A VIOLÊNCIA com armas de fogo voltou a provocar cenas de pesadelos nos Estados Unidos. Um tiroteio no Texas fez pelo menos 20 mortos. Pouco depois, novo tiroteio no Ohio resultou em dez mortes.

O primeiro ataque aconteceu no sábado num centro comercial de El Paso, Estado de Texas (sul). Pelo menos 20 pessoas morreram e 26 ficaram feridas, segundo informaram as autoridades da cidade, que detiveram um homem branco de 21 anos.

O caso está a serinvestigado como um possível crime de ódio.Um manifesto atribuído ao suspeito que circula na internet denuncia uma “invasão hispânica do Texas” e explica os motivos do ataque.

El Paso, na fronteira com o México, tem 680milhabitantes, 83% deles hispânicos, de acordo com dados de 2018. A cidadeé vizinha da mexicana Ciudad Juárez e os seus habitantes mantêm uma intensa actividade social e comercial, com moradores dos dois lados atravessando a fronteira para trabalhar, estudar ou fazer compras.

Poucas horas depois deste ataque, à 1.00 hora de ontem (hora local), um homem matou nove pessoas e deixou outras 16 feridas em Dayton, Estado de Ohio (centro-oeste).

O suspeito abriu fogo na rua com uma arma de calibre longo e com muitas munições, antes de ser morto pela Polícia.

“É um incidente muito trágico e estamos fazendo todo o possível para investigar e tentar identificar a motivação do tiroteio”, disse o tenente-coronel da polícia local Matt Carper.

“COBARDIA”

O Presidente norte-americano, Donald Trump,escreveu no Twitter, após o primeiro tiroteio, quefoi “um acto de cobardia” e que “não há razões ou desculpas que justifiquem matar pessoas inocentes”.

Mas opré-candidato democrata à presidência Beto O’Rourke, nascido em El Paso, acusou Trump de incitar o ódio ao mudar o “carácter deste país” e levá-lo à “violência”.

Depois destas tragédias, como é comum após todos os massacres, diversas pessoas voltaram a pedir uma regulamentação mais rígida do mercado de armasnos EUA.

O paísé cenário frequente de tiroteios em escolas, assim como em templos religiosos, locais de trabalho e entretenimento ou negócios.

Na terça-feira, 30 de Julho, duas pessoas morreram e um polícia ficou ferido num ataque no Mississipi. No domingo passado, 28 de Julho, um homem matou três pessoas, incluindo um menino de seis anos, num festival gastronómicoem Gilroy, Califórnia.

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A plataforma civil da oposição e a Junta Militar, no poder no Sudão, assinaram ontem, de forma preliminar, um documento que define as bases para um governo de transição durante os próximos três anos.

O texto, estipulado no sábado, foi assinado pelo vice-presidente do Conselho Militar Transitório, o general Mohammed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, e o representante da plataforma civil da Aliançada Liberdade e da Mudança(ALM), Ahmad Rabie, durante uma cerimónia na presença dos mediadores da Etiópia e da União Africana (UA).

A assinatura definitiva da carta magnade transiçãoterá lugar no próximo dia 17,segundo anunciou ontem o mediador da UA, Mohammed Hassan Labat.

Hemedti considerou a cerimónia de ontem o “encerramento de uma página da história do Sudão caracterizada pelas guerras”, um passo no qual “não há vencedores nem derrotados”, já que a prioridade do pacto é “a pátria”. “Entrámos nestas negociações como parceiros e saímos como uma equipa”, acrescentou.

O acordo constitucional complementa o pacto alcançado há três semanas para a formação de um conselho soberano que governaráo país durante os próximos três anos e três meses, período durante o qual se tentará assentar as bases institucionais para a realização de eleições democráticas com garantias.

De acordo com o texto referendado ontem, o Sudão terá um conselho soberano, um conselho legislativo e um conselho de ministros, este último dirigido por um primeiro-ministro nomeado pelaALMe confirmado pelo conselho soberano.

O país tenta sair assim da instabilidade surgida após meses de protestos contra o aumento dos preços e a escassez dos produtos básicos que resultaram num golpe de Estado no último dia 11 de Abril que pôs fim a 30 anos de poder de Omar al-Bashir.-(DW)

 

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Estabelecida no nordeste da Nigéria desde o início dos anos 2000, a Jamā'at ahl al-sunna li'l-da'wa wa'l-jihād, mais conhecidacomo Boko Haram, é na origemuma seita radical. Desde 2009, o grupo terrorista fez mais de 27 mil vítimas mortais e desalojou 2,5 milhões pessoas dassuas casas, desestabilizando não somente o nordeste nigeriano mas também os países da Bacia do Lago Chade.

Início dos anos 2000. É na cidade de Maiduguri, capital do Estado de Borno, que um pequeno grupo de estudantes defende uma aplicação rigorosa da sharia, em vigor nos Estados do norte da Nigéria. Entre eles, está Mohamed Yusuf, um pregador carismático, que se apoia na ideologia salafista e reivindica uma abordagem ortodoxa do Islão.

Em particular, ele questiona o sistema educacional, tal como oque vigora nas escolas públicas. Daí o nome de Boko Haram: “A Educação Ocidental é um Pecado”.“Mohamed Yusuf fez um discurso religioso para denunciar o Governo nigeriano”, disse Yan St-Pierre, que dirige oMosecon, um centro de análise de contra-terrorismo. Bom orador, Mohamed Yusuf transmite as suas ideias para as classes populares, por meio de reuniões, mas também “CD, cassetes e programas de televisão” , precisou o pesquisador no Instituto de Estudos Políticos de Paris, mais conhecido como Sciences Po, Corentin Cohen.

DA CLANDESTINIDADE À VIOLÊNCIA

Originalmente, o grupo é um movimento não armado, mas as suas relações com as forças de ordem são tensas: manifestações reprimidas, detenções arbitrárias. As respostas da seita tornam-se cada vez mais musculosas. Em 26 de Julho de 2009, os militantes do Boko Haram atacam várias esquadrasdaPolícia.

O Exército nigeriano reprime o movimento, destrói a sua sede, centenas de fiéis morrem. A prisão e depois a execução pública deMohamed Yusuf pelasforças da ordem lançam a organização para o terrorismo. Em algumassemanas, a repressão do Exército faz mais de mil vítimas.

INSTALADOOTERROR

A execução do carismático pregador alimenta alguma frustração entre os partidários do Boko Haramem relação às autoridades. O grupo recruta e expande-se a outros Estados nordestinos como Bauchi, Yobe e Adamawa. Incrustra-se na Bacia do Lago Chade. À cabeça,o Imam Abubakar Shekau instaura o terror: os seus seguidores realizam assassinatos, atentados suicidas em locais públicos. O Boko Haram também tem como alvo esquadras de Polícia, edifícios públicos e símbolos do Estado federal. O grupo não hesita em pilhar e confiscar os bens das populações.

Diante de um Estado federal ainda pouco consciente da dimensão doproblema, os “jihadistas”actuam forte. Testemunha o ataque à bomba, em 26 de Agosto de 2011, contra a sede das Nações Unidasnum bairro diplomático de Abuja. A explosão, causada por um carro-bomba no coração da capital federal, causou 13 mortes. A onda de choque é significativa. E Boko Haram continua pungir onordeste da Nigéria e a região do Lago Chade: em 20 de Dezembro de 2013, os “jihadistas”destroem o campo militar de Bama, em 6 de Agosto de 2014 não enfrentam qualquer resistência para tomar Gwoza , onde, na sequência,proclamam um “califado islâmico”.

Em 24 de Novembro de 2014, cai Damasak, mais de 3000 habitantes procuram refúgio no vizinho Níger. Em 3 de Janeiro de 2015, centenas de combatentes armados com machetes, transportando-se em motocicletas e camionetas surpreendem os residentes de Baga, umimportante entroncamento comercial nasmargens do Lago Chadecom uma base militar. Os insurgentes incendeiam grande parte da localidade. É um verdadeiro massacre. Este ataque é uma vitória simbólica para o Boko Haram. Baga sedia a Força Multinacional Conjunta,uma formação militar regional integrando os exércitos nigeriano, nigerino, camaronês, chadiano e beninense.

O moral das tropas nigerianas é baixo. Os soldados estão em constante défice de meios: quando não lhes faltam armas ou munição, não hesitam em, antecipando-se aum possível ataque dos “jihadistas”, abandonar osseus postos.

Abuja é ultrapassado pela progressãorápida dos “jihadistas”. Somente em 2013 as autoridades federais declararam o estado de emergência em três Estados: Borno, Yobe e Adamawa. Elas levam muito tempo para terem consciência da gravidade da situação. “Provavelmente,no início (da revolta), nós - quero dizer a minha equipa e eu - tenhamossubestimado a capacidade de ‘incómodo’do Boko Haram”, reconhece o PresidenteGoodluck Jonathan, em entrevista ao jornal“This Day” na véspera dasua derrota para a reeleiçãoem 2015.

A vida dos habitantes do nordeste da Nigéria está totalmente virada ao avesso. Os camponesesnão têm mais acesso àssuas terras. Temendo a insegurança, muitos deixam os seus campos e vão se estabelecer em abrigos improvisados em torno de grandes cidades como Abuja ou Lagos. Hoje, segundo as Nações Unidas, há 1,8 milhão de deslocados internos na Nigéria. 

Mulheres e jovens são os principais alvos dos insurgentes do Boko Haram. Forçadas a casar com os “jihadistas”, as mulheres, quando não são usadas como “kamikazes”para cometer ataques em lugares públicos, são empregadas para recrutar potenciais “jihadistas”.

Na noite de 14 para 15 de Abril de 2014, militantes do Boko Haram invadem um colégio interno em Chibok, de onde levam à força 276 raparigas do ensino médio. Conseguem escapar 57, mas grande parte das adolescentes - a maioria cristã - permanece cativa dos “jihadistas”. O grupo vai transmitindo vídeos mostrando as raparigas de véu, convertidas a um Islão radical. Essas imagens, que circulam nas redes sociais, marcam a opinião pública internacional. 

DIVIDIDO, MAS AINDA UMA AMEAÇA

Em Fevereiro de 2015,Muhammadu Buhari, militar de carreira, é eleito presidente. Ogeneral aposentado vence com uma promessa: erradicar o Boko Haram. Buhari quer reintroduzir a transparência e a disciplina nas fileiras de um Exército acusado de cometer crimes extrajudiciais no nordeste do paíse eliminar aimagem de um Exército corrupto. Testemunha a prisão em 1 de Dezembro de 2015 do coronel Sambo Dasuki,ex-conselheiro de segurança nacional sob Goodluck Jonathan, acusado de desviar quase 2000 milhões de dólares (122,5 mil milhões de meticais) na compra de armas para lutar contra oBoko Haram.

Muhammadu Buharidecide transferir o centro de comando de operações militares de Abuja para Maiduguri, epicentro da insurgência do Boko Haram. No terreno, as forças de segurança dependem mais de grupos civis de autodefesa, originalmente caçadores que se mobilizaram para expulsar os “jihadistas”dassuas terras. Esta abordagem está a dar frutos.

O Boko Haram não ocupa mais centros urbanos no nordeste da Nigéria. Os “jihadistas”estão a perdera floresta de Sambisa, uma área estratégica a sudeste de Maiduguri.Para o Exército é uma vitória importanteporque este terreno hostil de 60.000 km² foi desde o início da crise a base segura de Abubakar Shekau. Este antigo reduto do Boko Haram está localizado na fronteira com os Camarões, parceiro preferencialda Nigéria nesta luta. Desde a criação da Força Multinacional Conjunta,em 2015, soldados nigerianos e camaroneses trocam informações sobre os movimentos dos “jihadistas”e coordenam as suas operações. 

Acuados, os “jihadistas” decidemem 2015 jurar lealdade ao grupo terrorista Estado Islâmico. As bandeiras do EIagora flutuam nas suas viaturas 4X4. Além deafinidades ideológicas e políticas, através desta lealdade“Abubakar Shekau procura um certo reconhecimento”, analisa o pesquisador Corentin Cohen. No entanto, este gesto amplifica as divisões internasno grupo insurgente. O EI designa Abu Musab Al-Barnawi chefe do movimento, em detrimento do Shekau, frequentementedado por  morto ou gravemente ferido.

As duas facções emergem com duas estratégias radicalmente diferentes.De um lado, a facção fiel a Abubakar Shekau, presente na fronteira com os Camarões e do Níger. Ela incorpora uma linha dura e sectária.Do outro, a facção da província Islâmica daÁfrica Ocidental (ISWAP), baseada nas ilhas e ao redor do lago Chade. Influenciado por Mamman Nur, essa tendência mostra-se mais aberta às populações locais.“Essa facção actua em moldes de um quase-estado”, observa Vincent Foucher, pesquisador doCentro Nacional de Pesquisa Cientifica (CNRS, sigla em francês). “Eles têm acesso à saúde, regulam os mercados e organizam canais de comércio. Eles entendem que énecessário adoptar uma atitude menos sectária”, continua oanalista.“Isso faz parte da nova campanha queempregam a partir de 2016-2017 para relançar a ofensiva”,  conclui.

O grupo estádividido, mas ainda mantém considerável capacidade deacção. Entre Julho e Dezembro de 2018, há pelo menos 22 ataques do ISWAP contra bases militares, que a cada acção perdem muitos itens,especialmente armas que os terroristas se apoderam. Apesar do voluntarismo do Presidente Buhari, que continua repetindo que o “Boko Haram estátecnicamente derrotado”, no terreno, as Forças Armadas nigerianas parecem às vezes pouco reactivas, ou mesmo sub-equipadas. Por exemplo, em Arege, em 29 de Novembro de 2018, quando membros do Boko Haram chegam em motocicletas e pickups, brandindo kalachnikovs, “os soldados ficaram sem muniçõesapós repelirem com sucesso o ataque”, diz um oficialsob oanonimato.

O Exército nigeriano lutapara se superar. Envolto em problemas recorrentes de corrupção “o Exército nigeriano carece de recursos e as suas tácticas não são ajustadas”,  disse Yan St-Pierre. Quanto à Força Multinacional Conjunta,ela tarda ainda em estar plenamente operacional devido à falta de financiamentos.

BINETA DIAGNE, RFI

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O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, criticou hoje a decisão de Washington de aumentar as taxas alfandegárias sobre bens chineses, enquanto o homólogo norte-americano, Mike Pompeo, enalteceu "a determinação" do Presidente Donald Trump.

"A imposição de taxas não é, de maneira alguma, uma forma construtiva de resolver as fricções económicas e comerciais", disse Wang, à margem da cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que termina hoje em Banguecoque.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que participa também na cimeira da ASEAN, defendeu a decisão de Trump e repreendeu Beijing por ter recuado num compromisso alcançado durante a última ronda de negociações.

"Há décadas que a China se aproveita do comércio às custas dos Estados Unidos e de outros países da Ásia. Isto precisa de acabar. O Presidente Trump disse que vai resolver esta situação e isso exige determinação", afirmou Pompeo.

Pompeo sublinhou que as negociações procuram redefinir, como o comércio será feito em todo o mundo e questionou que países como a China imponham taxas sobre empresas norte-americanas, que investem no país, enquanto a economia norte-americana permanece aberta.

"Queres um tratamento justo, equilibrado e recíproco dos outros? Quando isto acontecer, a Ásia crescerá, o Sudeste Asiático crescerá, a economia mundial crescerá. Mas não pode acontecer, quando um país recorre ao proteccionismo para proteger os seus activos e usa tácticas predatórias para negar a outras economias a oportunidade de crescer", declarou.

Trump anunciou, na quinta-feira, através da rede social Twitter, que vai impor taxas alfandegárias suplementares de 10% sobre um total de 300 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, a partir de 01 de Setembro.

Com esta decisão, as Alfândegas norte-americanas passam a cobrar taxas sobre todos os produtos oriundos da China, abalando ainda mais as cadeias de distribuição globais.

Os dois países impuseram já taxas sobre milhares de milhões de produtos importados um do outro, numa guerra comercial iniciada há um ano pelos Estados Unidos, e motivada pelas políticas industriais de Beijing, que visam transformar as firmas estatais do país em importantes actores globais e sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o mercado, nomeadamente, ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Um primeiro período de tréguas entre Beijing e Washington terminou quando Trump aumentou as taxas alfandegárias sobre o equivalente a 200 mil milhões de dólares (178 mil milhões de euros) de bens importados da China, acusando-a de recuar em compromissos feitos, anteriormente.

Após um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, em Junho passado, à margem da cimeira do G20, no Japão, os dois lados voltaram a acordar um período de tréguas.

Mas o líder norte-americano afirmou, na quinta-feira, que a China voltou a falhar os compromissos assumidos, desta vez, ao não ter retomado as compras de produtos agrícolas aos EUA.

Em Banguecoque, Pompeo afirmou que os EUA querem algo "simples", com o qual "os chineses concordaram, mas depois recuaram".

"Houve um acordo sobre a mesa, que nos colocaria no caminho certo", acrescentou.

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O INTERCÂMBIO entre a grande cidade congolesa de Gomae a suavizinharuandesa deGisenyi, 85 mil habitantes, é geralmente muito intenso. Mas desde as 5.00horas da manhã deontem, o tráfego está quase cortado. Leia mais

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