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Categoria: Internacional
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O CANDIDATO de esquerda Pedro Castillo foi segunda-feira (19) proclamado Presidente eleito do Peru, um mês e meio após uma eleição renhida contra a candidata da direita populista, Keiko Fujimori, que impugnou o escrutínio por alegada fraude.

Depois de declarar infundados os últimos recursos jurídicos apresentados por Fujimori, o Júri Nacional de Eleições (JNE) aprovou os resultados da votação de 06 de Junho, em que Castillo conquistou 50,1% dos votos, mais 44 mil que a candidata de direita, que obteve 49,8%.

A proclamação de Castillo, de 51 anos, acontece nove dias antes da tomada de posse, marcada para 28 de Julho, data em que o Peru celebrará 200 anos de independência.

Nesse dia, o actual Presidente interino, Francisco Sagasti, entregará a presidência a Castillo, professor numa escola rural da região andina de Cajamarca.

O sindicalista, saído do anonimato há quatro anos, quando liderou uma greve de professores, é apontado como o primeiro chefe de Estado sem ligação às elites políticas e económicas do país.

Nascido numa aldeia na região andina, onde foi professor durante 24 anos, Castillo é considerado "o primeiro Presidente pobre do Peru", disse o analista Hugo Otero à agência de notícias France-Presse (AFP).

Castillo, que cresceu na aldeia de Puña, trabalhou nos campos com os pais, em criança, e teve de percorrer vários quilómetros a pé até à escola.

Durante a campanha, anunciou que, se ganhasse, renunciaria ao salário presidencial e continuaria a viver do salário de professor.

Católico, casado com uma evangélica, Pedro Castillo cita habitualmente passagens da Bíblia para justificar a sua rejeição do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e eutanásia.

O seu programa assenta no reforço dos sectores da saúde, educação e agricultura para melhorar a situação dos peruanos mais pobres, que enfrentam uma recessão provocada pela pandemia, bem como o aumento do desemprego e da pobreza.

Castillo também favorece o regresso ao controlo estatal da riqueza energética e mineral do país, incluindo gás, lítio, cobre e ouro, actualmente detida por multinacionais.

Entre as suas promessas de campanha mais controversas, Castillo comprometeu-se a deportar os estrangeiros que cometam crimes no Perue a reintroduzir a pena de morte para combater a insegurança.

A candidata de direita, Keiko Fujimori, filha do ex-Presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que cumpre uma pena de 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade, fez repetidas acusações de fraude contra Castillo e pediu a anulação de dezenas de milhares de votos.

No entanto, a missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) considerou que a eleição decorreu sem "irregularidades graves".-LUSA