Director: Júlio Manjate

Maputo completa, domingo, 132 anos de elevação à categoria de cidade. Apesar das boas perspectivas que Maputo alimenta, a efeméride assinala-se num contexto de desafios, alguns dos quais tão antigos quanto a própria “cidade das acácias”.

A posição central que Maputo ocupa no país, por ser a capital, coloca à cidade o desafio de dispor de infra-estruturas de toda a natureza, sociais e económicas; políticas, culturais e de educação, sejam elas públicas ou privadas, elementos que, no fim do dia, fundamentam a sua condição de pólo estratégico que impulsiona o desenvolvimento nacional, funcionando como modelo de convivência de iniciativas.

Ora, fazer gestão de uma autarquia habitada por mais de um milhão de pessoas, na qual convergem, diariamente, outras centenas de milhar em busca de sobrevivência, exige mais do que instrumentos selados pelo foro administrativo.

A complexidade do ambiente urbano de Maputo convida a uma frieza na reflexão sobre os fenómenos que afectam a cidade e a uma profundidade na busca de soluções para os seus problemas.

Com efeito, a morfologia da urbe é dominada pelo desregrado comércio informal. Na sequência, o transporte semi-colectivo de passageiros, com os “chapas” e vulgo “my love”, continua a ser preocupação de maior, pois é preciso reconhecer que os cidadãos continuam a ser transportadas como se de mercadoria se tratasse.

Apreciamos, contudo, os esforços do Governo que procura prover mais e melhores meios com o objectivo de “humanizar” este serviço. Aqui, fazemos referência aos autocarros que continuam a chegar a este e outros municípios do país.

O próprio crescimento urbano, pressionado pela explosão demográfica que obrigou à criação de novas áreas habitacionais, não foi acompanhado por um aumento da oferta de serviços sociais básicos, o que em parte fica a dever-se ao facto de algumas destas novas zonas não terem passado por um processo de infra-estruturação da terra. Em muitos casos, apesar de serem novos assentamentos, algumas áreas já surgem com características informais, sobretudo no que à ocupação de solos diz respeito, o que acaba por condicionar todos os esforços de melhoria das condições de habitabilidade.

E é por ainda existirem comunidades a viver em situações menos dignas no que à degradação sócio-ambiental diz respeito, que achamos ser urgente uma intervenção que tenha como fim último a construção de mudanças.

Deve, o município,avançar com projectos corajosos de requalificação urbana, o que em muitos casos vai, certamente, implicar a movimentação de pessoas de algumas áreas para outras. O nosso entendimento é que esse é um passo que precisa de ser dado, mesmo reconhecendo os elevados encargos que ele vai acarretar. A verdade é que Maputo já precisa crescer como cidade moderna, igual a muitas nas quais vem inspirando os seus passos.

Os problemas urbanos da cidade de Maputo são diferentes e complexos, assim como são as pessoas que nela habitam ou operam.

Um dos grandes desafios que os gestores municipais têmé saber por onde atacar o complexo de fenómenos negativos que tomaram conta da autarquia.

Há indicadores de qualidade de vida que entendemos que há prioridades que podem ajudar a orientar o passo, como sejam a disponibilidade de água potável, habitação condigna, transporte, saúde, educação, segurança e saneamento básico.

Mas há elementos de bem-estar que estão mais ligados às novas expectativas dos cidadãos no mundo globalizado, a exemplo do modelo de transporte que se usa na cidade, conjugado com o tempo de permanência na paragem e no percurso até ao destino.

Mas é preciso não perder de vista o elemento humano, ele que deve ser permanentemente educado no sentido de respeitar o bem público e contribuir sempre para a sua preservação, adoptando atitudes e comportamentos urbanos, e assumindo a sua responsabilidade no gozo dos direitos que lhe assistem.

Isto sinaliza o desafio que há de se manter um permanente diálogo entre a autoridade e o munícipe, para que, gradualmente, os problemas dos cidadãos encontrem respostas atempadas e adequadas da autoridade municipal.

Maputo, como qualquer outra cidade moderna deste mundo, é espelho de processos de adequação a momentos e necessidades dos seus habitantes. Aos 132 anos, a “cidade das acácias”mostra que ainda tem uma palavra a dizer como uma das maiores cidades de África, que só precisa da inteligência de todos para se afirmar como moderna.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

JORNAL DIGITAL


Template Settings

Color

For each color, the params below will give default values
Tomato Green Blue Cyan Dark_Red Dark_Blue

Body

Background Color
Text Color

Header

Background Color

Footer

Select menu
Google Font
Body Font-size
Body Font-family
Direction