Director: Júlio Manjate

Em apenas uma semana homens armados à solta fizeram dois ataques a alvos civis nas províncias de Manica e Sofala: O primeiro em Gondola, com um saldo de dois mortos, e o segundo no povoado de Matenga, distrito de Nhamatanda, em Sofala, no qual três pessoas ficaram feridas, duas das quais em estado grave.

Ora, se no princípio estes ataques pareciam fortuitos, a tendência para o aumento da sua frequência, intensidade e consequente agravamento do seu impacto na vida do cidadão, obriga-nos a levantar um pouco mais a voz, para exigir o fim destes actos cobardes que, se não podem ser aceites como procedimentos de luta política, no mínimo devem ser assumidos como crimes contra a segurança do povo e do Estado, e tratados como tal.

Depois de uma fase em que tentou distanciar-se da autoria destes ataques, o chefe da famigerada junta militar da Renamo, Mariano Nhongo, apareceu a assumir a autoria dos mesmos, justificando-os com a perversa alegação de que a Polícia da República de Moçambique (PRM) influenciou os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro.

Para nós tal não passa de uma alegação que está a ser aproveitada para justificar uma agenda de violência que nos parece ser característica da Renamo. E dizemos que é característica deste partido porque apesar de ser Nhongo quem assume abertamente os ataques, outros responsáveis da Renamo têm estado a aparecer em público com posturas igualmente incendiárias, tais são os casos de José Manteigas, o porta-voz do partido, e o próprio presidente, Ossufo Momade.

Seja qual for a verdadeira motivação de Mariano Nhongo, cheira a uma afronta ao Estado e à liberdade dos cidadãos, que ficam privados de se movimentar livremente pelo país, com medo de cair nas emboscadas.

Não estaremos enganados se dissermos que ao assumir essa autoria, o chefe da junta militar da Renamo pretende mostrar que possui alguma musculatura militar, que procura usar como instrumento para chantagear os moçambicanos, para se impor à força como um actor a ter em conta na vida política nacional.

Ossufo Momade, que para todos efeitos é o presidente da Renamo, tem estado a tentar sacudir o capote, usando José Manteigas para se distanciar dos actos, com um discurso quase sempre de ameaça e chantagem contra os moçambicanos.

Julgamos que está na hora de a Renamo assumir que o problema está mesmo no seu seio, que a principal causa da derrota eleitoral é a sua própria falta de organização, e que, a continuar assim, pode já estar a preparar os moçambicanos para voltarem a penalizar-lhe nas urnas, em 2023 e 2024. Isto devia preocupar a Renamo.

Associamo-nos aos apelos de diferentes sectores da sociedade civil para que a Renamo se reconcilie como partido político, que faça uma introspecção sobre a sua participação nas eleições gerais e das assembleias provinciais de 15 de Outubro e tire as necessárias ilações para enfrentar os próximos desafios políticos.

Conforta-nos o facto de o Presidente da República, Filipe Nyusi, com o seu elevado sentido de Estado, nunca ter dado costas aos problemas do país. Tal como o fez em momentos particularmente difíceis da vida do país, acreditamos que, nestes dias de incerteza, deva estar a desdobrar-se em busca de uma solução que traduza o maior desejo dos moçambicanos: viver em paz e trabalhar pelo seu bem-estar.

Acreditamos no poder persuasor de Filipe Nyusi, para chamar Mariano Nhongo e Ossufo Momade à razão, e através destes, a todos que alimentam sentimentos de ódio entre os moçambicanos, colocando em causa a paz e estabilidade nacional.

O ambiente de paz e estabilidade que o país viveu nos últimos anos deu mostras do quanto Moçambique pode usar os recursos que tem em benefício do seu povo; para crescer e tornar-se numa referência em África e no mundo.

Tudo o que Moçambique precisa é que os seus cidadãos acordem para a consciência do mal que a violência causa, até mesmo àqueles que a alimentam, tentando fazer dela um estilo de vida. Ganhar a consciência de que violência desorganiza, desestrutura e desalenta uma sociedade.

É fundamental que os moçambicanos assumam que em ambiente de paz discutem-se melhor os problemas e todos têm o equilíbrio emocional necessário para que se adoptem as melhores soluções, tais que satisfaçam o essencial das necessidades dos cidadãos.

Está na hora de os moçambicanos dizerem não à manipulação da sua consciência colectiva, admitindo que há, sim, forças que, em surdina, vão exercitando o seu ódio contra a liberdade e bem-estar dos cidadãos; forças que lutam por desviar o foco porque não se conformam com a ideia de ver um país abençoado como Moçambique, a levantar-se e caminhar com os próprios pés, rumo ao bem-estar do seu povo.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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