Director: Lázaro Manhiça

A NOTÍCIA da reprovação do Estádio Nacional do Zimpeto pela Confederação Africana de Futebol (CAF) para acolher jogos internacionais foi desagradável.

Depois de uma inspecção, o organismo concluiu que o recinto se apresenta fora de padrões, principalmente em aspectos considerados elementares na prática do futebol de alta competição. Especificamente, o principal recinto desportivo do país tem o piso inadequado para jogos que juntem estrelas que competem para representar a sua pátria no próximo “Mundial” de futebol.

A 10 de Outubro, a selecção nacional de futebol defrontaria ali os Camarões, uma das mais cotadas do continente, mas a CAF, como resultado da referida inspecção, viu muita erva daninha no relvado, que também apresenta partes amareladas e esbranquiçadas e delimitação pouco visíveis.

Para além da relva há ainda, como problemas do estádio, o mau estado dos balneários, sanitários, portase janelas vandalizadas, corredores e vários compartimentos sujos, mau estado da vedação ao redor, falta de dispositivos de contagem electrónica de espectadores (torniquetes) e a fraca qualidade de iluminação, pelo facto de mais demetade dos holofotes estarem fundidos (em jogos nocturnos há muitas sombras no relvado).

Ao chegar-nos esta notícia ficámos perplexos, porque o Estádio Nacional do Zimpeto é (era?) o orgulho de Moçambique, no que a infra-estruturas desportivas diz respeito. Ademais, trata-se de um estádio novo, inaugurado há apenas dez anos, depois de mandado construir para os Jogos Africanos que o país acolheu com júbilo em 2011.

Por outras palavras, a nossa estupefacção vem da velocidade com que um estádio novo, para o qual foram investidos perto de 60 milhões de dólares norte-americanos, passou de honrosa sala de visitas para compartimento vergonhoso de uma casa que se quer sempre bem reputada. Quem vai repor o bom nome de Moçambique nas lides desportivas nacionais e internacionais e a dignidade dos seus cidadãos, a começar pelos desportistas que lá fora têm a missão de nos representar?

Recordamo-nos aqui do velhinho Estádio da Machava, que antes da construção do Zimpeto era a catedral do futebol nacional. Ali muitos adversários foram vencidos e alguns passaportes para a participação da selecção e de clubes moçambicanos em competições continentais carimbados.

A Machava, um palco memorável, foi abandonada quando se ergueu o Zimpeto. A sua gestão também não foi feita sem máculas. Recordamo-nos do seu relvado natural invejável, elogiado até por adversários, mas que “do nada” alguém entendeu substituí-lo pela relva sintética. Recordamo-nos ainda dos vários alertas de degradação e das várias promessas de intervenção para preservar o seu peso na história e para ser alternativa e mesmo complemento ao Zimpeto. Escusado é dizer que nada de realce aconteceu e o país fica agora enxovalhado!

Perante factos destes, há que reflectir sobre como melhorarmos a nossa imagem e assumirmos de uma vez por todas que a gestão seja o que for deve ser criteriosa, de modo a não cairmos em anomalias do tamanho da montanha que é Moçambique não ter condições para acolher um jogo de qualificação para o “Mundial” de futebol, mesmo tendo construído um estádio moderno há relativamente pouco tempo.

A gestão do Estádio Nacional do Zimpeto, tal como a de outros recintos desportivos do país, deve ser mais pragmática. Os gestores devem perceber que, para além do garbo ostentado, têm de arregaçar as mangas e trabalharem a sério quando a meio está, principalmente, a reputação da nação. Sabemos que o estádio é propriedade do Estado e gerido pelo Fundo de Promoção Desportiva (FPD), mas os assuntos a ele relacionados não dizem respeito apenas a este. Há outros vários actores, incluindo a Federação Moçambicana de Futebol, parte interessada no Zimpeto. Que alerta fez antes das inspecções da CAF sobre o estado da infra-estrutura? Que papel desempenha para que o Zimpeto ou outros estádios moçambicanos também possam acolher jogos de gabarito de um Moçambique-Camarões, que deverá ser jogado no estrangeiro devido às nossas insuficiências?

Posto isto, é chegado o momento de o Estádio Nacional do Zimpeto ser debatido. Agora, a nossa expectativa é que a imagem do país seja lavada perante a CAF e o mundo. Depois de vir a público esta notícia, o secretário de Estado para a Juventude e Desportos, que ao lado do presidente da federação de futebol deu ontem uma conferência de imprensa, afirmou-se “não surpreendido” com o banimento. Gilberto Mendes disse que estavam programadas obras para os próximos tempos e que arrancariam neste verão.

Ora, mais do que reabilitar o estádio, o TPC, agora mais amplo, é pensar na gestão do empreendimento e evitar que vexames como este se repitam. 

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A SEMANA foi também marcada pelo lançamento dos Centros de Referência de Ensino Técnico-Profissional, que pretendem trazer uma nova abordagem ao ensino, sobretudo, para a formação de jovens em Moçambique.

Na verdade, o ensino técnico-profissional é responsável pela produção de quadros capazes de servir diversas áreas produtivas, com destaque para a indústria, agricultura ou obras públicas, três dos vários campos em que Moçambique necessita de investir para lograr os seus objectivos de desenvolvimento.

Olhamos para o ensino técnico-profissional como um trunfo em que o país pode apostar no contexto dos desafios que enfrenta para o aproveitamento das suas muitas potencialidades. Moçambique dispõe de recursos bastantes que o podem catapultar para o progresso, desde que os aplique de forma sábia e com o reconhecimento de que os recursos humanos são cada vez mais uma chave para se atingir esse objectivo.

A reforma do ensino técnico-profissional joga, por aqui, um papel importante, uma vez que passa por ela a produção da capacidade nacional para o aproveitamento das potencialidades de que falamos. Há, neste país, recursos minerais, hídricos e faunísticos, solos férteis, etc. em qualidade e quantidade para explorar. Essa capacidade, ao longo dos anos, tem estado a faltar .

A revitalização do ensino técnico-profissional lançada pelo Chefe do Estado terá como ponto de partida a transformação em centros de referência os institutos Industrial e Comercial de Nampula e Politécnico de Nacuxa(Nampula); de Geologia e Minas de Moatize (Tete); Agrário de Chimoio (Manica); de Computação Armando Emílio Guebuza e Agrário de Boane(província de Maputo).

A ideia, segundo justificado, é promover um sistema educativo de qualidade, inclusivo e eficaz, orientado para a formação de gente com bagagem técnica suficiente para trabalhar em prol, por exemplo, da industrialização do país. Aliás, está em curso uma estratégia nacional de industrialização, lançada este ano, que terá certamente alguma ligação com a questão da formação de quadros e nomeadamente no ensino técnico-profissional.

A bagagem técnica a que nos referimos inclui todas as nuances de uma formação voltada para oferecer os melhores quadros, aqueles que respondam às exigências do mercado do trabalho e, por conseguinte, do desenvolvimento sócio-económico nacional.

Hoje, ao contrário do passado, apesar de muitos jovens se terem formado até níveis consideráveis de ensino, há muito pouca capacidade para o trabalho, se falarmos dos quadros que saem do ensino geral, do próprio ensino técnico-profissional e até do superior. Tratando-se de algo anormal havia, sem dúvida, a necessidade de repensar.

No caso concreto do ensino técnico-profissional, cabe-lhe criar os melhores programas para que os técnicos metalomecânicos, agrários, de mineração e áreas afins, de construção, electricidade e outros de que o país necessita sejam os melhores, de modo a que chegados ao mercado do trabalho, estejam de facto prontos e sejam altamente produtivos.

Com alguma nostalgia, recordamo-nos de algumas escolas técnicas nacionais que chegavam a responder a necessidades nacionais de produtos agrícolas, metalomecânicos ou mesmo de obras públicas produzidos por estudantes ainda em formação. Estudantes de uma turma,de seja qual for o nível,num curso técnico,devem ainda durante a formação estar preparados para contribuir de algum modo e de acordo com os níveis de conhecimento que apresentarem para a produção prática.

Hoje é possível regressar àessa formula, obviamente que acrescentando-lhe as características que o presente exige. Os laboratórios e oficinas dos institutos devem ser devidamente apetrechados, com materiais modernos e conducentes ao garante de uma formação à altura de responder aos actuais desafios na área do saber fazer.

Esse esforço evitaria que nenhuma empresa nacional ou multinacional, que invista em Moçambique, tenha de recorrer ao estrangeiro para buscar força de trabalho para processar, no nosso país, matérias-primas moçambicanas.

Em nossa opinião, o investimento que o país está a efectuar na reforma do ensino técnico-profissional resultará num aproveitamento mais racional do enorme potencial que Moçambiquepossui, pois os desafios que o país tem pela frente demandam de  quadros competentes e produtivos.

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CONTRARIAMENTE ao que vinha acontecendo nos anos passados, a 56.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM-2021) realiza-se em Ricatla, distrito de Marracuene, num formato híbrido (presencial e virtual), na sequência da pandemia da Covid-19 que assola o país e o mundo.

Trata-se de uma nova experiência que traz importantes desafios à organização do evento e ao país, como um todo, assumindo o papel desta feira como reanimadora da actividade económica, não só através da promoção de trocas comerciais a nível interno e com o exterior, bem como pelo potencial de incentivar a diversificação da produção e a geração do emprego.

Na verdade, pelo facto de ser a primeira vez que a feira acontece nestes moldes em Moçambique, exige-se um modelo de gestão que se adequeà nova realidade impondo-se, sobretudo, o uso intensivo de meios tecnológicos digitais para facilitar a comunicação entre os diversos actoresnacionais e entre estes e estrangeiros.

É que nesta edição da FACIMparticipam cerca de 1500 expositores, entre nacionais e estrangeiros, bem como representações de 16 países, nomeadamente Portugal, Itália, Grécia, Finlândia, Espanha, França, Reino Unido, Coreia do Sul, Brasil, Japão, Índia, China, Zâmbia, Tanzânia, Botswana e Ruanda, pelo que se torna imperativo que os homens de negócios moçambicanos dominem o uso das tecnologias para que possam se comunicar e firmar parcerias,não só entre si, como também com os investidores internacionais.

Com uma previsão de ser visualizada por perto de 10 mil visitantes por dia (nos formatos presencial e virtual), a partir de Moçambique e do resto do mundo, com recurso à plataforma instalada para o efeito, torna-se, por conseguinte, igualmente imperioso que o público também se adapte ao cenário que agora prevalece. A título de exemplo, por força da necessidade do distanciamento social,os bilhetes de ingresso ao certame estão a ser vendidos virtualmente, um facto inédito no que respeita a este evento.

Também não passa despercebida a ausência dos vendedores informais, como sempre aconteceu, sobretudo das comunidades circunvizinhas,que realizavam os seus negócios nas redondezas do recinto da maior montra de negócios do país, situação que, lamentavelmente, os impede de obter os habituais rendimentos, reduzindo,deste modo, um dos efeitos multiplicadores esperados com o certame.

Todavia, acreditamos que a realização da FACIM-2021,no formato híbrido, tem o mérito de reduzir os custos para os agentes económicos interessados em participar no evento que podem, a partir de qualquer lugar do mundo, realizar negócios na feira, bastando para tal estaremconectadosà plataforma criada para o efeito. Estão assim criadas as condições para que, por exemplo, um investidor norte-americano não gaste avultadas somas para participar no evento.

Outrossim, pela via virtual, abre-se espaço para que a FACIM tenha maior audiência, podendo-se, deste modo, ampliar a sua visibilidade pelo mundo fora.

Uma inovação deste certame é a realização simultânea nas províncias, uma forma encontrada para reduzirnão sóa presença física dos expositores em Ricatla, como também os custos para os participantes, permitindo, desse modo, que mais interessados possam fazer a exposição dos seus produtos. Acreditamos ser esta também mais uma oportunidade para se operacionalizar o Programa Nacional Industrializar Moçambique (PRONAIMO), através da possibilidade doestabelecimento de cadeias de valor entre os pequenos produtores e as indústrias, incentivando-se o incremento do peso dos bens processados localmente no Produto Interno Bruto (PIB),o que contribuiria para a substituição das importações. Isto geraria mais empregos directos e aumentariaasexportações dos bens industriaisnacionais.

É nossa convicção que os desafios colocados pela realização de uma feira num modelo híbrido são enormes, tanto para a organização, como para os participantes. Todavia, tratando-se de uma experiência pioneira no nosso país, acreditamos haver espaço para que nos próximos anos as coisas melhorem.

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