Director: Lázaro Manhiça

Limpopo: O auto-financiamento na óptica de Machatine (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

O PAÍSesteve “parado” desde Março deste ano, com o anúncio do estado de emergência, pelo Presidente da República, em razão da eclosão da pandemia da Covid-19, que assola o país e o mundo inteiro. Decorrente desta “paragem”, muitas actividades ficaram suspensas e outras condicionadas. As escolas deixaram de funcionar, mas o sector mais prejudicado foi o do turismo, com o encerramento dos estabelecimentos afins.

Nos dias que correm, longe ainda de a Covid-19 estar controlada tal como seria de desejar, a diferença entre os casos cumulativos e o número de recuperados da doença é encorajador. Aliás, por via disso algumas medidas começam a ser aliviadas, ainda que de forma tácita, como a venda e consumo de bebidas alcoólicas, a reabertura das praias, a autorização dos cultos religiosos e o regresso gradual às aulas presenciais.

Neste pacote de alívio de medidas entram as instituições públicas, que estavam a ficar atrasadas nos seus calendários, no que diz respeito aos encontros anuais, como conselhos coordenadores ou consultivos.

Para estas actividades, devido à sua generosidade turística, com paradisíacas praias, estâncias de fazer inveja, tudo isto colorido por um potencial gastronómico sem igual, a província de Gaza é o local escolhido para acolher estes eventos institucionais, sendo Bilene e Chidenguele os lugares mais procurados.

Semana passada foi bastante fértil, em termos de reuniões institucionais, com o Tribunal Supremo a dar o seu pontapé de saída, com a capacitação dos magistrados em matéria penal. Seguiram-se outros ministérios, incluindo o das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, do qual me proponho a tecer algum comentário.

É que o lema do VI Conselho Coordenador do MOPHRH, que foi “Buscando Estratégias e Opções de Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-Estruturas no País”, juntou os quadros deste sector em Chidenguele, no distrito de Mandlakazi, para, em conjunto, procurarem e encontrarem soluções para a redução do défice orçamental. E a pedagogia de João Osvaldo Machatine, não desprezando parcerias externas, estabeleceu como extremamente importante começar-se pela via de auto-finaciamento. Ou seja, o financiamento para a redução do défice orçamental deve ser local.

O ministro usou exemplos bastante elucidativos, como a não permissão da ocupação de espaços protegidos, porque o reassentamento das pessoas que tiverem construído nas zonas reservadas é bastante oneroso. Então, poupando-se esse dinheiro a instituição estará a auto-financiar-se.

A exigência de obras com qualidade é um gesto de auto-financiamento, pois a longevidade do projecto alivia os cofres da instituição, que não terá de gastar dinheiro em reparações decorrentes da péssima qualidade. O ministro deu mais exemplos de auto-financiamento, que não passam necessariamente por estender a mão, para receber valores monetários, vindos dos parceiros. Portanto, auto-financiamento é, acima de tudo, não gastar desnecessariamente.

E eu concordo com este auto-financiamento, na óptica do ministro Machatine, porque é um jogo limpo(po).

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Sigarowane: Aconteceu o sopro (Djenguenyenye Ndlovu)

 

UMAchamada telefónica de aurora faz notar uma cascata de mensagens dizendo de uma notícia que, não surpreendendo, provoca um certo abalo porque um dobrar de esquina é sempre um dobrar de esquina. Não haverá outra vez para ver até dobrar outra esquina. Não poderá, quem dobrou a esquina,outro capítulo escrever.Dobrou a esquina e fica apenas a recordação e de tempos em tempos,sobretudo nas tertúlias, que ainda vão continuar, dir-se-á dele naquilo que alindava os momentos,produzia gargalhadas de fazerem fios de água salgada descerem dos olhos já vermelhos.

Mas ele já dobrou a esquina.

Dobrou a esquina passam meses. Visitá-lo, alino seu apartamento da Filipe Samuel Magaia nos últimos tempos,equivalia a um último adeus. Acontecia abrir os olhos,mas neles só se via a morte e não se tinha vontade de lá voltar outro dia.Repugnava o sentimento de que não mais se voltaria a viver dos bons momentos com que banhava de alegria os seus amigos, a não propriamente seus amigos,mas humanos seus iguais e merecedores da sua atenção na sua missão de servir.

Há os que preferiram ficar com a imagem dos dias de teu bom humor, e eram todos, e não subiram as escadas para o apartamento da Magaia.Esperavam pelos que subiam e sempre cantavam-te.

Choravam a paisagem que lhes tiraste naquele dia que anunciaste a ida ao hospital,para uma rotina,pensou-se. Mas, afinal para não mais regresso ao convívio, ao copo de que prescindiras dias antes. Não regressaste, mas o Dadá,amoroso sobrinho, ainda deixou usufruir da esplanada por mais uns dias. Depois teve que tudo parar. Foi o fim de uma época. O início de uma grande incerteza. A incerteza da tua imensa família espalhada pelos bairros circunvizinhos de Maputo. Aquela tua família que te deu tantos e que com amor e carinho cuidaste de alimentá-los, de ajudar a alimentar. A incerteza de suas vidas começou quando chamados a ordenados antes do final do mês. Foi um terramoto!

Não havia mais nada a fazer na Filipe Samuel Magaia. Em Cascais tinhas a maninha,tinhas o cunhado, embora já não desse para gozos,mas eles se sentiriam imensamente gratos por te terem sob os seus cuidados. E Dadá para lá te levou e lá não há o que te tenha faltado. Talvez a malta cá deste lado, a sua gritaria e alegria. Mas tujá não estavas cá, já não estavas entre humanos. Vivias o teu mundo na tua imparável marcha para um jardim,que se espera com frutas mais suculentas que as dos quintais daqui, que a dos supermercados daqui porque tuviveste para mereceres isso.

E então! E então é de Cascais que mensagens dizendo da tua morte inundam o telemóvel. Os telemóveis esta manhã de segunda-feira, de bom tempo,cá deste lado do amor, falando do sopro final.

MIGUEL MORREU.O da Associação Portuguesa de Moçambique. O da tasca da AP.

Morreu Miguel Rosseau, o hoquista de todos os tempos desses portugais todos.

“Pôrra”,é a reação de muitos. “Pois, finalmente Deus se compadeceu dele”,dizem outros. “Que pena não podermos acompanhá-lo”,ainda outros.

Na mesa do Luís, tudo uma velharia á espera da hora,olham-se uns aos outros. Nada podem fazer,nem mesmo para a representação dos amigos,os amigos da tasca. Não poderá a tua família, que tanto te amou que tanto a amaste, acompanhar-te àmorada final,aos teus jardins,onde não precisarás de comer maçã,essa fruta insípida. És tropical: muitas mangas, papaias… enfim.

E em homenagem ao teu passamento, a malta em sentido de velório, que já vai longo em razão da tua grandeza, estaráalino Luís a fazer muito do que gostavas e que a malta sabe. Sem amendoins,sem castanhas,sem tapas,sim senhor,mas cuidarmos da homenagem porque te amamos muito.

Bom, isto inclui aqueles que o seu ateísmo já vai longo, a prece é que a tua alma seja recebida pelo Senhor e a guarde no seu Reino, que certamente é melhor que este.

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De vez em quando: Vestindo gabardina no Verão ! (Alfredo Macaringue)

 

ERAM   duas  senhoras com estilo característico de vendedoras ambulantes. Ambas vestiam gabardinas que,em condições normais,estariam a ser usadas em tempo de Inverno. Nas mãos traziam outras peças de vestuário e caminhavam pelas ruas da cidade,sem se importarem com o que se passa à sua volta. Conversavam animadamente e não interpelavam a ninguém, contrariamente aos outros das mesmas lides, que estariam a repetir a mesma canção apelativa: “a macasaco halenu”! (casacos à venda).

Estas duas senhoras não se dirigem a ninguém, nem param de deambular carregadas, num negócio trabalhoso, que exige muita capacidade física para palmilhar a cidade inteira. Elas fazem isso com uma leveza notável, parecendo que estão pouco preocupadas com os potenciais compradores. Mas o que eu não percebo são as gabardinas que usam neste tempo muito quente.

Decidiacompanhá-las por alguns instantes para ver o que aquela história ia dar. Desci com elas pela “Guerra Popular”. Atravessámos a “24 de Julho”, numa caminhada determinada. Parecia que estavam atrasadas. Aliás, cheguei mesmo a pensar que tinham um destino marcado, por isso continuei na escolta disfarçada para ver até  onde iam.

Na “25 de Setembro” pararam e entregaram-se a uma concertação, e logo a seguir voltaram a subir pela mesma mesma “Guerra Popular”. Foi aí que, eu já cansado de fazer aquilo que já estava sendo “trabalho de Marracuene”, decidiabordá-las. Perguntei-lhes o que significava estarem vestidas de gabardina, as duas, nesta altura do campeonato em que todos andam suados às estopinhas. Elas riram-se, parecendo que faziam chacota de um maluco.Mas logo a seguir responderam-me, dizendo que as gabardinas no corpo, reduzem o peso, para além de que dão mais nas vistas como se estivesse num cabide.

De facto aquela indumentária brilhava no corpo das mamanas. E eu lembrei-me que esta é a melhor altura de comprar roupa de Inverno. Perguntei quanto custa, e o preço que me disseram é deveras incrível. Uma gabardina daquelas, colocada num mercado justo, custaria os olhos da cara, mas estas senhoras vendem-na a preço de banana. Qualquer pessoa de bom gosto não podia resistir perante generosa oferta. Duzentos meticais é demasiadamente pouco para tanta qualidade. E o que fiz foi mandá-las tirar os dois casacos e paguei quinhentos meticais por cada um, fechando assim o negócio.

Entretanto, depois de acondicionar a encomenda num saco plástico comprado alimesmo, uma das senhoras ainda perguntou-me: “kassi wena uta hi kwini”? (afinal você vem de onde?) Era uma pergunta,até certo ponto,justificada, porque nenhuma delas esperava aquele valor, ainda por cima num período em que toda a gente diz que não há dinheiro. Mas eu achei que devia dar um pouco mais, para alegrar o coração de duas mulheres que ganham duramente o pão. Caminhando pela cidade de lés-a-lés. A pé.

Força, mulher!

 

A luta continua!

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CENÁRIO: Moçambique e África do Sul e a interdependência complexa (PAULO DA CONCEIÇÃO)

 

Em síntese, a escola da interdependência complexa defende que os Estados estão atrelados a uma ampla rede de contactos, interesses, articulações e fluxos transnacionais, mostrando a emergência de novos actores não estatais internacionais (THALES CASTRO)

 

NAactual conjuntura política internacional e em particular da África Austral, Moçambique desfruta de excelentes relações de boa vizinhança com a África do Sul, país considerado como sendo uma potência regional, não somente na nossa sub-região, como também ao nível de todo o continente.

Sendo Moçambique, um dos países mais pobres do mundo, extremamente dependente da ajuda externa e na perspectiva de receber importantes investimentos que o tornarão, a médio prazo, num dos maiores produtores mundiais de Gás Natural Liquefeito, que tipo de relações económicas  se perspectivam com a África do Sul?

Na realidade, no actual contexto, os dois Estados, ao se integrarem num bloco regional económico regional, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), parecem privilegiar um relacionamento guiado pela renúncia gradual da sua soberania, num cenário em que os actores estatais e não estatais (sobretudo os agentes do mercado) são preponderantes.

Assim sendo, poder-se-ia perspectivar uma relação, entre os dois Estados, caracterizada  por uma concorrência procurando, cada um, capitalizar as  suas vantagens competitivas, num contexto em os múltiplos actores  buscam retornos financeiros crescentes.

Todavia, este cenário ainda não é uma realidade. Com efeito, Moçambique possui uma dependência elevada face à África do Sul, tanto no que respeita aos factores produtivos, bem como nas transacções comerciais.

Os dados disponíveis apontam, também, para uma dependência ao nível do factor trabalho, derivado tanto da forte migração moçambicana para a África do Sul, bem como da menor qualificação da mão-de-obra moçambicana face à sul-africana, fazendo com que o nosso país  tenha de “importar” trabalhadores mais qualificados da África do Sul, nomeadamente para os grandes projectos de investimento (José Pereira: S/D)

Ao nível do factor capital, por exemplo, a dependência de Moçambique ainda é maior, tendo em conta não só o volume de investimentos efectuados por empresas públicas e privadas sul-africanas, mas também pelo facto desse investimento ter pouco impacto nos outros sectores da economia,  sobretudo no que respeita ao conteúdo local.

Assim, torna-se imperioso que as autoridades moçambicanas adoptem políticas que melhorem ainda mais o ambiente de negócios no país pois, dessa forma,iria se atrair mais investimento directo nacional e estrangeiro, criando empresas competitivas no mercado internacional, no geral e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Outrossim, o nosso país deve juntar sinergias com a África do Sul, procurando desenvolver os sectores onde ambos possuam vantagens competitivas que lhes permitam uma inserção vantajosa nos mercados internacionais.

Ademais, os múltiplos desafios colocados pelo processo de globalização sugerem a necessidade dos países potenciarem os seus atributos e, nesse contexto, dada a proximidade e a convergência de interesses, a África do Sul pode ser um parceiro de vital importância para Moçambique no processo de integração na economia mundial.

 

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Dialogando: Renovando o nosso agradecimento à Nampevo (Mouzinho de Albuquerque)

 

UM filósofo grego disse que a guerra surge como rejeição da razão, como afastamento de qualquer valor ético, daí que seja um mal que não devia existir entre os homens. Na realidade, a escolha militar ou da guerra como solução para,por exemplo, conflitos políticos,faz com que se cometam atrocidades que um país como o nosso não precisa.

Aliás, é o infeliz Moçambique que vem sendo, há muito tempo, vítima de ataques militares, mesmo que ergamos todos os dias os nossosolhos e braços para o céu, como que a implorar impacientemente a ajuda do poder divino ou celestial.

Será também que tal poder ainda não percebeu que este país não merece estar sempre em guerra,ajudando na sua solução definitiva?

O facto aqui é que no dia 26 de Janeiro de 2017 dissemos que agradecíamos Nampevo, por nos ter dado uma chance de passarmos no seu território em direcção à cidade municipal de Gúruè, em cumprimento da trégua decretada em resultado do entendimento do Presidente da República, Filipe Nyusi, e o então líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Dissemos na altura que o contrário seria agir com irresponsabilidade no cumprimento da trégua vigente no país.

Todavia, agradecíamos à Nampevo porque sabíamos que não era fácil atravessar o território antes da trégua devido aos ataques dos homens armados da Renamo. Graças à compreensão de Nampevo,sobre a utilidade da trégua, foi possível testemunharmos ao longo da estrada Nampevo/Ile/Guúruè, os grandes investimentos que estavam a ser realizados, principalmente na área de construção e reabilitação de pontes que atravessam a via, garantindo assim a sua transitabilidade.

É que a zona de Nampevo, cujo nome vem de um rio que faz limite entre os distritos de Mocuba e Ile, na província da Zambézia, antes daquela trégua era arriscado passar devido à presença desses homens. A zona chegou a ser “famosa” em ataques armados, o que não prestigiava os moçambicanos amantes da paz.

As más línguas diziam que Nampevo acolhia os homens armados da Renamo porque a zona nutria, fazia tempo, uma grande simpatia pelas ideologias da Renamo. E nós dissemos que quer se acreditasse, quer não, e mesmo sem recordar situações dolorosas vividas durante a guerra de dezasseis anos e depois, no reacender das hostilidades militares no país, o mais importante e que interessava a todos os moçambicanos,é que Nampevo estava a respeitar, efectivamente, a trégua.

Esta semana, voltamos à cidade de Gúruè, passando porNampevo, e o que encontramos foi a prevalência da calma e tranquilidade. Ficamos outra vez satisfeitos com a postura de Nampevo, pois entendemos que isso simboliza a necessidade que o país tem de uma paz duradoira e do retorno de esperança à vida quotidiana sem ataques militares, rumo ao desenvolvimento socioeconómico.

E porque quem agradece fortalece a confiança, esperamos que Nampevo dê exemplo a outras regiões do país onde ainda não há calma e tranquilidade, concretamente Cabo Delgado, Manica e Sofala, actualmente a braços com os ataques dos insurgentes e da Junta Militar da Renamo, a deixarem de ser palco dessas situações.

Todos sabemos que a violência armada como aquela que acontece naquelas províncias não garante a paz, pelo contrário,provoca destruições e semeia luto nas famílias.

O país precisa urgentemente da paz.

Portanto, é salutar que Nampevo continue a transmitir-nos, sem hipocrisia de qualquer índole, uma grande mensagem de que a paz, no nosso país só se pode manter através de entendimento entre os moçambicanos.

É igualmente salutar que todos moçambicanos tenham a convicção de que Nampevo continuará a defender a paz e a unidade nacional.

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