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Categoria: Editorial
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MÉDICOS afectos a diferentes áreas administrativas do Ministério da Saúde são chamados para a linha da frente do combate à Covid-19, na região metropolitana de Maputo, por sinal a que regista mais casos positivos da doença, hospitalizações e óbitos, à escala de todo o país.

Isto significa que a partir de hoje os convocados vão trabalhar nas diferentes unidades sanitárias da capital, começando pelo próprio Ministro da Saúde, Armindo Tiago, que vai exercer a actividade, todas as sextas-feiras, na enfermaria do Hospital Central de Maputo e, aos sábados, nos Serviços de Urgência e Reanimação. Exemplo a seguir, quanto a nós.

No conjunto, são cerca de 100 médicos que vão actuar nas áreas de prevenção, diagnóstico e assistência médica nas diferentes unidades sanitárias desta região, severamente infernizada pelo novo coronavírus.

Ao apoiarmos, sem quaisquer reservas esta iniciativa médica, fazemo-lo cientes de que a mesma visa, fundamentalmente, inverter de forma radical a tendência cada vez mais crescente de casos de contágio, hospitalizações e óbitos devido à Covid nas cidades de Maputo e Matola e distritos de Boane e Marracuane, que constituem a zona metropolitana de Maputo.

Entendemos nós que ao “fecharem” os gabinetes administrativos para envergarem o macacão, com o oxímetro na mão, os médicos, verdadeiros heróis nesta luta, fazem-no com a preocupação de salvar vidas, afinal, tal é o seu maior compromisso, entanto que profissionais da área. A iniciativa responde em grande medida àquilo que são as reais preocupações do sector da Saúde, desde as condições de internamento, passando pelos testes até mesmo à administração dos fármacos para os doentes, num sistema que se mostra já saturado, podendo a qualquer altura rebentar pelas costuras para a desgraça dos moçambicanos.

A todos nós preocupa a propagação da doença e acreditamos que o envolvimento directo destes médicos nas diferentes unidades sanitárias do Grande Maputo vai reduzir em grande medida a pressão no Serviço Nacional de Saúde, diga-se, à beira do colapso, o que a acontecer seria uma verdadeira hecatombe.

O país contabilizava até ontem um acumulado depouco mais de 480 mortes e 46 mil casos de infecção pelo novo coronavírus, dos quais 60por cento considerados recuperados e outros 312 internados, 81por cento dos quais só na cidade de Maputo.São números assustadores e que nos remetem a uma reflexão sobre que medidas devem ser tomadas de imediato para uma rápida inversão do gráfico, sob risco de chegarmos a tal “medicina da catástrofe”, em que tem de se escolher nos hospitais quem têm acesso aos cuidados intensivos e que não têm. Os médicos, na generalidade, e os afectos aos sectores administrativos, em particular, já estão a fazer a sua parte, a qual deve ser complementada por cada um de nós, sobretudo residentes do Grande Maputo, região que observa desde a sexta-feira da semana passada um recolher obrigatório nocturno, das 21 às 4 horas. Dissemos na ocasião e reiteramos hoje que a medida decretada pelo Conselho de Ministros se torna oportuna, sobretudo quando olhamos para o crescimento galopante do número de óbitos, internamentos e casos da Covid-19, que somente em Janeiro passado superaram de todo o ano de 2020, concentrando-se na zona metropolitana de Maputo. Isto equivale dizer que a iniciativa dos médicos só pode surtir os efeitos desejados se, na verdade, cada um de nós cumprir as medidas recomendadas para conter a pandemia do novo coronavírus e, no caso, a observância do recolher obrigatório.

Temos que falar em abono da verdade: a ninguém alegra o ritmo de infecções pela Covid-19 que predomina na região do Grande Maputo. Cada um de nós deve fazer a sua parte para travar a propagação da doença, cujo impacto recai directamente sobre o tecido social do país. Os médicos já estão a dar o exemplo, fazendo o que está ao seu alcance para salvar vidas. Oxalá cada um de nós assuma as suas responsabilidades, fazendo algo para salvar a sua vida em primeiro lugar e a vida dos outros.