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Categoria: Internacional
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A ORGANIZAÇÃO Mundial de Saúde recomendou ontem que só se reabram as escolas quando a transmissão comunitária do novo coronavírus esteja controlada, admitindo que falta saber muito sobre o papel das crianças na pandemia.

Ainda nos falta compreender muita coisa sobre a transmissão por crianças, afirmou a principal responsável técnica no combate à pandemia, a epidemiologista norte-americana Maria Van Kerkhove, indicando que as crianças “tendem a ser menos afectadas” pela covid-19, com sintomas mais ligeiros, mas que são capazes de transmitir a doença.

O director executivo do Programa de Emergências Sanitárias daquela agência das Nações Unidas, Michael Ryan, salientou que “quando a transmissão comunitária é intensa, as crianças são expostas e farão parte do ciclo de transmissão e podem infectar outras pessoas”.

Questionado sobre a reabertura de escolas, alvo de polémica em países como os Estados Unidos, Michael Ryan declarou que enquanto o vírus circular e haja cadeias de transmissão, “qualquer ambiente onde as pessoas se misturam é, essencialmente, problemático”.

A maneira melhor e mais segura de reabrir escolas é num contexto de baixa transmissão comunitária, que tenha sido eficazmente suprimida com uma estratégia adequada, indicou.

Michael Ryan destacou que não se pode pensar em reabrir sectores de actividade e da sociedade um de cada vez, porque o problema da transmissão do novo coronavírus não se resolve em parcelas, devendo-se olhar para o contexto total.

Não podemos transformar as escolas numa bola de futebol. Isso não é justo para as crianças. Se conseguirmos suprimir a transmissão nas nossas sociedades, as escolas podem abrir de forma segura, declarou.

Nos Estados Unidos, onde há mais de 3,3 milhões de pessoas infectadas, o Presidente, Donald Trump, tem pressionado os responsáveis estaduais para reabrir as escolas depois do verão, ameaçando retirar verbas federais aos que não voltem ao ensino presencial.

Michael Ryan afirmou também que é irrealista esperar que o novo coronavírus acabe ou que haja uma vacina perfeita e acessível para a covid-19 a breve prazo.

“Precisamos de aprender a viver com este vírus. Esperar que consigamos erradicar ou eliminar este vírus nos próximos meses não é realista, tal como acreditar que, por magia, teremos uma vacina perfeita a que toda a gente terá acesso”, admitiu.