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Categoria: Internacional
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A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) pediu uma investigação sobre o acesso à assistência médica e aos alegados maus tratos sofridos ao longo dos anos por parte do ex-presidente do Egipto, Mohamed Morsi, que morreu na segunda-feira.

O Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, cuja próxima sessão começa a 24 de Junho, deve estabelecer uma investigação sobre as graves violações aos direitos humanos no Egipto, incluindo maus tratos generalizados nas prisões do país e sobre a morte de Morsi, apontou a Human Rights Watch em comunicado, na segunda-feira.

“A morte do ex-presidente Morsi seguiu-se a anos de maus tratos do governo, confinamento solitário prolongado, assistência médica inadequada, privação de visitas familiares e falta de acesso a advogados”, sublinhou, na mesma nota, a directora para o Médio Oriente e Norte de África da HRW, Sarah Leah Whitson.

A estação nacional de televisão do Egipto informou que Mohamed Morsi, de 67 anos, que governou o país entre 2012 e 2013, antes de ser derrubado pelos militares, morreu na segunda-feira, durante uma comparência em tribunal, onde estava a ser julgado por “espionagem”.

Morsi desmaiou durante a sessão, precisou a cadeia televisiva.

“Estava a falar perante o juiz, há 20 minutos, e numa fase muito enérgica desmaiou. Foi de imediato transportado para o hospital, onde morreu”, disse uma fonte judicial citada pela cadeia televisiva Al-Jazeera.

A organização dos direitos humanos denuncia que “o Gabinete do Procurador-Geral do Egipto divulgou uma declaração dizendo que o juiz permitiu que Morsi falasse durante cinco minutos no tribunal antes de perder a consciência”.

“A declaração diz que uma equipa de investigadores, incluindo o director da Autoridade Médica Forense, examinará as gravações no tribunal e o arquivo de saúde de Morsi. A declaração não especificou o motivo directo da sua morte”, denunciou a HRW.

Segundo a ONG, o governo egípcio falhou durante seis anos na protecção dos direitos básicos de Morsi. “A família de Morsi disse à Human Rights Watch que só puderam vê-lo na prisão três vezes em seis anos”, denunciou.

“Morsi era diabético e declarou aos juízes em ocasiões anteriores que sofreu comas diabéticos por causa da falta de atenção médica adequada em relação à sua dosagem de insulina e dieta”, acrescentou a ONG.

Morsi foi enterrado hoje em Medinat Nasr, um bairro no leste do Cairo, disse um dos seus advogados à AFP.