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Categoria: Internacional
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A CONSULTORA Capital Economics considerou hoje (19) que a rápida propagação da variante Delta do novo coronavírus é mais ameaçadora nas economias emergentes porque o ritmo de imunização é mais lento, nomeadamente em África e na Ásia.

"A maior ameaça é nas economias emergentes onde as taxas de vacinação continuam baixas e a distribuição de vacinas é mais lenta", escrevem os analistas, numa nota de análise enviada aos investidores, a que a Lusa teve acesso.  Nestas economias emergentes "estão incluídos quase todos os países africanos e partes da Ásia e da América Latina", apontam, notando que "apesar de o impacto económico não ser tão mau como em vagas anteriores, já que os negócios e as pessoas já se adaptaram, as repercussões ainda serão significativas". Para os analistas da Capital Economics, "a verdadeira lição a retirar” é que provavelmente será preciso “aprender a viver com o vírus da Covid-19 a longo prazo", uma vez que "apesar de as hospitalizações terem diminuído por agora, à medida que a eficácia da vacina se desvanecer, as variantes podem aumentar".

Nesse caso, concluem, "será necessária uma nova dose da vacina, o que pode atrasar ainda mais a distribuição das vacinas nos mercados emergentes, o que acentuaria a divergência entre as economias mais avançadas e as mais atrasadas". Numa intervenção semana passada no Dia de África no Fórum Político de Alto Nível sobre o Desenvolvimento Sustentável, organizado pelas Nações Unidas, o comissário da União Africana para o Comércio e Indústria, Albert Muchanga, disse que a taxa de vacinação no continente é ainda muito baixa. "Para África estar bem posicionada para a recuperação económica, a visão da União Africana é que o primeiro passo é garantir um fornecimento justo e acelerado de vacinas para imunizar os africanos, porque enquanto isso não for feito, e temos menos de 3% da população vacinada, falar de recuperação e resiliência tornar-se duplamente desafiante", disse. Durante a sua intervenção, Muchanga salientou que "a terceira vaga que África atravessa vai ter impactos profundos neste ano, no próximo ano e talvez mais para a frente, e vai trazer perturbações sociais que só serão combatidas se a igualdade estiver no centro das políticas de recuperação". NA semana passada, a responsável para África na Organização Mundial da Saúde anunciou que o continente demorou apenas um mês a acumular um milhão de novos casos de infecção pela Covid-19, que já ultrapassou os seis milhões de casos no continente. "A terceira vaga continua o seu caminho destruidor, ultrapassando outro triste marco histórico, com o continente a ultrapassar os seis milhões de casos", disse Matshidiso Moeti, no Twitter da OMS África. No último mês, acrescentou a responsável, "África registou um milhão de casos, o tempo mais rápido para adicionar este número, que demorou cerca de três meses para passar de 4 milhões para 5 milhões de casos". A pandemia de Covid-19 provocou mais de quatro milhões de mortes em todo o mundo, entre cerca de 190 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo a agência France-Presse. A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru. - LUSA