RECENTEMENTE, o Presidente da República abordou este assunto com a frontalidade que lhe é característica. De facto, é preciso acelerar a efectiva Desmobilização, Desmilitarização e Reintegração (DDR) dos homens residuais da Renamo que continuam aquartelados pelo país fora, armados e sem qualquer perspectiva de um dia verem suas vidas a ganhar rumo.

Percebemos a profundidade com que o Chefe do Estado alertava para a importância de a Renamo assumir a sua responsabilidade neste processo, seleccionando entre os seus homens, para integração nas Forças de Defesa e Segurança (FDS), aqueles que efectivamente estão cobertos pelos termos de referência desta operação.

Já alertava o Presidente da República sobre o perigo de se querer transformar este processo numa espécie de “oportunidade” para resolver problemas individuais ou de pequenos grupos, abrindo sulcos na esperança daqueles que, verdadeiramente, precisam desta chance para retomarem as suas vidas.

Para os moçambicanos, está claro que não foi do nada que o Chefe do Estado suscitou esta reflexão. Ao que tudo indica, ele tinha evidências bastantes dos erros que a Renamo estava a cometer na selecção e alistamento dos seus homens para integração nas FDS, segundo o acordado no diálogo político entre o Governo e esta formação política, o mesmo que também norteou as mexidas pontuais introduzidas na Constituição da República e, posteriormente, a revisão do pacote eleitoral.

Objectivamente, a Renamo estava a caminhar na contramão deste acordo político, ao incluir nas listas que entregava ao Executivo indivíduos já desmobilizados ou na reserva, alguns dos quais com salários fixados e pagos regularmente; gente estabelecida nos centros urbanos e com as vidas devidamente reencaminhadas. Quer dizer, ao contrário do que seria de prever, a Renamo estava a dar segundas, terceiras ou enésimas oportunidades para recomeçar a vida às mesmas pessoas que tiveram essa chance no passado, em prejuízo daquelas que continuam a aguardar pelo seu futuro nas matas deste país.

Portanto, era previsível que um dia o copo transbordasse e os problemas viessem à superfície, tal como aconteceu na quarta-feira, quando um grupo de militares da Renamo veio a terreiro manifestar uma oposição aberta à liderança do seu partido.

Para nós, o surgimento deste grupo de descontentes, que ameaça “boicotar” Ossufo Momade, é a “prova dos nove” que faltava não só para confirmar aquilo a que o Presidente da República se vinha referindo nos últimos tempos, mas também para demonstrar a desorientação política que parece estar a orientar a Renamo por estes dias.

O que esperamos é que a Renamo entenda a manifestação do pequeno grupo de homens seus baseados na Gorongosa apenas como um sinal dos problemas que ela tem por resolver, o que até devia estar a acontecer aproveitando-se a abertura e disponibilidade que vêm sendo manifestadas pelo Governo e, particularmente, pelo Presidente da República.

Pois, é uma das evidências da urgência que há em se avançar com o DDR, até mesmo para se garantir que, no curto e médio prazo, estes homens, hoje armados e sem perspectiva para o futuro, possam usar a sua força e inteligência em prol do desenvolvimento deste país.

Nesta altura não importa o rótulo que a liderança da Renamo possa dar a estes homens, pois o que salta à vista é a exigência de correcção na gestão do processo por parte desta formação política.

O nosso apelo é que haja bom senso por parte da liderança da Renamo que, entendemos, deve aproveitar esta oportunidade que o diálogo criou para resolver problema tão antigo, quanto bicudo. Na verdade, este assunto afecta não só os homens que este partido mantém aquartelados nas matas, como também a todos moçambicanos que, diariamente, esperam ouvir novidades que alimentem o sonho de uma paz efectiva e definitiva.

Por tudo quanto nos tem sido dado a testemunhar, o mais sensato é recomendar que a Renamo se esforce por alcançar a razoabilidade nos seus actos, que evite transformar-se num problema e, sobretudo, assuma o seu papel como parte da solução que todos os moçambicanos almejam.

É obrigação da Renamo assumir a sua responsabilidade na gestão deste processo, para evitar que os problemas internos deste partido se transformem em focos de conflitos capazes de pôr em causa um sonho legítimo dos moçambicanos.

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