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Categoria: Internacional
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OS Estados Unidos impuseram quinta-feira (22) sanções financeiras ao ministro da Defesa cubano, Álvaro Lopez-Miera, e a uma unidade militar de elite pela suposta repressão das recentes “manifestações pacíficas e pró-democracia” em Cuba, ameaçando adoptar novas medidas punitivas.

“É apenas o princípio. Os Estados Unidos vão continuar a sancionar os responsáveis pela opressão do povo cubano”, advertiu o Presidente norte-americano, Joe Biden, em comunicado, condenando “sem ambiguidade as detenções em massa e os simulacros de julgamento” daqueles “que ousam falar”.

O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou em comunicado as sanções, responsabilizando o ministro da Defesa cubano – o nome exacto do seu cargo é ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba – e a força militar de elite do Ministério do Interior, popularmente conhecida como “vespas negras” ou “boinas negras”, pela alegada repressão dos protestos anti-governamentais do passado dia 11 de Julho em Cuba.

“O povo cubano protesta pelos direitos fundamentais e universais que o seu Governo lhe deve garantir”, declarou, por sua vez, a secretária do Tesouro norte-americana, Janet Yellen, no comunicado em que anunciava as sanções, prometendo continuar a aplicar as sanções à ilha caribenha para apoiar “a sua luta pela democracia”.

A má gestão da pandemia no país, aliada a uma grave crise económica - que agravou a escassez de alimentos e medicamentos e levou o Governo a cortar a electricidade durante várias horas por dia - impulsionou a 11 de Julho manifestações espontâneas de milhares de cubanos, que saíram à rua em Havana e em várias outras cidades para protestar contra o Governo do Presidente Miguel Diaz-Canel, desembocando em confrontos com as forças de segurança que se saldaram num morto, dezenas de feridos, mais de uma centena de detidos e um número indeterminado de desaparecidos.

Após os protestos, o Governo cortou a Internet, reforçou o controlo policial e acusou os Estados Unidos de financiarem a revolta social no país.

Além das sanções, o Presidente norte-americano confirmou quinta-feira que o seu Governo está a considerar autorizar as transferências de dinheiro de particulares para Cuba e comprometeu-se a aumentar os efectivos da embaixada dos Estados Unidos em Havana para “fornecer serviços consulares aos cubanos” – o que poderá traduzir-se, a prazo, na concessão de vistos norte-americanos àqueles que desejarem abandonar o país.-Lusa