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Director: Lázaro Manhiça

Belas memórias: Pequenos e grandes trabalhos (ANABELA MASSINGUE-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 DEPOIS de um fim-de-semana marcado pela passagem do 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, não resisto à tentação de evocar, em jeito de reconhecimento, o esforço daqueles que, não estando a exercer profissões tradicionais e formais, do nada fazem coisas que contribuem para o crescimento do país. 

Sãomuitose,neste espaço,procurarei trazer apenas um exemplo dostantos que todos possamos conhecer.

Numa das minhas andanças profissionais quis o destino que fosse dar a um empreendimento num bairro periférico de Maputo. Ouvia a fama desse lugar pelo que se produzia e do impacto que essa produção estava a ter no seio dos apreciadores que eram de todos os status sociais: homens,mulheres, jovens, adultos, moçambicanos e até estrangeiros já tinham no lugar uma referência.

Para uma Reportagem completa, como mandam as regras, procurei a mentora do empreendimento, uma mulher anónima, humilde diga-se, uma humildade que esteve patente do principio ao fim da nossa conversa.

Não frequentou nenhuma faculdade para ser profissional habilitada ao ponto de gerar emprego para outras pessoas envolvidas no processo de produção na sua micro-empresa.

Mulher de meia idade, a senhora só tinha nas mãos a  arte de fazer e bem, segundo os apreciadores, uma bebida feita à base de farinha de milho e açúcar que, pelo menos no sul do país, é denominada Maheu.

 De uma ocupação “do nada” criou  postos de trabalho e emprega gente que dela depende para garantir o sustento das respectivas famílias. É a Maheu inicialmente feita a partir de um quilograma de farinha que hoje gera algo como centenas de quilogramaspor dia, para além de responder às necessidades de toda a cadeia de produção gerada pelo empreendimento: preparação, manuseamento, energia, transporte, refrigeração, distribuição, etc.

Para além daquela mulher procurei perceber ainda mais do seu trabalho, ouvindo as colaboradorase uma das  filha que também é parte da empreitada.

Foi há 10 anos mas guardo comigo a primeira reacção da filha da mulherempreendedora: “Eu aprendi a valorizar qualquer trabalho”, disse-me e sustentou que do trabalho,aparentemente desprezível aos olhos de algumas pessoas, viu muita coisa a acontecer que mudou a vida da sua família e dos que com a sua mãe trabalham e sempre acreditaram.

Ela foi exemplo de buling na escola e apelidada de maheu. Chegou a desencorajar a mãe, debalde. A Maheu deu tão bem e continuar a dar ao ponto de gerar uma pequena  empresa com perspectiva de crescer, tendo como colaboradores, a vários níveis, os filhos que,entretanto, formaram-se e incorporaram-se na gestão.

Os que tentaram nivelar otrabalho daquela mulher por baixo, viram-se vencidos com o seu sucesso e como saída buscaram outra forma de colocá-la fora dos carris,  acusando-na de ombrear com o obscuro, para alegadamente conquistar o sucesso. Nem a nova afronta abalou-a e continuou a sua luta com mais garrae determinação.

 A lição que deve ficar para todos é,ao meu ver, a necessidade da valorizarqualquer actividade que os outros exercem,pois,não existe grande e pequeno trabalho, desde que ele seja feito com afinco, determinação, foco e honestidade,pode catapultar qualquer um, do catador de lixo a engenheiro formado numa academia. O 1º de Maio acaba sendo, por esta via, a data de todos e bem-haja os que trabalham.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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