Director: Lázaro Manhiça

A PRESIDENTE da Tanzania, Samia Suluhu, anunciou ontem (06) a criação de um comité consultivo para a luta contra a Covid-19, uma mudança de política face ao seu antecessor, John Magufuli, que morreu em Março e negava a existência da doença.

Numa aparição na residência presidencial, em Dar Es-Salaam, a capital económica do país, Samia Suluhu Hassan disse que tenciona "criar uma comissão técnica para rever a questão do coronavírus".

A Chefe de Estado afirmou que o objectivo deste comité é "examinar cientificamente os remédios globais e depois aconselhar o governo, de uma forma profissional", considerando que "não é sensato silenciar, rejeitar ou aceitar sem uma investigação técnica".

"Não nos podemos isolar como uma ilha e não podemos receber tudo o que entra, sem fazer a nossa investigação", afirmou aquela que é a única mulher Chefe de Estado com poder executivo em África, citada pelos meios de comunicação locais.

Magufuli tinha descartado a ameaça de pandemia de Covid-19, enquanto assegurava que Deus protegeria os tanzanianos.

Além disso, o falecido presidente tinha-se oposto ao uso de máscaras e ao distanciamento social, ao mesmo tempo que criticava o uso de vacinas como parte de uma conspiração ocidental para apoderar-se das riquezas de África.

Como resultado desta política, a Tanzania não publica dados sobre a Covid-19 desde Maio de 2020 (os números pararam em 509 casos e 21 mortes), apesar de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter apelado à transparência do governo, em variadíssimas ocasiões.

OUTRAS MUDANÇAS

Hassan, que sucedeu ao falecido Chefe de Estado, por mandato constitucional como vice-Presidente do país, anunciou a morte de Magufuli a 17 de Março, aos 61 anos de idade, em Dar Es Salaam, devido a uma doença cardíaca e decretou duas semanas de luto nacional.

Desde a sua última aparição pública, a 27 de Fevereiro, circularam muitos rumores sobre a saúde de Magufuli, falando-se que pode ter procurado assistência médica no estrangeiro após ter sido infectado pelo novo coronavírus. De acordo com a oposição, o ex-Chefe de Estado morreu de Covid-19, embora isto não tenha sido oficialmente confirmado.

Na sua aparição ontem, que se seguiu à tomada de posse de vários responsáveis governamentais, Hassan ordenou também ao Ministério da Informação que levantasse a proibição de exercício da actividade imposta a alguns meios de comunicação social.

"Ouvi dizer que existem meios de comunicação social que vocês (Ministério da Informação) proibiram de exercerem as suas actividades. Permita-lhes, mas sigam as leis e directrizes do país", afirmou a Presidente.

Desde que chegou ao poder, em 2015, Magufuli corroeu a liberdade de imprensa e de expressão na Tanzania, tal como denunciaram várias organizações de Direitos Humanos.

(LUSA)

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PESQUISADORES sul-africanos descobriram a variante “mais transmissível” do novo coronavírus SARS-Cov-2 na primeira sequenciação genómica realizada com amostras recolhidas em Angola, foi hoje (05) anunciado.

A variante foi descoberta no mês passado em três cidadãos tanzanianos, em Angola, disse o professor Túlio de Oliveira, que lidera a equipa de cientistas sul-africanos da Universidade do KwaZulu-Natal, especialistas em inovação e sequenciamento genómico, que realizou o estudo.
Angola contabiliza 22.579 casos de infecção do novo coronavírus e 540 mortes associadas à covid-19, segundo o centro de monitoria global da doença pandémica da Universidade John Hopkins.
“Quando comparada com outras variantes de preocupação (VOC, na sigla em inglês) e variantes de interesse (VOI, na sigla em inglês), esta é a mais divergente”, disse Túlio de Oliveira, salientando que a descoberta foi relatada como sendo “um novo VOI dada a constelação de mutações com significado biológico conhecido ou suspeito, especificamente resistência a anticorpos neutralizantes e transmissibilidade potencialmente aumentada”.
“Embora tenhamos detectado apenas três casos com esta variante, isto justifica uma investigação urgente, pois o país de origem, a Tanzânia, tem uma epidemia em grande parte não documentada e poucas medidas de saúde pública em vigor para prevenir a propagação dentro e fora do país”, explicou Túlio de Oliveira ao semanário sul-africano Sunday Tribune, que se publica em Durban.

Os cientistas sul-africanos da Plataforma de Inovação e Sequenciamento de Pesquisa KwaZulu-Natal (KRISP, na sigla em inglês), sublinharam que a nova variante “não foi ainda reportada em nenhum outro país”, nomeadamente na África do Sul.

“Não temos ideia se ainda é novo ou se foi a variante dominante na Tanzânia, e é por isso que pedimos atenção urgente, pois realmente precisamos ter uma melhor compreensão do vírus e da epidemiologia na Tanzânia”, referiu por seu lado Richard Lessells, investigador do KRISP, especialista em doença infecciosas.

“Recebemos amostras adicionais de Angola e estamos actualmente a gerar e a analisar dados”, adiantou.

O estudo realizado pelos cientistas sul-africanos contou com a participação de várias entidades, nomeadamente o Ministério da Saúde de Angola e África CDC.

(Notícias/RM/NMinuto)

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SUBIU de 44 para pelo menos 55 mortos e dezenas de desaparecidas devido às cheias registadas domingo (04) na Indonésia, indica um novo balanço feito hoje pelas autoridades locais.

“Há 55 mortos, mas o número de mortos continua a aumentar, sendo que 42 pessoas continuam desaparecidas”, disse o porta-voz da agência de gestão de catástrofes da Indonésia, Raditya Jati, falando a jornalistas.

Entretanto, no Timor-Leste, país vizinho, a chuva e inundações causaram pelo menos 27 mortos em todo o país e mais de sete mil desalojados em Díli, informou esta segunda-feira o Governo, enquanto o anterior balanço apontava para 21 mortos.

“Até agora os dados de vítimas mortais em todo o país é de 27, há ainda oito casos cuja situação não é ainda conhecida”, disse o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães.

“Em Díli confirma-se até ao momento um total de 13 mortos e mais de sete mil desalojados, que estão de momento abrigados em 12 espaços localizados em vários pontos da cidade”, disse.

Fidelis Magalhães falava aos jornalistas depois de uma reunião liderada pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, da Comissão Interministerial para a Proteção Civil e Desastres Naturais, para coordenação da resposta ao impacto das inundações.

As cheias repentinas causadas pelas chuvas torrenciais causaram significativos estragos na ilha das Flores, na Indonésia e no Timor Leste, o que obrigou milhares de pessoas a procurar abrigos. Houve deslizamentos de terras e inundações repentinas são comuns no arquipélago indonésio, especialmente durante a estação chuvosa.

A agência de gestão de catástrofes indonésia estimou que 125 milhões de pessoas, cerca de metade da população do arquipélago, vivem em áreas em risco de deslizamento de terras.

(Notícias/RTP/Observador)

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PELO menos 23 pessoas morreram, 19 feridos e duas estão desaparecidas após uma inundação repentina causada por chuvas torrenciais na ilha das Flores, no leste da Indonésia, de acordo com informações avançadas pelas autoridades locais.

“A rápida inundação que ocorreu bem cedo (este domingo) matou 23 pessoas, deixou nove feridos e dois desaparecidos”, disse o porta-voz da agência nacional de gestão de catástrofes, Raditya Jati, citado pela agência France-Presse.

As chuvas torrenciais registadas na região causaram inundações em vários distritos da ilha das Flores, onde a maioria da população é católica, com os incidentes a registarem-se cerca da 1h local (20 horas de Maputo), pouco tempo antes do início das celebrações da Páscoa.

De acordo com o referido porta-voz, dezenas de casas ficaram cobertas de lama, com as chuvas torrenciais a provocarem ainda a destruição de duas pontes e várias estradas na parte oriental da ilha.

Por este motivo, apenas o acesso por mar a partir da ilha de Adonara é agora possível, mas segundo o mesmo responsável, “a precipitação e a forte ondulação não permitiram a travessia”.

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O DOMINGO de Páscoa é comemorado sempre em dias diferentes, algo que se deve ao sistema usado para tentar calcular o dia a partir do céu, acomodando calendários.

Neste ano, em 2021, o domingo de Páscoa é celebrado hoje, 4 de Abril. Mas nem sempre é assim. Nos últimos dez anos, a Páscoa já foi comemorada em dez datas diferentes, com variações entre 27 de Março e 24 de Abril.

MAS POR QUE NÃO HÁ UMA DATA FIXA PARA A PÁSCOA?

Segundo afirmava Beda, o Venerável, religioso inglês que viveu no século 7, a Páscoa se dá no primeiro domingo depois da primeira lua cheia após o equinócio da primavera no hemisfério norte (20 de Março, em 2018).

"A astronomia está no coração do estabelecimento da data para a Páscoa. (A data) depende de dois factos astronómicos - o equinócio da primavera e a lua cheia", disse Marek Kukula, astrónomo no Observatório Real de Greenwich, em Londres.

Trata-se de um "feriado móvel", e isso se dá graças ao sistema complexo que foi desenvolvido para tentar calcular a Páscoa (e a Páscoa Judaica) a partir do céu, acomodando calendários diferentes.

A data mais frequente para a Páscoa nas igrejas ocidentais tem sido 19 de Abril, mas o evento já chegou a cair até em 25 de Abril.

O nosso calendário não combina exactamente com os ciclos astronómicos.

"Durante milhares de anos vêm sendo feitos cálculos e ajustes na tentativa de coincidir os calendários artificiais com a astronomia. Mas, exactamente pela falta de uma combinação precisa entre eles, são necessários cálculos complexos para se determinar o dia exacto do equinócio e da lua cheia", acrescentou Kukula.

Apesar da famosa briga da Igreja Católica com Galileu, em 1633, por divergências em relação aos estudos de astronomia do físico, os religiosos sempre souberam que era preciso calcular as datas para a Páscoa e os dias santos - e que para isso era necessário recorrer ao estudo dos astros.

Com esse objectivo, a Igreja Católica construiu seu primeiro observatório em 1774.

MISTURA

O complicado sistema de determinação da data da Páscoa é resultado da combinação de calendários, práticas culturais e tradições hebraicas, romanas e egípcias.

O calendário egípcio era baseado no Sol, prática adoptada primeiramente pelos romanos e posteriormente incorporada pela cultura cristã. O judaísmo baseia o calendário hebraico parcialmente na Lua, e o islamismo também utiliza fases da Lua.

A data da Páscoa varia não somente pela tentativa de harmonizar os calendários lunares e solares, mas também há outras complicações que acabam interferindo, como o facto de diferentes vertentes do cristianismo usarem fórmulas distintas em seus cálculos.

Em 1582 foi criado o Calendário Gregoriano, adoptado e promovido pelo Papa Gregório para fazer com que a Páscoa caísse mais cedo e fosse mais fácil de ser calculada. Esse é o calendário que usamos até hoje.

Segundo a Bíblia, a morte e ressurreição de Jesus, os eventos celebrados pela Páscoa, ocorreram na época da Páscoa Judaica.

A Páscoa Judaica era celebrada na primeira lua cheia depois do equinócio da Primavera, no hemisfério Norte.

Mas isso levou os cristãos a celebrar a Páscoa em diferentes datas. No fim do século 2, algumas igrejas celebravam a Páscoa junto com a Páscoa Judaica, enquanto outras marcavam a data no domingo seguinte.

No ano 325, a data da Páscoa foi unificada graças ao Concílio de Nicéia.

A Páscoa passaria a ser no primeiro domingo depois da primeira lua cheia que ocorresse após o equinócio da Primavera (ou na mesma data, caso a lua cheia e o equinócio ocorressem no mesmo dia).

DOMINGOS DIFERENTES

Mesmo assim, tradições e culturas diferentes continuaram a fazer cálculos distintos para a data.

Um exemplo deu-se na Inglaterra, no ano de 664. No reino de Northumbria, o rei Oswiu e sua esposa celebravam a Páscoa em domingos diferentes. O rei observava a tradição irlandesa, e a rainha, a romana. Ela era originária de uma parte do reino que tinha sido evangelizada segundo as tradições romanas, enquanto a cidade natal do rei Oswiu seguia a tradição irlandesa.

Em consequência, um certo ano o rei celebrou a Páscoa em um domingo, mas a rainha ainda estava no período da quaresma. Para acertar a data, o rei convocou um sínodo (assembleia de religiosos) na cidade de Whitby.

Na defesa da tradição irlandesa, estava o bispo Colman de Lindisfarne. São Wilfrid, um nativo de Northumbria treinado em Roma, defendeu a tradição romana.

"Em um ponto crucial do debate, ele (Wilfrid) mencionou São Pedro, o guardião das chaves do paraíso, que as recebeu do próprio Cristo. E o rei Oswiu, que presidia o sínodo, ficou muito impressionado", disse Michael Carter, membro do Património Histórico Inglês.

Com isso, a decisão foi tomada a favor da tradição romana.

"O Sínodo de Whitby garantiu que a Igreja na Inglaterra passasse a adoptar a prática ocidental padrão. Isso significou a unificação da celebração do mais importante evento do calendário cristão pela igreja inglesa, o dia da ressurreição de Cristo. Isso persistiu no país (...) até a Reforma Anglicana, quando a Inglaterra rompeu com o padrão religioso e cultural da Europa", acrescentou Carter.

ORTODOXOS

As tradições ortodoxas dentro do cristianismo continuaram usando o Calendário Juliano em vez de aceitar a reforma do calendário imposta pelo Papa Gregório.

As igrejas ortodoxas, portanto, continuaram a celebrar a Páscoa e o Natal em datas diferentes das tradições ocidentais ou romanas.

Mas isso pode mudar? O Papa Tawadros 2º de Alexandria, líder da Igreja Ortodoxa Copta, espera que as diferentes vertentes do cristianismo consigam chegar a um acordo sobre essa importante questão.

Pouco depois de se reunir com ele, Justin Welby, arcebispo da Cantuária (o equivalente ao papa para a Igreja Anglicana), divulgou uma notícia surpreendente em Janeiro de 2018: depois de muitos séculos de desacordo, surgiram novas esperanças de que a data da Páscoa possa ser uma data que todos os cristãos celebrem juntos.

"Durante nossa visita ao Vaticano, em 2013, o Papa Tawadros falou novamente sobre o tema com o Papa Francisco em Roma", disse o bispo Angaelos, bispo geral da Igreja Ortodoxa Copta na Grã-Bretanha.

"Parece haver uma disposição entre parte das lideranças da Igreja Cristã para pelo menos avaliar esta possibilidade."

No entanto, ele admite que o caminho parece ser longo. "A dificuldade é que todos precisam sacrificar algo, pois cada um de nós tem o seu próprio jeito de calcular a Páscoa e calculamos assim por séculos", disse.

Ainda não há um cronograma e o bispo Angaelos afirma que a "tarefa é monumental". "Estamos falando a respeito com muita gente, muitas culturas diferentes, igrejas diferentes e líderes religiosos diferentes. Será uma tarefa monumental. Mas a ideia está lá."

E o que os astrónomos acham de uma Páscoa unificada? "De certo modo, a astronomia ficaria fora da equação", disse Marek Kukula.

"Ainda seria necessário regular o calendário - você ainda precisaria ter anos bissextos e ajustar segundos – mas a Páscoa deixaria de ser um feriado móvel e isto tornaria bem mais simples coisas como o planeamento de feriados escolares. Entretanto, se as pessoas vão querer fazer isso ou não, passa por uma questão religiosa."

E, levando em conta toda a história por trás da data, o debate sobre a questão ainda poderá se estender por muito tempo.

(CAROLINE WYATT, BBC)

 

NR- Caso o leitor tenha acesso à internet pode ler o texto original em

https://www.bbc.com/portuguese/geral-43558652

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