A VIOLÊNCIA xenófoba que abala, uma vez mais, a vizinha República da África do Sul atingiu, esta semana, proporções alarmantes, pondo em causa a segurança dos estrangeirose seus bens, sobretudo africanos.

Nesta crescente onda de ódio e aparente vingança contra imigrantes e refugiados,hápelo menos 550 compatriotas nossos que perderam todos os seus haveres, adquiridos ao longo de anos de sacrifício, conforme números avançados pelo Governo moçambicano.

As implicações económicas para a região austral de África são a outra face do problema. E, no caso de Moçambique, particularmente, a Confederação das Associações Económicas (CTA) fala em prejuízos diários que se situam acima de um milhão de dólares, em virtude de estar impedida de efectuar transacções com o mercado sul-africano, num cenário em que o contrário não se verifica.

As reacções dos líderes africanos, motivadas pela deterioração da situação, geram,entretanto, a percepção de que as autoridades sul-africanas não estão a fazer o suficiente para acabar em definitivo com este fenómeno que, de tempos em tempos, assola o país vizinho, cujos protagonistas ignoram por completo as regras elementares de convivência humana. Os mesmos actos se tornam incompreensíveis ainda por desprezarem, na plenitude, os laços históricos de amizade e solidariedade entre Moçambique e a República da África do Sul, forjados ao longo da dura luta contra o “apartheid”e pela liberdade do povo sul-africano, que custou vidas e sonhos a muitos compatriotas nossos e de outros Estados da região.

Mais ainda,as mortes, humilhações de cidadãos da região e pilhagens às suas propriedades contrariamos objectivos de edificação da verdadeira Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), cujo preceito basilar é a liberdade de circulação de pessoas e bens e de um destino comum. Põemainda em causa os ideais dos grandes líderes, aqueles cujos nomes a história registou e permanecem indeléveis na memória colectiva dos povos, de construção de uma África Austral  livre, unida e solidária.

Até porque é difícil compreender como é que os nossos irmãos sul-africanos, cuja liberdade de que desfrutam hojesedeveu em grande medida aos sacrifícios consentidos por cidadãos dos países da região, podem chegar ao extremo de optar pela violência como forma de fazer valer a sua voz.

Se estas matanças e pilhagens são justificadas para reivindicar pretensas desigualdades sociais e económicas, na recorrente retórica e acusação de que empregos têm sido açambarcados por estrangeiros, não nos parece esta a fórmula razoável para encontrar a solução dos seus problemas.

Reforçamos, aqui e agora, os apelos feitos pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, de que os moçambicanos residentes ou de passagem pela vizinha República da África do Sul se abstenham de quaisquer actos de violência, evitando permanecer emzonas de risco, ao mesmo tempo que procurem auxílio,sempre que se mostrar necessário, junto do Alto Comissariado de Moçambique e na rede de missões diplomáticas e consulares naquele país.

Estamos cientes de que a violência não é característica de todo o povo sul-africano, mas entendemos que os envolvidos nestes ataques, incluindo aqueles que incitam ao ódio e à violência, devem ser identificados e exemplarmente responsabilizados, como forma de desencorajar fenómenos desta natureza, que têm sido, nos últimos anos, cada vez mais recorrentes no país vizinho.

Seria igualmente de desejar que o Executivo sul-africano apresentasse um conjunto de medidas concretas com vista a ressarcir todos aqueles que perderam os seus haveres, incluindo acções a desencadear em prol das famílias das vítimas.

Ao agir nesta perspectiva, o Governo da África do Sul estaria a dar mostras de distanciamento deassassinatos e saque de bens de cidadãos, sobretudo dos países vizinhos residentes neste país.

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