Director: Lázaro Manhiça

O PROCURADOR-GERAL da República (PGR) angolano assumiu dificuldades em notificar a empresária Isabel dos Santos, em Angola e noutros países, admitindo que a possibilidade de emitir um mandado de captura “está em aberto”.

“Em Luanda, já foi notificada nos locais possíveis onde poderia ser contactada e não houve nenhuma resposta”, adiantou Helder Pitta Grós, numa conferência de imprensa em Luanda.

“Neste momento não sabemos onde será o seu domicílio, nem profissional, nem onde vive, e isso tem dificultado a sua notificação”, frisou.

O PGR disse que foram feitas também tentativas junto das suas empresas, o mesmo feito a Portugal, sem sucesso, pelo que a emissão de um mandado “é uma hipótese que está em aberto”.

Segundo Pitta Grós, este é um meio que serve para “fazer com que um cidadão se apresente à justiça para responder” num determinado processo.

“O que nós pretendemos é que ela se apresente à justiça, para poder responder às acusações que lhe são imputadas”, o que não significa que a empresária, filha do antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, fique presa”, explicou.

Acrescentou que houve outros casos de cidadãos que foram detidos para interrogatório e foram postos em liberdade, aguardando o desenrolar do processo.

Isabel dos Santos é visada, em Angola, em processos criminais e cíveis, em que o Estado angolano reclama mais de cinco mil milhões de dólares

O processo-crime partiu de uma denúncia do seu sucessor à frente da petrolífera estatal Sonangol, Carlos Saturnino, relativa a transferências monetárias, alegadamente irregulares, durante a gestão de Isabel dos Santos.

Além da filha do antigo Presidente angolano, são também arguidos Sarju Raikundalia, ex-administrador financeiro da Sonangol, Mário Leite da Silva, gestor de Isabel dos Santos, e presidente do Conselho de Administração do BFA, Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da NOS, e Nuno Ribeiro da Cunha, gestor de conta de Isabel dos Santos no EuroBic, que morreu em Janeiro. A empresária viu também as suas contas bancárias e participações sociais serem arrestadas em Portugal e em Angola.

Isabel dos Santos tem sempre afirmado a sua inocência, acusando a justiça angolana de forjar provas, considerando-se vítima de perseguição política.

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