Director: Lázaro Manhiça

O PRESIDENTE sul-africano Cyril Ramaphosa condenou na noite de segunda-feira (12) ao violência no país garantindo que o Governo vai reforçar os meios de segurança e agir contra os responsáveis pelos distúrbios que afectam há vários dias as províncias de Gauteng e KwaZulu-Natal.

“A esta hora, várias famílias no nosso país estão de luto. Falo das famílias Nkosikhona Chiza, Ndumiso Shezi, Khaya Mkhize, Zethembe Ndwandwe, Lindani Bhengu e Lindokuhle Gumede em Gauteng, Bhekani Ndlovu, Themba Mthembu, Aphiwe Gama e Cebo Dlamini em KwaZulu-Natal”, declarou o Presidente da República sul-africana.

“A perda de vidas humanas é o maior custo de todos”, sublinhou.

No seu discurso sobre a resposta do governo à violência pública que fustiga partes do país, após a prisão do seu antecessor Jacob Zuma, na noite de quarta-feira(07), o chefe de Estado sul-africano anunciou o reforço de meios e efectivos de segurança operacionais “em todas as áreas afectadas”, além do exército, para conter os distúrbios violentos.

“Tomaremos medidas para proteger todas as pessoas neste país contra a ameaça de violência, intimidação, roubo e pilhagem”, frisou Ramaphosa.

Efectivos das Forças Armadas (SANDF, na sigla em inglês) foram destacados segunda-feiraem várias áreas de Gauteng e KwaZulu-Natal para ajudar a Polícia a conter acções violentas, pilhagem e intimidação, atribuídos a simpatizantes do Congresso Nacional Africano (ANC), aliados do ex-Presidente Jacob Zuma no partido no poder, do qual Ramaphosa é presidente.

Ramaphosa condenou a violência afirmando que “poderá ter começado com um objectivo político, mas que descendeu para a criminalidade”.

O Presidente da República sul-africana disse que 166 suspeitos foram presos no KwaZulu-Natal e 323 suspeitos foram presos em Gauteng por envolvimento nos incidentes violentos dos últimos dias.

“No entanto, a violência continua em muitas áreas”, sublinhou.

“A condenação dos envolvidos na violência será prioridade”, referiu.

Várias áreas da grande Joanesburgo, na província de Gauteng e no KwaZulu-Natal, litoral do país, eram descritasontemcomo “zonas de guerra”, com dezenas de viaturas incendiadas, estabelecimentos comerciais saqueados, destruídos ou incendiados nos últimos cinco dias de distúrbios e intimidação politicamente motivados pela prisão do ex-chefe de Estado e ex-líder do ANC, Jacob Zuma.

“Em breve iremos enfrentar um elevado risco de insegurança alimentar e insegurança médica dentro de algumas semanas”, frisou o presidente sul-africano.

Ramaphosa adiantou que o programa de vacinação contra a covid-19 foi “suspenso em partes do país”, sublinhando que “terá consequências” na recuperação económica da África do Sul.

África do Sul enfrenta há mais de dois anos uma grave crise económica, agravada pela pandemia da Covid-19. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego era de 32,6%, segundo dados oficiais.-LUSA

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