Imprimir
Categoria: Internacional
Visualizações: 619

O JULGAMENTO do ex-Presidente sul-africano Jacob Zuma, por um caso de suborno com 20 anos em que alegadamente esteve envolvido, foi retomado esta segunda-feira (19) com segurança reforçada, após uma semana de tumultos que provocaram mais de 200 mortos.

A violência no país, que começou a 09 de Julho, foi desencadeada pela prisão de Jacob Zuma, de 79 anos, condenado por desrespeito ao Tribunal Constitucional. As pilhagens e incêndios, inicialmente concentradas no leste do país, estenderam-se depois a Joanesburgo, a maior cidade e o coração económico do país.

Hoje, um grande número de militares e polícias guardavam o centro de Pietermaritzburgo, a capital da província de KwaZulu-Natal (no leste), onde está localizado o tribunal no qual decorre a audiência por video conferência, de acordo com jornalistas da agência de notícias francesa, AFP, no local. As ruas adjacentes foram também fechadas e um helicóptero patrulha a área.

O ex-Presidente apareceu no ecrã, de facto escuro e gravata vermelha, a partir da prisão, em Estcourt, a menos de cem quilómetros de distância. O julgamento, como é frequente na África do Sul, étransmitido pela televisão.

Os apoiantes de Zuma reúnem-se normalmente na sua região de origem para apoiar o seu líder e são acusados de terem fomentado o caos nestes últimos dias, a que o Presidentesul-africano, Cyril Ramaphosa, chamou de tentativa orquestrada de desestabilização.

Os advogados de Zuma escreveram ao tribunal no domingo avisando que ponderavam contestar a audiência por videoconferência, argumentando que esta violava os direitos constitucionais do seu cliente. Por isso, solicitamoadiamento do julgamento.

O juiz Piet Koen disse que a decisão de efectuar a audiência por videoconferência estava ligada com a instabilidade na província, porque deste modo Jacob Zuma não tem de ser levado da cela da prisão para o tribunal.

O ex-Presidente enfrenta 16 acusações de fraude, suborno e extorsão, relacionadas com a compra de equipamento militar a cinco empresas de armamento europeias, em 1999, quando era vice-Presidente.

Zuma é acusado de ter arrecadado mais de quatro milhões de rands (17,5 milhões de meticais), nomeadamente do grupo francês Thales.