Director: Lázaro Manhiça

MUITAS vezes acontecem coisas que nos fazem repensar as nossas atitudes perante a vida. Vemos que não compensa muito ficar à espera do momento certo para fazer certas coisas como, por exemplo, escrever uma crónica da vida de uma velha e patriota curandeira.

O facto aqui é que, Malinha Covarelela, é idosa e muito conhecida curandeira nascida algures no distrito de Malema, na província de Nampula, que apesar da sua idade avançada, felizmente, continua a apresentar um aspecto que expressa excesso de felicidade e leva alegria e patriotismo como estandartes.

 Ela tem mais de oitenta anos, completados em cada 8 de Junho. Até porque toda a aldeia onde nasceu nunca esteve longe de imaginar um ambiente de alegria e reconfortante que o seu aniversário cria, em que se lembra uma longa experiência de uma curandeira nata. Em que as pessoas mais íntimas, recordam o bom e nostálgico tempo de convivência com ela.

Aliás, todo o ano, no mês de Junho, acontece um ritual aberto às pessoas não familiares da curandeira, chamado moquinta. Neste ano, infelizmente, o ritual teve a característica de acontecer num momento em que o país enfrenta a Covid-19. Contudo, valeu o rito, pois aproveitou-se a ocasião para implorar o Criador da terra e dos céus, para libertar a humanidade deste mortífero bicho.

Curiosamente, entre todas as coisas que continua a gostar de amar se encontra a família, a pátria revolucionária e sua gente. Ela se sente realizada na sua longa e, em algum momento, misteriosa e angustiada vida de curandeira, por ter salvo muitas pessoas da sua aldeia, ao longo do seu curandeirismo, recorrendo a forças misteriosas. 

O seu corpo cansado ainda vibra e o seu espírito renasce ou rejuvenesce quando faz rir aos demais, sobretudo, em ambientes de conversa e do trabalho que faz, onde, na sua maneira característica de improvisar, deixa todo o mundo boquiaberto. Isso por ela ter nascido quando a sociedade era mais humana, em que tudo era respeitado, porém, a mulher moçambicana era submissa devido, em parte, à colonização, minimizada com a chegada do tempo revolucionário, no dia 25 de Junho de 1975.

Quando era criança sempre estava em casa. Foi uma pequena obediente e estudiosa na escola primária. A inteligência da Mainha Covarelela fez com que ela escapasse das palmatórias nas escolas onde frequentou. Quem viveu no seu tempo lembra-se que palmatória era uma régua em que, antigamente, pais,  particularmente professores, castigavam crianças, batendo-as com ela na palma das mãos, quando não soubessem alguma coisa na sala de aula. Porém, Covarelela sempre teve o desassossego ou desejo de ser curandeira.

Aliás, muita gente da sua zona sabe que ela sempre se dedicou aos estudos na escola, mas que sempre teve esse desejo, por isso hoje não tem o sentimento de culpa pelos erros do passado, que poderão ter impedido que ela fosse uma professora ou profissional doutra área.

Ela continua uma pessoa muito normal na sociedade. Não se queixa de nada, trata de resolver sempre que tiver um problema. Contudo, não gosta de acudir ninguém, embora haja muitas pessoas que dão a mão.

Entretanto, a idosa lamenta que hoje não existam valores como amor ao próximo, a compaixão, a honestidade, a confiança, o respeito, a paciência, a tolerância, a igualdade e fraternidade, para que tenhamos uma sociedade mais saudável, como nos seus tempos. Lamenta igualmente que hoje, depois da independência,o propalado patriotismo, não seja traduzido na dedicação e compromisso com o país, sendo o factor de desenvolvimento.

As pessoas demonstram ganância desmedida pelodinheiro, envolvendo-se na prática de actos ilícitos, mesmo aquelas que se consideram patriotas e muito fizeram para o bem deste país, manchando a sua imagem revolucionária.

Desde há muito, Covarelela teve a visão, de que os que servem a pátria sãos os que não a invejam e não conspiram. Mas ensinam, esforçam-se, discutem, praticam a justiça, a admiração, a solidariedade e entusiasmocomo ela.

Para ela, a convivência na sociedade humana depende muito de pilares fundamentais em que se baseia a construção de um desenvolvimento almejado por todos, designadamente o respeito pelos feitos das gerações mais velhas, como ela, a preservação das conquistas alcançadas com sacrifício, e não a corrupção e guerra e outros males, que sendo curandeira sempre trabalhou para quenão existissem no seupaís que ama tanto. Que tenha mais anos de vida, curandeira Mainha Covarelela!

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