Director: Lazaro Manhiça

VIGORA, desde a passada terça-feira, em todo o território nacional, a terceira fase do estado de emergência, decretado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em resposta à pandemia da Covid-19, que já infectou perto de mil pessoas, com seis vítimas mortais.

O prolongamento do estado de emergência, pela terceira vez consecutiva e última, constitucionalmente, decorre em consideração ao actual contexto da pandemia e das suas implicações sócio-económicas e também na sequência das recomendações da Comissão Técnico-Científica para a prevenção e resposta à Covid-19, depois de ouvidos o Conselho de Estado e o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, enquanto órgãos de consulta do Presidente da República.

Entendemos, nós, tratar-se de um prolongamento adequado, pois, vem acompanhado do relaxamento de algumas medidas, entre as quais a retoma faseada das aulas presenciais no Ensino Primário, Secundário e Superior, a prática de actividades físicas ao ar livre, de forma individual, desde que se cumpra o distanciamento físico, a permissão de treino das selecções nacionais de alto rendimento com compromissos internacionais, a reabertura de restaurantes, porém, com a componente de bar encerrada, entre outras.

Apesar do relaxamento de certas medidas como as que aqui enumeramos, consideramos oportuno alertar que o quadro epidemiológico decorrente da Covid-19 continua muito preocupante no país. Tal facto se torna particularmente alarmante ao notarmos que há, entre os moçambicanos, uma tendência crescente de desleixo e até mesmo de desrespeito às medidas adoptadas para a prevenção da doença. Cidadãos há que persistem em se fazer à rua, em particular as crianças, sem motivo justificável e a contenção da mobilidade continua essencial para vencer a doença, o que, infelizmente, permanece longe de ser cumprido, mesmo com os apelos reiterados das autoridades sanitárias. Continua a haver pessoas a realizar festas e outros convívios com número elevado de participantes, outras ainda que desinformam e deturpam a informação, dando conta de que a Covid-19 é um fenómeno urbano, o que é condenável a todos os títulos pois, esta doença não elege nenhuma classe social.

Elogiamos e incentivamos o uso de máscaras e viseiras de forma generalizada, não obstante feito, nalgumas ocasiões, de forma inadequada. São acções que quando bem consolidadas e conjugadas com outras medidas poderão contribuir para retardar a propagação da doença. E Moçambique deve orgulhar-se por ser um país cuja propagação da Covid-19 acontece com uma gravidade considerada menor em relação a outras regiões do mundo e tem sabido tomar medidas certas em tempo certo, poupando vidas.

Aliás, o Presidente da República tem vindo a multiplicar-se em encontros com vários extractos da sociedade, de entre políticos e religiosos, com os quais partilha responsabilidades no que tange à tomada de medidas para a prevenção do novo coronavírus. As igrejas, de modo particular, por serem instituições que arrastam multidões, jogam papel preponderante neste aspecto, devendo, por isso, mobilizar os fiéis para que estes locais não se tornem centros de propagação da doença.

A par de tudo isto, chamamos atenção às autoridades sanitárias para que intensifiquem a vigilância epidemiológica, visando a identificação precoce e consequente mapeamento de novos locais propensos à contaminação, esforço este que tenha como finalidade atrasar o pico da pandemia, reduzir a pressão sobre os serviços hospitalares e permitir que se avance na descoberta de vacinas e medicamentos.

Por outro lado, estejamos sempre preparados para responder a um eventual agravamento da pandemia, mesmo tendo presente que na província de Cabo Delgado, mais concretamente a cidade de Pemba, por exemplo, já se regista a transmissão comunitária da doença.Sejamos, também, cada um fiscal do outro, no cumprimento de todas as medidas que visam conter a propagação massiva da Covid-19, contribuindo assim para evitar a transmissão comunitária generalizada da pandemia a nível nacional.

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