Director: Júlio Manjate

Os ataques do Irão contra bases norte-americanas no Iraque, na madrugadada última quarta-feira, aumentaram os receios de uma espiral de violência e de um agravamento da tensão no Médio Oriente.

A televisão estatal iraniana afirmou que os mísseis disparados sobre as bases norte-americanas deixaram 80 mortos. No entanto, o Presidente Donald Trump desmentiu a informação, assegurando: “Todos os nossos soldados estão seguros e as nossas bases militares sofreram apenas pequenos danos”.

Em entrevista à DW, José Pedro Teixeira Fernandes, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, afasta, para já, um cenário de guerra mundial, apesar dos riscos e do impacto que os últimos acontecimentos podem ter na estabilidade no Médio Oriente.

DW África:Depois dos ataques destaquarta-feira, muitos dos nossos ouvintes têm comentado que receiam uma retaliação dos EUA e “em dobro”. É algo que se pode esperar nos próximos dias?

José Pedro Teixeira Fernandes (JPTF): Para já, penso que, da parte dos Estados Unidos, e se efectivamente os ataques que terão ocorrido à base norte-americana no norte do Iraque não tiverem causado danos significativos, poderá não haver nenhuma reacção significativa ou resposta militar. Julgo que o Irão está, neste momento, com uma situação de necessidade de ter que dar uma resposta para “consumo interno”, no sentido em que o general iraniano Soleimani era, obviamente, uma figura muito importante do ponto de vista militar e também com prestígio grande dentro do Irão. Por outro lado, o próprio Irão fez todo um discurso de reacção, vingança e retaliação. E, nestes últimos dias, as cerimónias fúnebres e toda a emoção e sentimento nacionalista alimentou ainda mais esse processo.

DW África:Acha que o Irão poderá, em breve, avançar para uma resposta nuclear ou isso seria ir demasiado além, neste momento?

JPTF:Eu penso que isso, no imediato, está afastado. Não estou a dizer queo problema nuclear está afastado de maneira nenhuma. Mas precisamos de perceber que, mesmo no cenário mais rápido de o Irão avançar com o seu programa nuclear no sentido de enriquecer urânio e poder, efectivamente, usá-lo para fins militares, tudo indica que seria necessário à volta de um ano (para o fazer). Eu julgo que o Irão vai fazer aqui um jogo mais subtil - aliás, como foi a sua própria declaração de saída do acordo nuclear, na realidade, não fechando concretamente a porta ao acordo, (mas) dando mais um passo de saída. Porque isto para o Irão levanta também um dilema muito grande. Se, efectivamente, começar a haver essa percepção de que o Irão está a avançar decisiva e rapidamente para o enriquecimento de urânio, ou seja, a aproximar-se do programa nuclear, seria praticamente inevitável que, da parte dos Estados Unidos ou de Israel, houvesse uma resposta. E, neste momento, da parte do Irão, isso seria também extraordinariamente mau porque nós não podemos deixar de ter em conta que, se o Irão tem uma presença expressiva no exterior, na Síria, no Iraque, no Iémen, no Líbano, isso tem custos muitos grandes para o país em termos militares e de financiamento, e a sua população está também numa situação difícil.

DW África:Portanto, acha exagerado dizer-se que a morte do general iraniano, seguido deste ataque, são sinais claros de que se pode estar à beira de um conflito armado? Há quem diga até que se está perante uma possível Guerra Mundial…

JPTF: Um conflito armado não é um conflito nuclear. Se falamos num conflito armado no sentido de poderem existir acções militares mais ou menos localizadas, de retaliação de um lado e de outro, isso infelizmente é plausível e possível. Quanto às consequências para o resto do Médio Oriente e no limite para a tal questão da III Guerra Mundial, sinceramente julgo que serão muito exageradas. Obviamente que há aqui riscos e que não podemos subestimar o impacto que isto tem na estabilidade do Médio Oriente e na estabilidade internacional.

DW África:Este ataque dos Estados Unidos pode ser visto como uma espécie de manobra de diversão em ano de eleições, numa altura em que Donald Trump se prepara para enfrentar um processo de destituição?

JPTF:Este ataque terá dois tipos de explicações: uma na lógica da política interna dos Estados Unidos, e aí parte do argumento importante é esse que referia. Certamenteno cálculo político de Donald Trump pesou a questão do “impeachment”, e pesou também provavelmente o entendimento que “isto vai tornar mais difícil a tarefa da oposição democrata, numa altura em que o país está envolvido numa tensão internacional e ainda é preciso mobilizar o interesse nacional”. Mas também me parece excessivo explicar tudo por aí, porque há também aqui uma outra faceta externa que terá pesado. Os Estados Unidos têm aqui um problema também de credibilidade junto do Médio Oriente e dos seus aliados, porque (nos últimos meses)vários dos seus aliados (como a Arábia Saudita e os países do Golfo) foram afectados. E os Estados Unidos enfrentam também uma competição de influência na região, por exemplo, da Rússia. E, infelizmente, a linguagem da força conta muito no Médio Oriente. Por isso, eu interpreto isto também muito como uma tentativa da parte dos Estados Unidos e de Donald Trump de marcarem o terreno, em como continuam a ser a potência liderante e a potência que tem supremacia nesta questões.

(DWÁfrica)

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O candidato derrotado nas presidenciais da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, que impugnou no Supremo Tribunal de Justiça os resultados eleitorais, disse que a transparência e a justiça não estão comprovadas no registo de votos expressos nas actas.

"A democracia anda em paralelo com a transparência e a justiça, que não estão comprovadas em relação ao registo dos votos expressos nas actas das assembleias de voto e muito menos na transposição das actas síntese para os quadros informáticos em tratamento", afirmou Domingos Simões.

"Por isso [foi interposto] o recurso judiciário, esperando que as instâncias competentes dêem a conhecer ao povo e à nação guineense a garantia de quem de facto mereceu a preferência dos guineenses para decidir o seu destino nos próximos cinco anos", disse o candidato apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), do qual também é presidente.

Domingos Simões Pereira falava sábado a jornalistas e apoiantes numa unidade hoteleira em Bissau com o objectivo de esclarecer a submissão de um requerimento de impugnação dos resultados da segunda volta das presidenciais, realizada no dia 29 de Dezembro, pela Comissão Nacional de Eleições.

O presidente do PAIGC denunciou também que um apoiante de um candidato fez campanha eleitoral no dia da votação junto às assembleias de voto, com a distribuição de dinheiro, acompanhado de homens armados.

Domingos Simões Pereira destacou também o "excelente" trabalho da sua candidatura e directoria de campanha, salientando que o que fizeram vai resultar na sua vitória "caso os esclarecimentos sejam de facto aportados e as correcções feitas".

"A todos asseguramos o nosso firme compromisso com os valores democráticos e a nossa determinação em conhecer a verdade e respeitar a vontade do povo expresso das urnas", afirmou.

Domingos Simões Pereira entregou na sexta-feira no Supremo Tribunal de Justiça o pedido de impugnação das eleições com base em alegadas provas de fraude na votação de 29 de Dezembro, segundo fontes da candidatura.

As alegadas provas "visam demonstrar que os resultados finais foram adulterados".

Segundo os resultados provisórios apresentados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), o general Umaro Sissoco Embaló venceu o escrutínio com 53,55 por cento dos votos, enquanto o candidato Domingos Simões Pereira, apoiado pelo PAIGC, conseguiu 46,45 por cento.

 

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O Presidente eleito da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, prometeu ser acima de tudo um "homem de concórdia nacional", tendo exortado os seus apoiantes a acabar com as divergências nos seus partidos.

No primeiro discurso de vitória perante os seus apoiantes, na quarta-feira, 1 de Janeiro, numa unidade hoteleira de Bissau, Sissoco Embaló dirigiu-se particularmente a Nuno Nabian, líder da Assembleia do Povo Unido - Partido Social Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), instando-o a promover a reconciliação com os dirigentes.

Na corrida às presidenciais, a APU-PDGB dividiu-se, com parte de militantes a apoiar Sissoco Embaló e a outra parte do partido a suportar o outro candidato na segunda volta das eleições, Domingos Simões Pereira.

"Não serei um Presidente com a mão nos partidos políticos. Sou um Presidente de todos os guineenses", defendeu Embaló, um dos vice-presidentes do Movimento para a Alternância Democrática.

Ainda na senda da reconciliação, que disse ser urgente para o país, o Presidente eleito afirmou que não pretende humilhar o seu adversário na segunda volta das presidenciais e exortou os seus apoiantes a ter a mesma postura.

"Não vou humilhar Domingos Simões Pereira, se o fizer serei um homem cobarde", disse o novo Presidente guineense, salientando, porém, que haverá justiça para todos e que ninguém poderá estar acima da lei.

Umaro Sissoco Embaló prometeu exercer a sua presidência de forma intransigente com a corrupção e que no dia em que tomar posse irá apresentar publicamente os seus bens, atitude que exigirá dos futuros membros do Governo.

Os resultados definitivos serão conhecidos hoje. No entanto, nos provisórios apresentados, quarta-feira, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) venceu com 53,55 por cento dos votos, enquanto Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), conseguiu 46,45 por cento.

PEREIRA ADMITE IMPUGNAR RESULTADOS

O candidato derrotado, reagindo aos resultados disse que irá tentar impugná-los.

“Nós vamos propor a impugnação destes resultados”, disse.

"Depois de tudo o que vi, ouvi e sei, não tenho dúvidas que o povo guineense nestas eleições presidenciais deu-nos a vitória, sim. Eu não tenho dúvidas de que conquistamos a vitória nestas eleições presidenciais", acrescentou Domingos Simões Pereira.

O candidato do PAIGC sublinhou que “se tenho a convicção que o povo guineense nos dá a vitória nestas eleições presidenciais significa que os resultados provisórios agora publicados pela Comissão Nacional de Eleições estão profundamente impregnados de irregularidades, de nulidades, de manipulações, que consubstancia e une e produz que consideramos um roubo e não podemos aceitar”

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O IRMÃO de Jacob Zuma diz que o ex-presidente sul-africano sente-se traído e abandonado pelo Congresso Nacional Africano (ANC).

Em declarações ao Sunday Times, o irmão de Zuma, Khanya Zuma, disse que o partido “o abandonou”.

“Quando meu irmão é chamado de ladrão, a actual liderança do ANC nunca será ouvida a defende-lo, ele é como um estranho para eles agora”, disse Khanya Zuma à publicação.

Falando da propriedade rural de Zuma em Nkandla, Kanya disse que apenas membros simples do ANC e sul-africanos estão do lado do ex-presidente.

Por ouro lado, tocou na questão da saúde de Zuma dizendo que notou que o ex-presidente não parecia estar bem quando compareceu a um funeral familiar em Outubro.

“Só quando ele foi internado e chegou mesmo a ir para o exterior que começamos a nos preocupar (com a sua saúde)”, disse ele.

No entanto, a rádio eNCA noticiou semana finda que Zuma disse aos presentes na sua festa anual de Natal em Nkandla que estava “em forma e saudável”.

“Ouvi algumas pessoas a dizerem que ele (Zuma) foi visto num torneio de xadrez, mas que estava tão fraco que nem podia jogar. Por que não me perguntaram como me sinto? Por que escreveram algo sem me perguntar? O que há de errado? Porque tenho toda a minha força. Estou perfeitamente bem “, disse Zuma aos aldeões de Nkandla. O jornal semanal Sunday World noticiou anteriormente que Zuma estava em Cuba à procura de tratamento médico para uma doença ligada a um suposto envenenamento em 2014 e também, aparentemente, estava a lutar contra a perda de memória.

A emissora informou que, em contraste com os anos anteriores, quando várias individualidades​​políticas e de negócios eram vistos no evento, apenas ex-governador do Noroeste Supra Mahumapelo compareceu este ano. -NEWS 24

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A  violência xenófoba na Áfricado Sul, contra estrangeiros, incluindo moçambicanos, que saldou em12 mortos, segundo dados das autoridades sul-africanas e destruição de bens e propriedades neste país vizinho, é a escolha dos jornalistas do matutino “Notícias” como o acontecimento do ano, de ponto de vista negativo.

Desde 1 de Setembro deste ano, estrangeiros na África do Sul sofreram violência xenófoba, num país que os moçambicanos consideram “irmão”, dados os laços históricos existente entre os dois países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Pelos laços históricos existentes e que ligam os dois países e povos, ao nível de partilha de fronteiras, cooperação económica, processos históricos, concretamente a luta contra o apartheid, acreditava-se que a irmandade valia muito mais e que poderia ajudar na superação de qualquer que seja o obstáculo.

Curiosamente, Moçambique não fez parte da lista dos sete países que foram visitados pela missão sul-africana destacada para formalizar o pedido de desculpas das autoridades de Pretória, na sequência dos ataques  “odiosos”, no país vizinho.

A onda de violência contra estrangeiros resultou na morte de 12 pessoas, mais de 600 detidos e no repatriamento voluntário de  140 moçambicanos.

Estima-se que no total há pelo menos oito mil moçambicanos a residir na África do Sul, sobretudo, nas cidades de Joanesburgo, Durban e Nelspruit, onde contribuem para a economia local.

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