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Director: Lázaro Manhiça

Belas Memórias: A festa docasamento (ANABELA MASSINGUE-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

DEPOIS do namoro, que podia resultar de um encontro da farra lá do bairro, vinham casamentos, envolvendo jovens da mesma área residencial, e ou de outras zonas, onde um coração podia ter batido mais forte. Porque nem todas as festas aconteciam em casas de eventos, os quintais acolhiam as cerimónias que não deixavam de ter sua pompa e circunstância, dentro do contexto em que decorriam.

Não há dúvidas que na actualidade e, sobretudo, no meio urbano estamos acostumados a outras formas de celebrar o amor de duas pessoas. É bonito de se ver, sobretudo quando o investimento não se resume apenas em festa e glamour. É pois, nestas ocasiões que, os casados de outros contextos sócioeconómicos chegam a concluir que não se organizaram ao pormenor e inspiram-se para algo diferente e melhor, na celebração das suas bodas.

Mas porque os casamentos da época a que me refiro (década de 1980) aconteciam geralmente ao domicilio dos nubentes, salvo excepções a forma de abrilhantar era também de uma forma peculiar. Sem cantores renomados, ou mesmo banda musical. Não havia espaço para humoristas muito menos declamadores profissionais, a não ser os que iam intercalando os cânticos lá da zona.

Eram por intermédio daquelas meninas e meninos escorraçados nas farras, por serem de tenra idade que muitas vezes acontecia a animação da festa, sob orientação de uma mana da zona mais habilitada no canto. Com ela ensaiavam-se as mais lindas canções, poesias e abrilhantava-se a festa.

As mais crescidas também tinham muito espaço para exibir alguns números prenhes de mensagens educativas sobre vida a dois. Alguns mais preparados chamavam um grupo de Makwaela lapidado lá no bairro ou solicitavam os mais experientes que actuavam em “grandes celebrações”.

No canto afinava-se as vozes para valer. A poesia podia ser escrita e ensaiada ou repetição daquela que teria dado sucesso num outro casamento, declamada por alguém extrovertido e, por conseguinte, admirado. Muitas vezes sem nenhuma revisão linguística, por ser resultado de algo que passou de ouvido para ouvido. O que contava era a exibição bem feita e os aplausos que o declamador podia arrancar dos presentes.

Os ensaios aconteciam numa casa. Geralmente duravam semanas ou meses até se aferir o nível de prestação desejada. As letras das canções eram conselhos de apelos para o abandono às farras, apesar de, em certos casos, terem sido elas a porta para a realização do matrimónio.

A decoração das casas que acolhiam o evento tinha e continua a ter como marca, a colocação de um arco feito de palmeiras à entrada da casa e com algumas flores de buganvílias violetas. Esse era um sinal inequívoco de que nessa família houve um ou uma filha que deixou a casa dos pais seguindo o que mandavam as regras costumeiras: casando.

A retirada do arco obedece ou obedecia a um ritual, que era pretexto para para mais um convívio. 

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CA DA TERRA: Uma brevidade entre os anguni (Osvaldo Gêmo-osvaldoroque0371ɕgmail.com)

 

VOLTEI, quinta-feira passada, àAngónia, Tete, onde não punha os pés desde o Recenseamento Geral da População e Habitação, de 1997, e encontrei os mesmos traços de então:aalegria e vitalidade de um povo trabalhador que não verga perante as adversidades.

Abençoados pelo clima e fertilidade da terra, os anguni fundaram aqui o seu império e usam da habilidade no cultivo da terra, que lhes é peculiar, para dela tirar o seu sustento, em culturas como batata, feijões, milho, amendoim e outras como o tabaco.

Angónia é, na verdade, uma corruptela adoptada para se referir ao povo anguni, que habita a região desde os anos 1825/1840. Reza a história que este povo, originário da Zululândia, na África do Sul, teria migrado em razão do Nfecane, para se fixar nas margens do rio Limpopo, direcção também tomada por Sochangane, o Manicusse, com quem se desentenderam e acabaram demandando terras mais à norte de Moçambique.

Por volta de 1825, os anguni atravessaram o Zambeze para se fixar nas terras férteis do que é actualmente a Angónia, mantendo, no entanto, a identidade, os traços culturais e suas tradições, incluindo a posse de gado da raça nguni, popularizado na região.

Desta vez voltamos para fazer um percurso quase completo, desde a fronteira com o distrito de Tsangano, à Dómuè, passando por Lifidzi, onde se ergue a majestosa missão que leva o nome do povoado.

Atravessamos este território numa altura em que decorre a colheita, que demonstra um ano quase perfeito, a avaliar pelos celeiros cheios nas comunidades e o ritmo com que se entregam à comercialização dos excedentes.

São terras onde a população está a viver estes momentos com bastante frenesim, chegada a hora de colher o resultado do esforço de vários meses. Também é o período que os povoados junto a este trajecto de estrada de terra, que vai até ao cruzamento de Daka, em Chiúta, tal é o caso de Dómuè, Chipindo ou Mpulo, registam um elevado fluxo monetário, em razão da comercialização dos excedentes e também do tabaco.

Apesar do fluxo de dinheiro que estas regiões têm registado o apego às tradições e à magia negra faz com que a maioria não invista na opulência, sendo que muitas das casas continua a ser de adobe, apesar de popularizada a queima do tijolo.

O momento das colheitas também impulsiona os casamentos na região, pela simples razão da disponibilidade de alimentos usados para a festa e dos derivados usados para produzir a Pombe, uma bebida bastante apreciada pelos Anguni.

Para além das habituais oferendas para os familiares da noiva e dinheiro da gratificação, o noivo também é colocado à prova, que passa por desbravar uma porção de terra, indicada pelos pais da futura esposa, para demonstrar que tem capacidade de cuidar da sua amada e da sua futura prole.

Os Anguni têm demonstrado ser um povo vencedor, pela capacidade que tem de superar os obstáculos e pela diversidade das suas manifestações culturais que perduram há várias gerações. Os dois dias de temperatura amena que passamos no planalto de Angónia, também acabaram por ser bastante gratificantes pela riqueza de experiências vividas. 

Um ditado local diz que “o dono da terra não treme”. Nós também não trememos.

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QUANDO vi Emmanuel Macron, Presidente da França, a ser esbofeteado por um homem no meio da multidão à qual o próprio Macron saudava efusivamente, lembrei-me das palavras de Dudú, meu amigo. Ele dizia que o mundo está a desabar. A bofetada que foi dada a um presidente inteiro, só pode significar isso mesmo: o mundo está a desabar!

Mas este episódio é apenas um pedaço de todo um conjunto de acontecimentos que nos fazem acreditar numa tragédia que está próxima. Não se dá bofetada a um presidente, ainda por cima em público, mas Macron foi submetido a essa humilhação. Porém, ele também já nos tinha humilhado num encontro recente, em que os presidentes africanos foram chamados à Paris para discutir problemas de África. E o juiz para tomar todas as decisões sobre o nosso rumo, foi ele mesmo, o Macron, e nós aceitamos.

O mundo dá muitas voltas, e no meio desta rotação do globo há sinais que vão acontecendo sem conseguirmos interpretá-los. Um deles é este, da bofetada na cara de Macron. Mas aqui mesmo, em Moçambique, nossa pátria amada, estão a ser anunciados projectos nos quais ninguém acredita. Continuamos a ser esbofeteados por promessas duvidosas. Ninguém acredita porque já nos prometeram muitas coisas cujos resultados até hoje não vimos, isso significa que já não temos confiança em nós mesmos, e se não temos confiança em nós mesmos, não temos confiança no futuro.

O Município de Maputo veio dizer-nos que dentro de algum tempo teremos transporte urbano com veículos pendurados nos postes a semelhança de grandes cidades mundiais como Tóquio, no Japão. Maputo sonha ser como Tóquio, e para muitos isso só pode provocar uma gargalhada. Ninguém acredita nisso. Já nos prometeram coisas muito mais simples e não fizeram. Agora, sobre essa loucura de transporte aéreo, há quem diga que o melhor é esperar para ver.

Maputo está uma lástima, em muitos sentidos, incluindo o sistema de transporte e saneamento do meio. Para mudar as coisas é preciso audácia por parte daqueles que foram colocados à frente. Porém, ao que parece, há muita corrupção a corroer o nosso sonho, o sonho de termos uma cidade civilizada e moderna. Aliás, o facto de continuarmos a ser conduzidos em carrinhas de caixa aberta, já por si só, significa um sinal bastante preocupante. Estamos muito atrasados, com tendência a regredirmos cada vez mais.

Um dia, Gabriel Jr., apresentador da TV Sucesso, perguntou ao Azagaia porquê que ele andava vestido a militar e ele respondeu nos seguintes termos: “estamos em guerra!” Como se fosse normal vivermos em guerra.

As grandes potências, nomeadamente a China, a Rússia e os Estados Unidos da América, dormem com o dedo no gatilho. Os generais franceses já avisaram que a França caminha para uma guerra civil. Então, todos estes acontecimentos significam alguma coisa. Podem querer dizer, isso sim, que o mundo está a desabar. Ou estamos a espera de outros sinais mais pesados!?

A luta continua!

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MUITAS vezes acontecem coisas que nos fazem repensar as nossas atitudes perante a vida. Vemos que não compensa muito ficar à espera do momento certo para fazer certas coisas como, por exemplo, escrever uma crónica da vida de uma velha e patriota curandeira.

O facto aqui é que, Malinha Covarelela, é idosa e muito conhecida curandeira nascida algures no distrito de Malema, na província de Nampula, que apesar da sua idade avançada, felizmente, continua a apresentar um aspecto que expressa excesso de felicidade e leva alegria e patriotismo como estandartes.

 Ela tem mais de oitenta anos, completados em cada 8 de Junho. Até porque toda a aldeia onde nasceu nunca esteve longe de imaginar um ambiente de alegria e reconfortante que o seu aniversário cria, em que se lembra uma longa experiência de uma curandeira nata. Em que as pessoas mais íntimas, recordam o bom e nostálgico tempo de convivência com ela.

Aliás, todo o ano, no mês de Junho, acontece um ritual aberto às pessoas não familiares da curandeira, chamado moquinta. Neste ano, infelizmente, o ritual teve a característica de acontecer num momento em que o país enfrenta a Covid-19. Contudo, valeu o rito, pois aproveitou-se a ocasião para implorar o Criador da terra e dos céus, para libertar a humanidade deste mortífero bicho.

Curiosamente, entre todas as coisas que continua a gostar de amar se encontra a família, a pátria revolucionária e sua gente. Ela se sente realizada na sua longa e, em algum momento, misteriosa e angustiada vida de curandeira, por ter salvo muitas pessoas da sua aldeia, ao longo do seu curandeirismo, recorrendo a forças misteriosas. 

O seu corpo cansado ainda vibra e o seu espírito renasce ou rejuvenesce quando faz rir aos demais, sobretudo, em ambientes de conversa e do trabalho que faz, onde, na sua maneira característica de improvisar, deixa todo o mundo boquiaberto. Isso por ela ter nascido quando a sociedade era mais humana, em que tudo era respeitado, porém, a mulher moçambicana era submissa devido, em parte, à colonização, minimizada com a chegada do tempo revolucionário, no dia 25 de Junho de 1975.

Quando era criança sempre estava em casa. Foi uma pequena obediente e estudiosa na escola primária. A inteligência da Mainha Covarelela fez com que ela escapasse das palmatórias nas escolas onde frequentou. Quem viveu no seu tempo lembra-se que palmatória era uma régua em que, antigamente, pais,  particularmente professores, castigavam crianças, batendo-as com ela na palma das mãos, quando não soubessem alguma coisa na sala de aula. Porém, Covarelela sempre teve o desassossego ou desejo de ser curandeira.

Aliás, muita gente da sua zona sabe que ela sempre se dedicou aos estudos na escola, mas que sempre teve esse desejo, por isso hoje não tem o sentimento de culpa pelos erros do passado, que poderão ter impedido que ela fosse uma professora ou profissional doutra área.

Ela continua uma pessoa muito normal na sociedade. Não se queixa de nada, trata de resolver sempre que tiver um problema. Contudo, não gosta de acudir ninguém, embora haja muitas pessoas que dão a mão.

Entretanto, a idosa lamenta que hoje não existam valores como amor ao próximo, a compaixão, a honestidade, a confiança, o respeito, a paciência, a tolerância, a igualdade e fraternidade, para que tenhamos uma sociedade mais saudável, como nos seus tempos. Lamenta igualmente que hoje, depois da independência,o propalado patriotismo, não seja traduzido na dedicação e compromisso com o país, sendo o factor de desenvolvimento.

As pessoas demonstram ganância desmedida pelodinheiro, envolvendo-se na prática de actos ilícitos, mesmo aquelas que se consideram patriotas e muito fizeram para o bem deste país, manchando a sua imagem revolucionária.

Desde há muito, Covarelela teve a visão, de que os que servem a pátria sãos os que não a invejam e não conspiram. Mas ensinam, esforçam-se, discutem, praticam a justiça, a admiração, a solidariedade e entusiasmocomo ela.

Para ela, a convivência na sociedade humana depende muito de pilares fundamentais em que se baseia a construção de um desenvolvimento almejado por todos, designadamente o respeito pelos feitos das gerações mais velhas, como ela, a preservação das conquistas alcançadas com sacrifício, e não a corrupção e guerra e outros males, que sendo curandeira sempre trabalhou para quenão existissem no seupaís que ama tanto. Que tenha mais anos de vida, curandeira Mainha Covarelela!

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ESPECIAL? Hoje descobri que és comum. Mesquinha, rancorosa e emotiva. E como qualquer outra, tens o corpo como de qualquer outra. Teus pensamentos são semelhantes aos de qualquer mulher que passa na rua. Tuas dúvidas, essas é que são só tuas.

Descobri que te coloquei asas, pintei-te com pincéis divinos. Cobri-te de qualidades da Mãe de Cristo e tu te apropriaste com agrado. No fundo é o que achas que és. Bom para ti, pois como já li, não sei aonde, somos aimagem do que pensamos que somos.

Hoje vi tua malícia sem cometeres maldade nenhuma. Senti que as fronteiras que separam as mulheres prendadas e as devassas são frágeis, pois os desejos são vestes que todos seresn humanos guardam no seu íntimo. Vivem para exteriorizá-los.

És uma presa sedenta de predador. Queres ser devorada. Teu íntimo sabe disso. Tua boca mente para ouvidos alheios, mas eu sei o que o seu corpo quer. Sei...

És mulher como qualquer outra. És uma fêmea. Queres esse macho. Odeias isso, tua

mesquinhice prova que sim. Provocas, queres ser notada. Tuas armas são comuns, todas fêmeas têm.

Mas porque eu estou aqui a gastar meus dedos para essa mulher qualquer? Simples, sei que em meus braços serás especial. Serás única. Serás fêmea, mas não uma fêmea qualquer. Serás devassa, mas não uma devassa qualquer. Serás mulher, mas não uma mulher qualquer. Serás especial, o que fará de ti minha mulher.

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