Director: Júlio Manjate

PERCEPÇÕES:  Acto de (ir)responsabilidade - Salomão Muiambo (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

É, para mim, tema de debate esta semana, a declaração algo incendiária do presidente da Renamo, Ossufo Momade, em Pemba, segundo a qual, Moçambique se arrisca a voltar para novo conflito, caso o Conselho Constitucional valide os resultados eleitorais de 15 de Outubro.

Por outras palavras, Moçambique só escapará a um novo conflito, se o Conselho Constitucional atender a reivindicação da Renamo, não importando se justa ou não. Ora, não me pareceu o mesmo Ossufo Momade que, em Agosto e Setembro últimos, abraçou, calorosa e efusivamente, o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, depois de ambos terem concluído e assinado os acordos para a cessação definitiva das hostilidades e de paz definitiva, respectivamente.

Em Pemba, Momade vestiu-se a “general do exército” para declarar guerra contra o seu próprio país e contra o povo que a 15 de Outubro passado manifestou a sua vontade política nas urnas. Uma vontade porém, que Momade pretende distorcer, antecipando-se, ao veredicto do Conselho Constitucional, órgão a quem compete validar e mandar publicar os resultados finais da votação.

Com este acto, Ossufo Momade “demite-se” das suas responsabilidades como líder de um partido histórico e com pesada responsabilidade no que a paz e reconciliação nacional diz respeito. Mais ainda, Momade conduz-nos à conclusão de que o recrudescimento da violência armada, no centro do país, pode ter a sua mão, servindo de ensaio para o empurrar do país a uma nova guerra, caso o Conselho Constitucional valide os resultados eleitorais, conferindo vitória esmagadora à Frelimo e seu candidato presidencial Filipe Nyusi.

Ossufo Momade deve ter em mente que é seu dever, entanto que responsável da Renamo, arcar com as consequências decorrentes do incitamento à violência, tal como o fez esta semana no comício de Pemba, ao declarar publicamente que “se quiserem salvar Moçambique, estas eleições devem ser anuladas”.

Para sustentar as suas posições, Momade acrescenta que a Renamo não está interessada na guerra, mas ao mesmo tempo adverte que a Renamo não tem medo da guerra, dando a entender que a desencadeia desde que os resultados parciais das eleições começaram a ser divulgados.

Ultrapassa a dezena o número de cidadãos mortos na sequência de ataques levados a cabo por homens armados da Renamo na região centro do país. São actos da (ir)responsabilidade de Ossufo Momade e de seus correligionários.

Muito longe de me imiscuir em assuntos internos desta organização política entendo que o melhor acto de responsabilidade que Momade assumiria seria demitir-se das suas funções porque, na verdade, não conseguiu conduzir o seu partido a bom porto nas últimas eleições gerais.

É que com a sua conduta, mais do que resolver as queixas de sempre, relacionadas com as irregularidades e a violência no decurso do processo eleitoral, desemprego, corrupção, entre outros males de que o país enferma Ossufo Momade empurrará o seu partido ao precipício e Moçambique e o seu povo a viverem perpetuamente na pobreza.

Até para a semana!

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De vez em quando: Ximatana! - Alfredo Macaringue

 

 

XIMATANA é uma mistela de bebida tradicional de baixíssima qualidade muito consumida por gente pobre do subúrbio. Gente que, não tendo dinheiro para comprar uma cerveja bem gelada, envereda por este recurso para matar o tempo e as mágoas. É uma via  encontrada para juntar as pessoas, e dessa forma, fazer amizades que nem sempre são duradoiras. Aliás, vezes sem conta, aqueles festivais são acompanhados de palavrões e manguitos, amenizados, mesmo assim, por canções que acabam sendo cantadas por todos, sem muita gritaria.

Maputo é fértil em focos de concentração desta índole, que já tomou o estatuto de ritual. Geralmente são as mesmas pessoas que vão para ali. Conhecem-se uns aos outros, pelos nomes. Mesmo assim, cada um demarca o seu território, fazendo valer o carácter, porque a força física é escassa, tomando em conta que a bebida já deu cabo de quase todos eles. Ninguém tem capacidade de esgrimir qualquer murro que seja.

Uma das características dos locais onde se bebe ximatana é o silêncio geral. Você pode passar perto e não dar conta de que ali está-se a beber. O segredo é que à medida que as doses vão aumentando no consumo, mais incapazes se tornam os actores, para articular palavras. Eles já chegam debilitados, com dificuldades para se locomover, tremendo de alto a baixo, e pensam que bebendo, podem-se reabilitar. Mas enganam-se. Quanto  mais bebem, mais frágeis ficam. Então chegam ao ponto de usar apenas os gestos para comunicar.

Fany Mpfumo também bebia nesses lugares, misturando-se com as pessoas que o idolatravam, e muitos deles eram aqueles bêbados inveterados. Aliás, grande parte dos soldados pertencentes a esses exércitos, já morreram, vítimas do álcool impiedoso, que se torna mais mortífero por cair em corpos mal alimentados. Mesmo assim, eles não recuam, morrem em combate. E os que fermentam esse veneno não querem saber, o que lhes importa é o dinheiro.

Se você por ventura passar por esses sítios ao final da tarde, vai reparar que muitos dos consumidores já estão em coma. A dona de casa tem que gritar para expulsá-los, porém nem sempre consegue. Alguns ficarão ali até a madrugada, e quando despertarem, vão pedir mais uma. Ninguém sabe aonde é que eles arranjam dinheiro, porque não trabalham. Olha-se para eles, e com muita pena vamos notar que são autênticos maltrapilhos. Não têm eira, nem beira.

Mas a  ximatana é um dos símbolos dos marongas. É a nossa tradição, porque eu também sou maronga, e orgulho-me por isso. E se já bebi essa “coisa” ou não, vamos deixar o debate para um fórum apropriado. Por enquanto, ficam estas palavras de dor profunda, em ver meus compatriotas caminhando para o precipício. Sem poderem fazer nada por eles próprios.

A Luta Continua !

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DIALOGANDO: Não afugentem turistas da Ilha de Moçambique! - Mouzinho de Albuquerque

 

Já dissemos aqui que nos sentimos satisfeito com o êxito que tem sido e a mais-valia que representa para o nosso país a cidade da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, declarada património mundial da humanidade em 1991 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Não nos parece que alguém tenha dúvida sobre isso. Até porque, segundo temos ouvido em conversas de ocasião, há consciência generalizada por parte dos que visitam a Ilha de Moçambique que esta cidade, a primeira capital do país, continua a defender os nossos valores históricos, as nossas tradições, os nossos hábitos e costumes, como o fez há séculos.

Mas, para alguém como nós se sinta mais satisfeito, numa zona como aquela, que é importante para a promoção do desenvolvimento do turismo, é preciso que as importantes infra-estruturas daquele património, que constituem também o chamariz de gente de todas as partes do mundo, estejam em melhores condições. Estamos a falar de hotéis, restauração e locais de alojamento.

E a Ilha de Moçambique tem essas condições, fruto do esforço visível que está sendo feito não só por parte dos operadores turísticos, como das próprias autoridades governamentais, visando a reabilitação da maior parte delas (infra-estruturas) que se encontravam em ruínas, bem como a construção de outras novas no âmbito dos grandes investimentos feitos ao sector do turismo.

E por falarmos do turismo naquela ilha, dizer que escrevemos estas linhas estando neste mesmo património e, embora nos sintamos satisfeitos por estar cá e encontrarmos algumas coisas boas, desta vez constatamos uma situação que nos deixou um tanto quanto apreensivos, relacionada com o facto de muitas crianças que se fazem de forma frequente, de mendigos, estarem a “incomodar” turistas, principalmente estrangeiros que visitam aquela região, pedindo apoio disto ou daquilo.

É verdade que os turistas precisam de respeito e, sobretudo, carinho de gente local, também brincando com eles, já que, do que temos visto, eles não estranham a ninguém, mesmo a pessoas que se lhes aproximam, ainda que esfarrapadas. Mas, entendemos que já é tempo de pôr “travão” a este tipo de “incómodos” aos turistas, para que um dia isso não os afugente e depois ficarmos por cá a lamentar pela falta de clientes nos hotéis, restaurantes e locais de alojamento.

“Gosto muito de visitar a Ilha de Moçambique, principalmente neste tempo em que se aproximam as festas do Natal e do Fim de Ano. Mas, há vezes em que fico irritado com uma situação estranha que tem a ver com algumas pessoas que querem estar ao lado dos turistas estrangeiros pedindo apoio em alguma coisa, principalmente dinheiro”, observação de um turista.

Por outro lado, sabemos que negócio é negócio e o contexto financeiro actual está a fazer com que se torne mais oportuna à prática dessa actividade, devido à chegada massiva dos turistas à llha de Moçambique, mas não nos parece que esse facto deva levar a que se pratiquem preços exorbitantes nos bares, restaurantes e outros locais onde se confeccionam alimentos. Isso pode ser outro factor que possa afugentar os visitantes e assim comprometer-se a colecta de receitas no sector do turismo de que a ilha muito depende.

Por isso, voltamos a reiterar aqui que o papel interventivo dos residentes e, principalmente, dos operadores turísticos é tão imprescindível na correcção de situações anómalas que possam surgir e pôr em causa o desenvolvimento do turismo, pois, o tempo é outro. Com efeito, não basta pensar que a actividade turística seja boa, torna-se necessário para daí se tirar todos os benefícios, civismo e profissionalismo para o engrandecimento da zona onde se pratica essa actividade.

Contudo, desta vez ficamos satisfeitos por constarmos também que alguns operadores da Ilha de Moçambique têm estado a fazer entender a todos os turistas e outras pessoas que somos um país rico. Não tanto em dinheiro ou bens materiais, mas pela nossa história, experiência de vida sacrificada em tempo de crise e, sobretudo, na valorização do que é nosso. A necessidade de um melhor atendimento numa casa de pastos, hotel e restaurante é fundamental para um turismo eficaz.

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Retalhos e Farrapos: Não há Internet para África (Concl.) - Hélio Nguane

Colocou a cabeça para funcionar. Percebeu que estava longe da terra que o viu nascer. Olhou para o horizonte, viu a falta de caos, percebeu as milhas que o separam da cova e relaxou. Instantes depois ficou tenso, rebolou na cama, mordeu a almofada e soltou um grito de raiva, que causou arrepios aos companheiros do quarto. Olhou para o relógio e percebeu que estava na capital, mas não em Taleex.

Levantou-se da cama, olhou para o universo que o rodeia, tomou banho e vestiu um fato de treino de uma marca americana. Gargalhou ao recordar do fracasso americano, sentiu-se forte, um somali que derrubou um helicóptero com uma pedra. Viu-se Golias reencarnado e aceitou com leveza os olhares de estranheza que via na rua.

Entrou na pastelaria, posicionou-se no caixa e começou a contar. Viu um jovem franzino a entrar, reparou que ele trazia um laptop. Reparou para ele a escrever e aguardou até ao momento em que pagaria a conta. Viu as moedas e calculou o troco para entregar. No final, deu um adeus.

Fechou os olhos e imaginou-se na Somália a escrever cartas.

Um chefe monitor

Mussá Mohamed acordou, fez o Salat. Olhou para os seus filhos que estão em Maputo. Teclou com os seus familiares além-fronteiras. Sorriu, ao compartilhar momentos de alegria com os seus conterrâneos. Entrou para o carro e foi monitorar a sua pastelaria. Sentou-se, olhou para a vassalagem dos seus trabalhadores e sentiu-se mais chefe. Olhou para os poucos clientes, mesmo assim sentiu-se mais empresário, pois, o dinheiro mensal já tende a ser o mesmo.

Olhou com desdém para o jovem franzino, que teclava no laptop, nem se deu ao trabalho de reparar  para a atenção que os serventes davam ao jovem. Viu ele a sair, mesmo assim continuou indiferente, pois a Internet estava rápida.

E eu?

Como já disse, a Internet para mim estava lenta. Tive que fazer das minhas para enviar o texto. Reparei para todos da pastelaria e até vesti a sua alma.

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Timbilando - O incubador de malformações congénitas: Alfredo Dacala - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

HÁ umas semanas, os portugueses estavam revoltados contra um médico obstetra que dizia sempre para as mulheres grávidas, que lhe consultavam, que a gravidez delas estava indo “bem” e não tivessem motivo de preocupação. Acontece, porém, que elas deviam ter muitos motivos de preocupação, uma vez que a sua gravidez estava a incubar malformações congénitas.

Ao que parece,o obstetra não conseguia ler uma simples ecografia de uma criança por nascer. Dizia que tudo estava certo, enquanto nasciam crianças sem rosto, sem ouvidos, sem forma nenhuma.

Uma vez disse a uma mulher que estava “tudo bem com ela, que não se preocupasse, enquanto essa mulher tinha ali dentro da barriga uma criança com duas vaginas e dois tubos rectos.

Nasciam também crianças sem pernas, continuando a meninar-se mesmo aos oito anos de idade. As pessoas continuam a admirar-se por nascer-lhe crianças que deviam ser normais, como dizia o médico, e não eram e admiravam sobre o que estaria a acontecer com a medicina.

A Ordem dos Médicos detectou então que uma parte dos profissionais filiados precisava de adquirir competências no que respeita à leitura dessas ecografias de obstetrícia, para ver se a criança está bem ali na barriga da mãe ou não.

Daí programou imediatamente uma formação para essa matéria, de modo a sossegar as mães que andava aflitas com o que estava a acontecer com elas, visando actualizar a classe em relação aos procedimentos a tomar em relação à matéria.

Era de facto preciso fornecer aos médicos uma formação específica para aquilo, de modo a deixar mães e pais mais descansados sobre isso, com os profissionais a adquirir uma aptidão específica para o efeito.

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CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Bento Baloi

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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