PHC

Director: Lázaro Manhiça

TIMBILANDO: Bouquet contaminado (Alfredo Dacala)

HAVIA uma cerimónia de casamento em casa duma noiva ali, em Sikwama, na Matola. A coisa aconteceu há pouco tempo, agora que há uma espécie de confinamento social por causa da pandemia da Covid-19. Porém as pessoas pareciam esquecidas das medidas de segurança em tempos desta pandemia, como máscaras, distanciamento social, uso de álcool em gel e evitar aglomeração de pessoas.

Se as pessoas já agiam assim, como se já estivessem numa naturalidade das antigas, era difícil impor qualquer tipo de regras sobre a Covid-19. Logo muito cedo começaram a surgir os primeiros vizinhos, que foram convidados para a cerimónia de modo a cozinhar alimentos para aquele casamento. Ninguém vinha com máscara alguma.

Quando chegou a mestre de cerimónia, próximo do acto nupcial, lá para as 12.30 horas, exigindo a colocação da máscara, houve uma cerrada correria para a compra dessas peças de protecção na farmácia da zona, notando-se depois apresença de cerca de 50 mascarados no alpendre montado na casa para assistir à cerimónia de casamento.

De repente, pelo menos havia ali 50 mascarados naquele alpendre, especialmente construído para a cerimónia nupcial de registo civil. Quando eram 13.00horas foram compostos o distanciamento social das pessoas e o uso das máscaras, que na chegada não se viam. Já começaram a ser visíveis quando a cerimónia se compunha.

Então, assim o ambiente se compôs para esta cerimónia oficial e para o acto religioso que se seguiu. Tudo era bonito até à altura em que a conservadora tinha ido embora, bem como a pastora do acto, depois da cerimónia religiosa.

O dono da casa se levantou então e disse para toda a gente ali presente: - isto de máscara só me dá calor. Eu não estou para máscaras. Quero ficar assim em liberdade! A ideia de liberdade contagiou muita gente, afinal quem não queria ser livre e mandar à fava as regras sanitárias.

Daí começou o festival do arrancar da máscara e da bebedeira, tal como só jovens sabem beber e esquecidas que foram todas as regras. Ninguém ali já falava de máscaras, de distanciamento social e do lavar as mãos, regras que se haviam tornado normais para a mais comum das comunidades. A festa já ia bastante animada, quando a noiva se atirou ao palco. Queria fazer o habitual lançamento do bouquet para as meninas solteiras. O DJ quis primeiro animar toda a gente, alinhando as músicas que na altura estavam a dar, isto é, que estavam na moda.

A coisa animou mais a malta, que se foi aglomerar junto ao palco, dando como se costuma dizer às ancas em animado convívio. Quando já eram cerca das 23.45 horas, não se conseguia notar quem estava lúcido ou não. Quem andava direito ou há muito se entortara. Foi num momento destes que a noiva, também fora de si, decidira lançar o tão almejado bouquet das solteiras. A meninada havia já ido ao palco para se perfilar. Diz-se que isso de receber bouquet nos casamentos dá sorte de se despachar para o matrimónio, para quem ainda é solteira.

Depois de ameaçar o lançamento do bouquet, este só voaria, de facto, à sétima tentativa. Ela lançou a coisa para os céus nessa altura. As meninas sem máscaras e bastantes aglomeradas disputaram grandemente o referido bouquet.

O mesmo, afinal, ficara nas mãos de Esmeralda, que ficou muito satisfeita, pensando na sorte que lhe caíra de logo poder casar. Não imaginara que afinal arrastara a doença para casa. É que além dos cerca de dez membros da sua família, incluindo o pai e a mãe, terem contraído o vírus do coronavírus, o mesmo já andava pelo bairro, num contágio comunitário. Descobriu-se mais tarde que o bouquet atirado naquele casamento estava contaminado, facto que contagiou bastante gente. Ninguém ali não se contaminou, facto que criou um grande pandemónio na zona.

Num ambiente de descriminação que geralmente existe nos bairros, começaram a chamar aquela casa de “casa do corona” e não queriam nenhum contacto com nenhum elemento daquela família, mesmo depois de todos os elementos se terem recuperado daquela doença.

Esta família aprendeu a lição e passou a ser uma das mais regradas da zona em termos de medidas de prevenção, pelo que a chamada 2ª vaga, bastante mortífera, verificada a partir de Janeiro, não a atingiu. Já estava muito prevenida e alguns elementos da mesma passaram a ser activistas contra a doença maligna.

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