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Director: Lázaro Manhiça

Cá da terra: Decisão acertada - Osvaldo Gêmo(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

CHEGOU a vez de internarem o Anselmo. João e Penina acharam por bem que esta seria uma oportunidade para o filho, que espreitava agora a adolescência, amadurecer, ser responsável, buscar a  independência, obter auto-confiança e aprender que é capaz de ter iniciativa e saber se relacionar com os outros.

As expectativas que os pais tinham depositado no único filho, até então não tinham sido correspondidas. Anselmo somava a terceira reprovação no ensino geral, pese embora os pais tenham lhe proporcionado todas as condições, incluindo um explicador que batia à porta da casa do casal todos os dias, para encaminhar o Anselmo à busca da ciência.

Aos 13 anos, Anselmo recebeu o seu primeiro smarthphone e ao invés de capitalizar a ferramenta, esta se tornou instrumento de gozo. Ficou conhecido na escola como o “tik-tok”, que não hesitava em exibir para os colegas mesmo em plena aula.

O caldo entornou quando Anselmo, o rei do bullying, foi arrolado entre os patrocinadores de álcool e usuários de estupefacientes no recinto escolar, sendo que duas colegas do seu círculo foram parar ao hospital com a alma em fuga.

Desta vez não houve contemplação. Os pais estavam exaustos. O modelo de autoridade rígido, predominante na casa de João e Penina não estava a resultar e o conflito com a mentalidade democrática da juventude estava por demais evidente. Os pais tinham perdido, claramente, o papel de iniciadores do saber e o exercício da autoridade. Havia que inculcar maior responsabilidade ao Anselmo, para aprender a valorizar mais a família e também os estudos.

Ao chegar, seus olhos arregalados revelavam espanto e ansiedade. Não era susto, nem medo, porque já tinha apanhado tanto que os castigos já não lhe faziam diferença. Seu pai, sem emoção deixou-o, virou as costas e se foi…

Para os pais, a separação do filho estaria ligada a mudanças desejáveis nas atitudes e valores. Os pais reconheceram a incapacidadede lidar com a situação e estavam na expectativa de que o internato, como um novo contexto e com novas relações, poderia fazer a mudança que se esperava no Anselmo.

A sua adaptação não foi diferente dos outros meninos. Todos tinham histórias tristes e difíceis, mas alguns, como Anselmo, pareciam acomodados na sorte que lhes coube. Causou estranheza aos colegas o facto de Anselmo ter-se feito ao internato com cinco malas de roupa, de tal jeito que até acabou por ocupar o cacifo do colega, por falta de espaço no seu. Habituado que estava a ser servido, não sabia lavar e a roupa contida nas malas seria a sua salvação.

No internato, Anselmo encontrou a autoridade e o controle que pareciamperdidos.As luzes dos candeeiros já haviam sido apagadas pelas 20.00horas e todos deviam estar nas camas a dormir. O chefe do internato fiscalizava as camas e a ordem. 

Anselmo não só recebeu formação, como também desenvolveu vínculos afectivos e amadurecimento pessoal, por via do convívio com pessoas diferentes e com situações que exigem cooperação, solidariedade, identidade grupal, intimidade e autonomia para administrar a própria vida.

Tal ficou por demais evidente quando, numa noite de inverno, um incêndio deflagrou na camarata onde se achavam Anselmo e os colegas. Todos os pertences destes queimaram.

Até que chegasse a encomenda dos pais, Anselmo viveu da roupa do corpo, uma camisete e um par de calças que lhe foi oferecida por colegas de outras camaratas. As circunstâncias obrigaram-no a frequentar a lavandaria.

No internato, Anselmo aprendeu a conviver com quem não queria, não possuía o direito de escolher os companheiros de quarto, ou de comer o que desejava.

Nos três anos seguintes, finalmente fez o nível e prosseguiu os seus estudos com distinção, sendo apontado como um dos jovens promissores na carreira de engenheiro de construção civil que decidiu abraçar.

João e Penina são as pessoas mais felizes porque souberam tomar a decisão certa no momento certo.

PS: Um estudante envolvido no caso de Bullying, em Ressano Garcia, foi expulso da escola, por força de um regulamento interno, abrindo o debate sobre a acertividade ou não da medida e o papel da escola na educação dos petizes.

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