PHC

Director: Lázaro Manhiça

Sigarowane: Mazambanine (Djenguenyenye Ndlovu)

 

NOS últimos vinte e dois anos viu-se na obrigação de exercícios físicos, caminhadas diárias (à excepção daqueles dias em que as circunstâncias não deixavam) e, de repente, uma dor atroz o levaria aos serviços de saúde e, por cima dela, alguns analgésicos. Minimizaram mas ela estava já instalada na mente. Na verdade, o assunto era sério que foram necessários exames e exames de solicitação de três especialistas de velho relacionamento da carcaça. E o medo começou a governá-lo, mas tão cedo passou: olhando para trás, muito pouco ou quase nada havia a fazer à frente. Fazia já tempo que depois das caminhadas matinais, os remédios e os chás, se dedicava à leitura de livros antigos, os ofertados em recentes celebrações de aniversários, cada vez menos participados por amigos. Não por conta da pandemia, mas porque esperam-no mais à frente. Fica navaranda ou por baixo da mangueira a conversar com os sobrantes velhos amigos. Então, por isto o medo não tinha ali lugar. Aliás, seria uma questão de aceitar a nova situação. E já estava, mesmo antes de acontecer.

E bom, ela veio sorridente. Levaria a quase imobilismo por três semanas e de presença diária nos serviços de saúde. Por hora ou pouco mais, sim, mas presença diária que custava, por aí, três horas. Era obra.

Os amigos vinham. Diziam do que não podia viver. Diziam de mais um amigo que morreu. Do outro que podia morrer de um dia para o outro. Da incerteza de mais dias de vida para todos. Na cama, ia dizendo de si para si (não se vestia de roupas com botões), “o próximo podeser eu, no seu pensar”.

 Pôrra, de como a morte constante banalizou a própria morte, crê-se que assim dizia o Marcelo Panguane, por estes dias exilado nos campos de Boane. Isso naqueles tempos de ódio, que afinal ainda não morreram. Tempos de ódio cantou-os Almeida Santos, parando muitas vezes para pensar.

Os velhos livros ficaram esquecidos, mas substituía-os a TV, muitas vezes irritadiça, com os comentadores desta vida. Alguns, claro. Mas quando chegam esses momentos, o sono cai célere para consolar.

Já quase a completar as três semanas é  liberado sob alguns condicionalismos, a algumas extravagâncias, como caminhar se tornou depois de décadas de prática.

Poderia ter sido (o início) num sábado, mas temia que pudesse dar em algum transtorno e fosse capaz de participar de um faustoso almoço de anos de um velho amigo. E queria participar.

Então, o início foi no domingo. Coisa de quilómetro ou pouco mais. Algum tempo e depois uma curta viagem de visita a um campo de cultivo de um amigo que o espevitara o desejo com uma caixa de tomate deixada em sua casa a setecentos meticais.

Campos bonitos de tomateiros bem carregados, o pimento já na fase de colheita. De alho e de pepino em crescendo.

Em Mazambanine são camiões a carregar e no Zimpeto são camiões a descarregar.

Fez umas caminhadas (a pimentadas de comentários e explicações) ao longo dos canteiros de cada cultura e nenhum transtorno na sua estrutura óssea.

Um belíssimo espaço para um dack em um lugar verde. E os lírios de encantar. E com sorte, a tilápia sacada do habitat para o lume dos ramos secos das árvores que abundam.

 Não. Não pode, o viver, ser só de leitura de livros antigos, conversar com velhos amigos à espera da segurança social debaixo de uma mangueira, mesmo nos tempos de sem mangas. Não.

 

Regressou à casa com alguns pimentos num plástico. Estes custaram os comentários de admiração e de incentivo. Ele que não é encontrável nas manhãs dos sábados, nas manhãs dos domingos. Porque em Mazambanine.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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