Director: Lázaro Manhiça

Editorial

A EVOLUÇÃO dos números da Covid-19 no país tem levado as autoridades a definirem e implementarem medidas de controlo que vêm influenciando de diversas formas o funcionamento da sociedade. Trata-se, na verdade, de condicionalismos que duram há quase um ano, variando conforme a evolução das estatísticas da pandemia.

As primeiras semanas do ano coincidiram com o início de uma segunda vaga de contaminações, internamentos e mortes em números que diária ou semanalmente batiam recordes, pressionando o sistemanacionalde saúde, que ficou à beira do colapso no sector público e esgotou a capacidade de internamento no privado. O Governo foi obrigado a adoptar várias medidas para mitigar o mal, que incluíram restrições mais severas no movimento dos cidadãos, nomeadamente a implementação do recolher obrigatório entre as 21.00 e as 4.00 horas no epicentro da epidemia, a região do Grande Maputo.

Ora, entre os transtornos à vida das pessoas, que incluíram, para além das limitações na circulação, condicionalismos em sectores como o comércio, educação, desporto, entre outros, a sociedade testemunhou um pânico que fazia temer efeitos como os que muitos países experimentaram ou ainda enfrentam por causa desta pandemia, caracterizado por várias infecções, hospitalizações e mortes.

Moçambique ainda está sob o espectro da incerteza, na medida em que, apesar das medidas que vêm sendo tomadas, se está longe de considerar o novo coronavíruscomo algocontrolado. É que, apesar de nas últimas semanas os números altos de contaminação e mortestenderem a baixar, Moçambiqueainda não está em condições de aliviar de forma substancial as medidas preventivas, conforme ficou evidente ontem em Maputo, no pronunciamento à nação do Presidente da República, Filipe Nyusi, que manteve, na prática, as medidas anunciadas a 4 de Fevereiro, sendo a única grande novidade a retoma das aulas presenciais em todos os níveis de ensino.

Esta evidência vem, principalmente, do facto de a relativa baixa nos números da pandemia não significar, necessariamente, um controlo total, pelo que as medidas de mitigação que vêm sendo implementadas e mensalmente revistas ainda são absolutamente necessárias, conforme vêm advertindo os especialistas.

Entretanto, mais do que as premissas de controlo emanadas pelas autoridades, é necessário que os demais sectores da sociedade não relaxem. Há que imprimir ainda mais seriedade no cumprimento das medidas de combate à pandemia, já que, vezes sem conta, temos testemunhado comportamentos desviantes que se traduzem na manutenção do perigo.

O esforço na prevenção não pode ser posto em causa, nem por incúria e muito menos por excesso de confiança por parte de sectores que se iludem pela relativa queda dos números da Covid-19 ou pelo advento de vacinas, como a que Moçambique acaba de receber da China e as que ainda vão chegar, através de outros mecanismos de aquisição.

Gostaríamos de alertar que as vacinas não são e dificilmente virão a ser, em países como este, o garante de um controlo pretendido para a pandemia, na medida em que, pelos dados de hoje, a corrida a elas se reveste de sinuosidades que vão desde a limitação de recursos financeiros para adquiri-las à incógnita da sua eficácia, pois o novo coronavírus vai apresentando estirpes que questionam a sua efectividade como meio de combate à pandemia.

Perante esta premissa, Moçambique deve apostar, mais do que na vacina dos laboratórios, como deixou claro o mais alto magistrado da nação, nas medidas de prevenção desde a primeira hora avançadas como meios de combate ao novo coronavírus. Evitar aglomerados, adoptar medidas de higiene previstas e uso de máscaras devem continuar a ser as formas privilegiadas de combate à pandemia no país. Mais do que isso, tem de haver um respeito escrupuloso das medidas anunciadas pelas autoridades, que devem ser mais rigorosamente controladas. Por falar em autoridades, a Polícia é chamada a ser implacável para com os prevaricadores, que, amiúde, desafiam a tudo e todos e se aglomeram em locais públicos ou escondidos em um domicílio qualquer a consumir álcool e a criar condições para a propagação do vírus. Ou ignoram o recolher obrigatório e fazem-se à estrada em horas em que deviam estar em casa, às vezes para voltas fúteis e perturbadoras do propósito de combate à Covid-19.

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MOÇAMBIQUE recebeu esta semana a primeira remessa da vacina contra o novo coronavírus, proveniente da farmacêutica chinesa Sinopharm, enquanto aguarda pelos 2.4 milhões de doses a serem disponibilizados, em Maio, através do mecanismo Covax.

Boa notícia para os moçambicanos, sobretudo para os profissionais de saúde, os primeiros a beneficiar do imunizante, por estarem na linha dianteira da luta contra a Covid-19.

A chegada da vacina ao país assinala, quanto a nós, a vitória da diplomacia silenciosa de Moçambique, que tem permitido o reforço de parcerias, bem como a conquista de amigos para ocasiões similares. Não é por acaso que, para além da China, a Índia, Alemanha, França, entre outros países, colocam Moçambique na lista das suas prioridades no fornecimento da vacina contra a pandemia da Covid-19.

Entendemos nós que a recepção das vacinas deve ser vista como prioridade nacional para aliviar o impacto sanitário e sócio-económico do país. Porém, chamamos atenção para que a luz que se abre nesse sentido não seja vista como da marcha final para a erradicação da doença. Até porque, para estaprimeira fase, as doses da vacina não chegam para todos. Elas destinam-se, em primeiro lugar, aos directamente expostos ao risco de contaminação, nomeadamente osprofissionais de saúde. Aliás, paraestes vai a nossa justa e merecida homenagem pelo facto de, ao longo de quase um ano desde que eclodiu a pandemia no nosso país, se destacarem, através do seu sacrifício, dedicação e conhecimento no combate à doença, assegurando a contínua oferta de cuidados de saúde à população.

Ora, não discutimos que a vacina seja útil e necessária para frear os níveis de contaminação pelo novo coronavírus. Discutimos, isso sim, que a vacinação deva ser acompanhada de medidas acessórias que nos conduzam ao alcance de um grau significativo de normalidade, nomeadamente a lavagem frequente das mãos, com sabão e/ou cinza, a observância do distanciamento físico e o uso da máscara facial, sobretudo em lugares públicos.

Moçambique tem a agradecer os países que se prontificam a fornecer a vacina para travar a propagação da SARS-Cov2 - o vírus que causa a Covid-19. São países que compreendem a necessidade de dar resposta global para uma pandemia igualmente global. Isto quer dizer que a vacina só pode atingir o objectivo pretendido se ela for disponibilizada a todo mundo e também se for adoptada uma abordagem coordenada da sua administração, com base em factores de risco. Aproveitamos, por isso, reiterar o apelo às Nações Unidas para que façam o uso do seu mandato e das suas instituições,  desenvolvendo mecanismos que garantam o acesso equitativo do imunizante. Este apelo fortifica a nossa convicção de que a interdependência nos mostra que, na ausência de uma cooperação internacional mais solidária, será praticamente impossível mitigar os efeitos da pandemia da Covid-19 e até prevenir, futuramente, outras pandemias.

Somos acérrimos defensores de que no contexto da pandemia da Covid-19 se conduza a tal cooperação, visando assegurar a oferta de suprimentos essenciais de saúde, como meios de diagnóstico, medicamentos e assegurar também que os avanços até agora alcançados na descoberta da vacina não sejam outro factor de exclusão ou de discriminação entre países detentores de recursos e outros com menos recursos. Queremos encorajar o Governo a assumir o compromisso de continuar a promover esforços para assegurar que o país disponha de mais vacinas contra a Covid-19, com vista a abranger o maior número de pessoas possível.

Paralelamente a isso, exortamos os moçambicanos para continuarem a observar estritamente as medidas básicas de prevenção, como forma de evitar a propagação da pandemia global que se chama Covid-19.

Bem-haja, Governo moçambicano.

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Editorial

A PRESENTE época chuvosa será de má memória para os cidadãos de muitos cantosdo país, principalmente do sul e centro, onde as principais cidades, como Maputo, Matola, Beira e Dondo, e as vilas de Boane e Marracuene voltam a viver o drama das inundações, desalojamento de famílias e destruição de infra-estruturas económicas e sociais.

Trata-se de situações recorrentes, num país ciclicamente fustigado por calamidades naturais cada vez mais destruidoras, o que é explicado pelas mudanças climáticas que colocam Moçambique como um dos países mais vulneráveis a eventos extremos no mundo. Ou seja, sempre que se aproxima a época chuvosa e ciclónica, adivinha-se o sofrimento como o que vivem, por exemplo, estas cidades e vilas. Mais uma vez, Beira, Maputo e Matola, sobretudo, debatem-se com este cenário, levantando velhas questões e lembrando soluções pensadas mas nunca executadas, ou simplesmente abandonadas.

Especificamente, os gestores são chamados a acelerar a busca de soluções, numa altura em que o clamor dos cidadãos se ouve mais alto, precisamente por causa do agravamento, ano após ano, das suas condições de vida devido aos efeitos das inundações urbanas.

Urge corrigir os erros do passado que estarão a concorrer para o agravamento do impacto das inundações urbanas. Referimo-nos às falhas que foram sendo cometidas até pelos gestores de espaços urbanos, que permitiram que alguns citadinos construíssem as suas residências ou edifícios para actividades económicas em lugares por onde as águas pluviais deveriam escorrer até desaguar no mar.

Entretanto, mais do que a destruição de casas e de outras infra-estruturas sociais e económicas, o desalojamento de pessoas que sazonalmente são forçadas a abrigar-se em centros de acomodação, as chuvas abundantes levantam outras questões sobre a gestão dos recursos hídricos, que ainda constitui uma grande fragilidade em Moçambique.

As comunidades debatem-se com a abundância de precipitação na época chuvosa, mas na estação seca há falta desta mesma água, tanto para o abastecimento às cidades como para a irrigação dos campos para a produção de comida. O país tem, por causa disso, urgência de arrojar-se para revolucionar a gestão dos recursos hídricos, contemplando o aproveitamento ao máximo possível da água das chuvas.

Sabendo-se que os ciclos de seca têm sido por vezes longos e os de abundância de chuva exagerados, como está a acontecer agora, é necessário haver programas mais ousados de aproveitamento desta água que se perde. Para além da construção de grandes infra-estruturas de retenção, como barragens, que serviriam para o abastecimento dascidades ou para a irrigação doscampos de produção em grande e média escala, bem como para salvar os assentamentos das comunidades de inundações, há também que revolucionar o aproveitamento do recurso junto de famílias rurais.

É recorrente acompanharmos que várias comunidades fora dos centros urbanos sofrem da falta de água em momentos de seca prolongada,mas quando há precipitação esta mesma água se perde por falta de meios de retenção. É necessário que as comunidades sejam incentivadas e apoiadas a ter, por exemplo, caleiras e tanques-cisterna para o aproveitamento da água da chuva, o que pode complementar os investimentos do Governo em sistemas de abastecimento ou de retenção por tempo razoável. Por outro lado, há também a necessidade de investimento em infra-estruturas maiores de aproveitamento para outras necessidades nessas áreas rurais, como a irrigação.

Moçambique deve pensar em revolucionar o aproveitamento da água, sim, porque já sabe que, dada a sua localização geográfica e a disposição da sua população, enfrentará ciclicamente períodos de superabundância do recurso,mas sempre com o espectro de na época seguinte essa água faltar, com todas as consequências daí decorrentes.

Nesta ordem de ideias, achamos imperiosaa optimização da gestão da água das chuvas como um potencial económico, pois há condições para a sustentabilidade de empreendimentos hídricos neste país que não está a aproveitar a dádiva que tem. Pelo contrário, contempla-a até que vire pesadelo.

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MÉDICOS afectos a diferentes áreas administrativas do Ministério da Saúde são chamados para a linha da frente do combate à Covid-19, na região metropolitana de Maputo, por sinal a que regista mais casos positivos da doença, hospitalizações e óbitos, à escala de todo o país.

Isto significa que a partir de hoje os convocados vão trabalhar nas diferentes unidades sanitárias da capital, começando pelo próprio Ministro da Saúde, Armindo Tiago, que vai exercer a actividade, todas as sextas-feiras, na enfermaria do Hospital Central de Maputo e, aos sábados, nos Serviços de Urgência e Reanimação. Exemplo a seguir, quanto a nós.

No conjunto, são cerca de 100 médicos que vão actuar nas áreas de prevenção, diagnóstico e assistência médica nas diferentes unidades sanitárias desta região, severamente infernizada pelo novo coronavírus.

Ao apoiarmos, sem quaisquer reservas esta iniciativa médica, fazemo-lo cientes de que a mesma visa, fundamentalmente, inverter de forma radical a tendência cada vez mais crescente de casos de contágio, hospitalizações e óbitos devido à Covid nas cidades de Maputo e Matola e distritos de Boane e Marracuane, que constituem a zona metropolitana de Maputo.

Entendemos nós que ao “fecharem” os gabinetes administrativos para envergarem o macacão, com o oxímetro na mão, os médicos, verdadeiros heróis nesta luta, fazem-no com a preocupação de salvar vidas, afinal, tal é o seu maior compromisso, entanto que profissionais da área. A iniciativa responde em grande medida àquilo que são as reais preocupações do sector da Saúde, desde as condições de internamento, passando pelos testes até mesmo à administração dos fármacos para os doentes, num sistema que se mostra já saturado, podendo a qualquer altura rebentar pelas costuras para a desgraça dos moçambicanos.

A todos nós preocupa a propagação da doença e acreditamos que o envolvimento directo destes médicos nas diferentes unidades sanitárias do Grande Maputo vai reduzir em grande medida a pressão no Serviço Nacional de Saúde, diga-se, à beira do colapso, o que a acontecer seria uma verdadeira hecatombe.

O país contabilizava até ontem um acumulado depouco mais de 480 mortes e 46 mil casos de infecção pelo novo coronavírus, dos quais 60por cento considerados recuperados e outros 312 internados, 81por cento dos quais só na cidade de Maputo.São números assustadores e que nos remetem a uma reflexão sobre que medidas devem ser tomadas de imediato para uma rápida inversão do gráfico, sob risco de chegarmos a tal “medicina da catástrofe”, em que tem de se escolher nos hospitais quem têm acesso aos cuidados intensivos e que não têm. Os médicos, na generalidade, e os afectos aos sectores administrativos, em particular, já estão a fazer a sua parte, a qual deve ser complementada por cada um de nós, sobretudo residentes do Grande Maputo, região que observa desde a sexta-feira da semana passada um recolher obrigatório nocturno, das 21 às 4 horas. Dissemos na ocasião e reiteramos hoje que a medida decretada pelo Conselho de Ministros se torna oportuna, sobretudo quando olhamos para o crescimento galopante do número de óbitos, internamentos e casos da Covid-19, que somente em Janeiro passado superaram de todo o ano de 2020, concentrando-se na zona metropolitana de Maputo. Isto equivale dizer que a iniciativa dos médicos só pode surtir os efeitos desejados se, na verdade, cada um de nós cumprir as medidas recomendadas para conter a pandemia do novo coronavírus e, no caso, a observância do recolher obrigatório.

Temos que falar em abono da verdade: a ninguém alegra o ritmo de infecções pela Covid-19 que predomina na região do Grande Maputo. Cada um de nós deve fazer a sua parte para travar a propagação da doença, cujo impacto recai directamente sobre o tecido social do país. Os médicos já estão a dar o exemplo, fazendo o que está ao seu alcance para salvar vidas. Oxalá cada um de nós assuma as suas responsabilidades, fazendo algo para salvar a sua vida em primeiro lugar e a vida dos outros.

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