Director: Lázaro Manhiça

Vemo-nos forçados a voltar a abordar o assunto do terrorismo em Cabo Delgado. O caso não é para menos. É que os ataques movidos pelos insurgentes e o drama humanitário atingiram uma dimensão que não deixam ninguém indiferente.

Depois de alguns anos de aparente mutismo da comunidade internacional, surgem sinais de manifestação de interesse em contribuir para um combate cerrado a este fenómeno global de que Moçambique está a ser vítima desde 2017.

Primeiro, foram eurodeputados portugueses, que, do pódio do Parlamento Europeu, chamaram a atenção ao mundo sobre o que estava e continua a acontecer em Cabo Delgado. Agora foi o seu Primeiro-ministro, António Costa, a discutir esta semana o assunto telefonicamente com o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi.

Nesta conversa, António Costa colocou o seu país à disposição para apoiar na luta contra as acções terroristas, quer no âmbito da União Europeia, quer no da cooperação bilateral.

O tipo de apoio a prestar será discutido através de canais próprios, não se sabendo se será em logística -equipamento militar -ou envolvimento em homens ou ainda em formação.

A disponibilidade de Portugal segue-se à manifestada pelo Presidente do vizinho Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, que chegou até a recordar aos outros países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que Moçambique precisa de uma ajuda urgente para fazer face às acções terroristas.

Um outro pronunciamento não menos importante foi do representante das Nações Unidas em Moçambique, Mikro Manzoni, para quem o mundo tem de deixar de ser hipócrita para com Moçambique. O diplomata sueco não foi explícito nesta sua colocação, mas é de supor que ele sabe muito bem o que está a dizer.

São declarações que, quanto a nós, têm a sua razão de ser, porque está provado que nenhum país, isoladamente, por mais forte que seja, pode vencer o terrorismo, quando este bate à porta.

Em África, o exemplo mais referenciado é o da Nigéria que, apesar da sua capacidade militar e financeira, não tem conseguido eliminar, passam muitos anos, os grupos terroristas que se inspiram noutros mundialmente conhecidos. 

Tal como na Nigéria ou outros países, os terroristas de Cabo Delgado semeiam morte e destruição, escudando-se em razões infundadas, gerando um drama humanitário sem precedentes, nomeadamente uma população de deslocados que se espalha por quase todas as províncias do país.

As estatísticas indicam que a violência terrorista já fez 500 mil deslocados. Destes, pouco mais de 74 mil são alunos e 1125 professores, para além da destruição de infra-estruturas públicas e privadas e comprometimento de investimentos.

É por tudo aquilo que a população de Cabo Delgado, e não só, passa que achamos que o mundo, sobretudo aqueles que se consideram amigos de Moçambique, tem a obrigação moral de prestar a sua solidariedade e passar do campo das promessas para acções concretas. Na verdade, o mundo precisa de ouvir o apelo de Moçambique e a ajuda militar deve ser prestada.

Esperamos que os sinais dados publicamente por Lisboa e Harare espevitem outros governos e entidades internacionais a se pronunciarem, saindo do verbo à acção, pois não nos parece razoável que a comunidade internacional olhe para o país apenas do ponto de vista de cooperação focada, principalmente, na exploração das suas potencialidades.

O gás de Cabo Delgado é, precisamente, a prova desta nossa tese. Quantos países, a começar pelas principais potências militares do mundo, estão ou estarão na exploração das enormes quantidades de recursos existentes nesta província? Destes, exceptuando um e outro, quantos deram sinal concreto de que querem apoiar Moçambique a acabar com o terrorismo que grassa a província em que estão para explorar o gás?

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O PAÍS recebeu esta semana uma boa notícia de que a situação da Covid-19 no país tende a estabilizar-se e que neste momento podemos estar na curva descendente da pandemia, depois do pico registado em Setembro e Outubro.

Esta “boa nova”, partilhada pelo ministro Armindo Tiago, faz renascer as esperanças em todos nós. Porém, consideramos que isso não deve constituir motivo de euforia e de festejo, pois um relaxamento de cada um de nós e das instituições, tanto sociais como formais, pode reverter o cenário.

Achamos que a mensagem do titular do pelouro tem de ser entendida no sentido de que o esforço individual e colectivo feito desde a eclosão da doença no país, em Março último, valeu a pena e temos é que manter o ritmo e sermos mais rigorosos ainda no cumprimento das medidas de prevenção, para evitar cenários difíceis de controlar.

Caso nos deixarmos levar pelas emoções, pensando que o novo coronavírus está a ficar praticamente vencido, corremos o risco de passar por experiências vividas por vários países, incluindo europeus, como Portugal, Itália, França e Espanha. Estas nações do chamado “velho continente”, até com capacidade de dar resposta a este mal (pois possuem meios), estão a conhecer novas vagas de contaminação, após uma reabertura quase que total de actividades em várias esferas da vida, acompanhada por um relaxamento por parte dos cidadãos. Esta situação obrigou a alguns destes Estados a decretar “lock down” parciais ou totais, com todas as consequências que daí advêm.

Nós temos que continuar a tudo fazer para não passarmos por este quadro e a única forma de evitar isso é continuar a comportar-nos bem, em termos gerais, como vimos fazendo e multiplicarmos as campanhas de sensibilização àqueles nossos compatriotas que parecem não acreditar ainda na existência deste mal e no que pode provocar nas famílias e na sociedade, em geral.

Aliás, nessa sua comunicação, feita a partir da Casa do Povo - a partir da província de Nampula - , o ministro Armindo Tiago mostrou-se preocupado com a tendência crescente de relaxamento generalizado no cumprimento das principais medidas de prevenção, como o uso obrigatório de máscara, a lavagem das mãos, o isolamento físico e social, chamando atenção para que não sejam ignoradas as orientações emanadas pelas autoridades da saúde.

Queremos recordar que as primeiras medidas tomadas na altura, com a imposição do Estado de emergência, prevendo o encerramento de escolas, restrições em actividades como comércio, incluindo o banimento de venda de bebidas alcoólicas, nas barracas, entre outros, não colheram consenso no seio da sociedade, mas acreditamos, nós, serem estas acções que evitaram cenários vividos pelo mundo fora. Até pelos nossos vizinhos. 

A nível da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), por exemplo, Moçambique é um dos que apresenta menores índices de infecção, ocupando o terceiro lugar entre os países com poucos casos, que são cerca de 573 episódios por 100 mil habitantes e o primeiro entre os que registam menos mortes devido à doença, com cerca de quatro óbitos por 100 mil habitantes.

Aliás, a Organização Mundial da Saúde (OMS) veio a terreiro também esta semana elogiar as medidas tomadas de forma antecipada pelo Governo que, no seu entender, estiveram por detrás destes índices baixos que o país apresenta.

Porém, como dizia um dia o mais alto magistrado da nação, é bom que o quadro seja este de relativamente poucos pacientes e mortos, em comparação com outras realidades, mas a meta de todos os moçambicanos não deve ser outra senão reduzir ainda mais estes mesmos números e, se possível, alcançarmos zero óbitos por Covid-19.

Reiteramos, por isso, o apelo de que todos nos devemos concentrar continuamente na luta para o controlo da pandemia. Se não agirmos nesse sentido, corremos o risco de retardar a abertura, em pleno, de todas as actividades económicas e sociais.

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