Director: Lázaro Manhiça

Sigarowane: Uma taça de vinho - Djenguenyenye Ndlovu

MANO velho, estranhamente, mas estranhamente mesmo. A tua irmã veio me cantar a história dos benefícios do vinho tinto para a saúde, sobretudo quando bebido com regularidade, pôxa! Reparou nos meus olhos e notou da minha incredulidade do que ouvia. Claro que eu não duvidava do conteúdo do discurso, tão-somente não acreditava que as palavras estivessem saindo da boca dela, ainda dia anterior a uma senhora rebocada não pôde escapar. A razão: suposto consumo de vinho em demasia num dia em que simplesmente tinham sido apenas duas taças. Nem sequer generosas.

E então da rebocada cuidaram o colchão e as mantas, que tão rapidamente a abraçaram para acordar de tudo esquecido. Já era outro dia. Mas a passagem pelo bar e a visualização da garrafeiratrouxe àmente o dia anterior e avivou o desejo, mas reprimi-o.

Olha para mim, certamente recordada de últimas conversas. Concentrou-se no celular e em tão poucos segundos o meu assinalava a entrada de uma mensagem qualquer. Era dessa febre de WhatsApp e não liguei, não abri, como nunca o faço sempre que tenho alguma coisa de importante a fazer. Apenas para evitar indisposições a que tal por vezes sujeita. Estava para comer e nesse dia não era apenas o habitual feijão. Tinha um pedaço de boa carne, mais ou menos do tamanho da minha palma da mão. Ora, como isto é raríssimo na minha dieta, não seriam os WhatsApp a perturbarem. Comi e fiquei, curiosamente, com vontade de mais. Mas aquela é a dose diária àquela hora.

Pôrra da vida!

E justo agora que até a netada tem os seus para a cuidarem.

Puxei pela taça de vinho tinto que estava um pouco acima do prato, à direita. Levei-a aos lábios e um generoso gole percorreu aos goelas e foi-se alojar onde quis. Não tardou que as minhas pálpebras denunciassem o desejo de estarem fechadas e com os músculos relaxados. Abandonei a cabeceira da mesa e me atirei à rede comprada aquando de um incidente que me deixou arrumado por três meses sem poder me locomover devidamente. Com dor, sim, mas três doces meses alindados pela presença de amigos com conversa estimuladora animada pelas produções vinícolas. Trinta minutos depois era o despertar e a taça tal como a deixara, estava pela metade. Levantei-me e sentado na rede, um gole foi despejado na boca,pus-me de pé e espreguicei. Ainda dei uns passos até a outra ponta disto que chamo sala de comer e regressado, foi o resto do conteúdo da taça misturar-se com os feijões e as carnes e os repolhos… bebi um copo de água que estava junto à taça. Com os dentes tratei de raspar a língua, mas não pergunte, caro leitor, porque o fiz e se desse raspar saiu alguma coisa. Posso dizer que não se seguiu cuspo nenhum.

Peguei no celular e tratei de ver a mensagem: falava então dos benefícios do vinho, os mesmos de que eu vinha cantando como justificativa da minha afeição por esta bebida poética. Pena mesmo é que este vídeo tenha aparecido quando já é visível a dificuldade de acabar uma taça ao almoço sem aquele longo intervalo jiboiante.

Olhei para a tua irmã e comecei a rir-me ao mesmo tempo que puxava pelo decante para mais uma dose e foi quando disse que falam de uma taça. Uma taça é para principiantes como tuque te deves iniciar nisto. Precisas para uma cura mais saudável, como visto, disse eu todo impante.

A taça não demorou e com a alegria de não mais rebocadas, entrei no carro e fui ficar ali, debaixo de zincos em dia de canícula e não bebi vinho. Foi para ouvir e mandar umas bocas, rir rasgadamente com aquela malta saudável sem ter que olhar para os lados, como nesse lugar de gente de outra fina.

Mais nada me seduz debaixo do zinco.

Depois vou aí ter, no Naval e nessa doce esplanada vou malhar uma a duas insulinas antes de me recolher.

Pois,mano velho,os WhatsApp são, de certo modo, libertadores e nesse sentido é razoável estimular o uso das redes sociais. Se tiveres algum stress com a maninha, caças um desses putos IT”s,dás a ideiadeque eles espalham no teu interesse. Ah… tens que dizer ao puto para montar bonecos menos escuros, que esses são a fonte de todo o mal que, amiúde, graça a humanidade.

E já não peço a taça de vinho.

E então é um momento de exaltação, mano velho.

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