o clima e aos desafios acrescidos em matéria de segurança, o que requer a melhoria dos quadros de política macroeconómica, a promoção da diversificação económica e o reforço dos sectores financeiros".

Por último, recomendava o FMI em Outubro, é preciso aumentar o crescimento no médio prazo para criar emprego para a força de trabalho em expansão", o que se faz através da implementação de "reformas estruturais para fomentar o investimento e a competitividade, abordando de forma abrangente as barreiras tarifárias e não tarifárias no contexto da zona de livre comércio africana".

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