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Director: Lázaro Manhiça

Cá da terra: A Madrinha (Osvaldo Gêmo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

JOELMA e Fina conheceram-se no ensino secundário e desenvolveram uma amizade umbilical, de um amor profundo. Esta amizade representou para as duas um acordar para uma vida nova, o que passou pela aceitação das fraquezas e pontos negativos de uns e outros.

Sentiam que estavam em dívida uma com a outra, algo que não acontece com frequência nos dias de hoje. A sociedade em que vivemos não nos ensina a sermos verdadeiros amigos, talvez seja esta a razão deste tipo de companheirismos ser tão raro.

Pelo contrário, a sociedade actual ensina e incita à competição, ao domínio, ao poder, à agressividade, considerando que quem possui essas qualidades e as pratica é verdadeiramente válido, justo, honrado, digno de respeito e de admiração.

Joelma e Fina aceitaram a amizade como coisa séria. Sabiam preservar o que nutriam uma com a outra e celebravam-na diariamente, regando-a e rejuvenescendo-a. Viviam a amizade sabendo ser-se amigo.

Quando Joelma teve a sua primeira filha, que já conta quatro anitos, não hesitou e apontou Fina como madrinha da pequena Jovita.

Esta amizade floresceu como algo singular, radical, daquelas que parecem basear-se numa receita prescrita por um médico. Por tão rica e bela, acabou por contagiar os familiares de Joelma e de Fina.

Afinal é porque o destino, esse que prega partidas, tinha escrito que não demorariam a se separar, pelo menos fisicamente. Joelma faleceu há sensivelmente seis meses, deixando a filha, de quatro anitos.

A madrinha conta que a pequena Jovita, inicialmente, dizia que a mãe foi para o céu, mas, ultimamente, repete que o caixão da mãe está na terra e que a finada está no seu coração.

Foi quando percebi que todos nós precisamos de ajuda. De entender a morte e as suas infinitas consequências sobre os que continuam na fila. 

Acontece que tudo o que sentimos, o que vivemos, de repente pode se desvanecer, como quem desliga, tira o sopro.

Brincar, falar, sonhar, estar contente, gostar da filha e do esposo, dar beijos, cantar...tudo isso vai.

Nos falecimentos vemos parentes que só encontramos em casamentos e velórios. A morte tira a beleza da vida, leva os detalhes, apaga a pessoa, deixa mágoas e recordações.

Jovita ainda guarda as recordações do momento em que se despediu do corpo da mãe. É uma sensação estranha, própria de quem enfrentou uma situação irremediável.

- Colocaram minha mãe numa caixa grande, e puseram num buraco e taparam. Minha mãe está no céu. Vovó disse que um dia todos nós vamos morrer. É verdade? - Questionou a pequena sem receber uma resposta.

Com o tempo e as chuvas, o caixão e o corpo viram terra em que cresce o capim, os sapos fazem os seus ninhos e as árvores se sustentam. As lembranças essas, resistem com o tempo e vão se tornar o fermento, o suporte para que possamos continuar vivos.

A pequena Jovita vive com a madrinha desde a morte da mãe faz cerca de seis meses. O compromisso e a amizade de Joelma e Fina perdura, por via de Jovita que é tratada com carinho e amor, tão necessário para uma criança de tenra idade. Fina continua a dar amparo a afilhada, que tanto se apegou a ela.

Infelizmente, a sociedade consumista que estamos a construir faz com que as pessoas se interessem mais pelas coisas que pelos indivíduos e já não vemos amizades tão genuínas e profundas que nem esta.

Há tendência de usar as relações humanas para maltratar, depreciar, intimidar, dominar e escarnecer dos outros. Tendemos a cultivar e a distinguir os aspectos mais frágeis e mais indefesos de uma pessoa para usá-los a nosso favor.

Há muitas pessoas que acreditam que são as únicas que tem uma vida difícil. Esquecem-se que a vida é difícil para todos. Ninguém fica de fora. É ao enfrentarmos e tentarmos resolver os problemas que a vida adquire significado.

Os problemas dão-nos coragem, tornam-nos conscientes e responsáveis. Infelizmente, se não os enfrentamos e se não os superarmos, eles acabam por nos trazer sofrimento, frustração, dor, tristeza, solidão, medo, sentimento de culpa, complexo de inferioridade, ansiedade, angústia e desespero.

É por tudo isto que os seres humanos tendem a fugir-lhes, fazem de tudo para não os enfrentar, para os negar, para não os verem, para os mandarem embora.

Quem não sofre com os problemas não consegue crescer. Jovita vai crescer e vai poder enfrentar os problemas da vida tal como eles são. Ainda bem que tem a madrinha por perto para lhe encaminhar, para que possa traçar o seu próprio destino.   

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