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Director: Lázaro Manhiça

DIALOGANDO: A verdadeira abordagem jornalística… - Mouzinho de Albuquerque

UM especialista em comunicação disse que o jornalismo não é um circo para se exibir, nem um tribunal para julgar, nem um posto para inaptos e vacilantes, senão um instrumento de informação verídica, ferramenta para pensar, criar, para ajudar o ser humano no seu eterno combate por uma vida mais digna e menos injusta onde ele vive.

Porém, não parece haver consciência, sobretudo dos nossos governantes, de que o jornalismo é como uma luz que vai inspirando a nossa mente, descobrindo e mostrando o bom que sucede nas nossas sociedades, mas também o imperfeito da obra humana. Na realidade, um dos papéis mais importantes que a imprensa pode cumprir hoje é promover a reflexão, incitar análises da população, dos trabalhadores, dos estudantes, dos próprios jornalistas, ajudar a resolver os problemas concretos que a sociedade tem.

O jornalismo instrumentalizado já nos fez muitos danos e ainda nos faz neste país. Claro que é um problema generalizado em quase todos os países. Parece ser uma cadeia, uma coisa que arrasta e pesa muito.

Uma das maiores e antigas reclamações do jornalismo moçambicano é ter mais abertura e independência, não só das fontes de informação, como no tratamento e diversidade de temas.

E hoje o contexto social obriga os actores, particularmente políticos,a adoptar certas dinâmicas comunicativas que ajudem o nosso jornalismo a não ser,em algum momento, muito leal, inconsequente e continue a estar persignado por uma concepção deformada do seu fazer em tempo também da democracia multipartidária e de conflitos armados como os que nos assolam actualmente.

É que alguns pensam que a pauta do jornalismo moçambicano está traçada há muitas décadas. Por isso, apoiam a falta de profissionalismo que se observa em alguns órgãos de comunicação social, a contínua propaganda política. Esse pensamento não pode ser eterno se queremos um jornalismo livre e plural, sempre comprometido com a causa da sociedade.

Urge a necessidade de reflectirmos sobre a realidade jornalística do país, na perspectiva crítica, claro, argumentada. Não é bom para o nosso jornalismo que as relações com as fontes de informação continuem sempre oficiais, fazendo com que ele (jornalismo moçambicano) ainda seja um jornalismo militante e não empenhado, efectivamente, com o destino do país.

Não é e nunca será bom exemplo para o jornalismo ouvirmos e vermos um governador provincial a fazer avaliação sobre a abordagem dos órgãos de informação em relação aos acontecimentos que se registam no país. Aliás, não terá sido bom exemplo de valorização do nosso jornalismo que alguém que assume essa função (governador) tenha dito que, no caso do ataque à vila de Palma, houve um único órgão televisivo público que fez a abordagem verdadeira sobre essa incursão, e os outros desinformaram. Claro que num país como o nosso, onde há liberdade de opinião, cada um pode dar a sua opinião sobre determinados assuntos que mexem com a nação, como é o caso vertente.

Mas, avaliar ou ajuizar com seriedade e responsabilidade sobre o papel do jornalismo moçambicano actual, tendo em conta suas funções, nível profissional de quem o exerce e expressão final em produtos comunicativos, tem de se ter em conta, logo à partida, sobretudo neste caso de ataques, vários factores susceptíveis de constituírem propaganda política.

É necessário que os governantes políticos não esqueçam que o jornalismo é um instrumento para o reforço da democracia multipartidária, da tolerância, diversidade de ideias, opiniões e da liberdade de pensar. O que quer dizer que isso só é possível quando o jornalismo exercido é respeitado e compreendido pelo poder instituído, no âmbito da consolidação das bases do Estado Democrático de Direito, em que é necessário garantir também a liberdade de expressão e pensamento não só dos jornalistas, como também de outras pessoas.

Saibamos, igualmente, que a verdadeira abordagem jornalística de um assunto, como este dos ataques em Cabo Delgado, exige, dos actores, principalmente políticos e governantes, a tomada de atitude construtiva ou que permita que os jornalistas, quer dos órgãos de informação públicos ou privados, façam o seu trabalho de forma imparcial, eficaz e credível. Façam o seu trabalho sem condicionalismos no interesse geral.

Contudo, predomina confiança na nossa profissão. O ambiente tem sido positivo. Os profissionais do jornalismo têm sabido interiorizar cada constrangimento ou dificuldade que encontram no desempenho da sua função, cada demora das respostas das fontes de informação, ou cada complicação burocrática que perdura como erva daninha, na perspectiva de fazerem abordagem verdadeira dos assuntos candentes.  

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

Administrator: Rogério Sitoe

Administrator: Cezerilo Matuce

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