Director: Lázaro Manhiça

XIGOVIYA: Um panegírico à solidariedade (ARTUR SAÚDE-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

O TERRORISMO que se observa desde Outubro de 2017 em Cabo Delgado, Norte de Moçambique, provocou mais de 2000 mil mortes e pouco mais de 800 mil deslocados para vários pontos de Cabo Delgado e de outras províncias moçambicanas o que ocasionou o espírito de solidariedade com as vítimas, através de entidades diversas (individuais e colectivas) para a sua assistência e estreitamento das relações sociais, sem se esperar qualquer retribuição à posterior. Aliás, o princípio de solidariedade ocorre desde a época dos grandes filósofos da antiguidade da Grécia e, desde tal princípio, tem sido estudado como uma forma de unir não só os indivíduos entre si, mas também a sociedade, em um sentimento de fazer bem ao próximo. Portanto, deve ser entendido como um valor moral, ético e jurídico. Moral em razão da generosidade que deve haver ao próximo individuo. No contexto africano, uma sociedade sustentada pelos pilares de respeito e da solidariedade faz parte da essência “ubuntu” que, traduzindo para o português, seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com “ubuntu” tem consciência de que é afectada quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos. Portanto, logo que o terrorismo assumiu contornos complexos, a Diocese de Pemba, por exemplo, lançou uma iniciativa “Juntos por Cabo Delgado” que visou angariar mantimentos, roupas e cobertores para vítimas dos ataques no norte de Moçambique. Os apoios, em dinheiro ou géneros, têm crescido e são canalizados às paróquias e dioceses moçambicanas incluindo secretarias da Universidade Católica de Moçambique. Outras instituições seguem o mesmo exemplo, embandeirando-se o valor ético com relação à cooperação entre os indivíduos, apesar das suas diferenças, mas também, desenvolvendo a caridade, a tolerância e a compaixão, manifestações imprescindíveis para a profundidade da solidariedade. A Voluntários Anónimos de Moçambique (VAMOZ) ajudou na criação de condições de localização para que cerca de 4 mil famílias vítimas de Palma voltassem a comunicar-se. A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), com o apoio da Cruz Vermelha Portuguesa e da Embaixada de Portugal em Moçambique levou uma campanha de solidariedade que consistiu na elaboração dum vídeo para a sensibilização da opinião pública com vista a obtenção de recursos financeiros para o apoio às vítimas. Recentemente, em Luanda, Angola, no encerramento da 13.ª Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebello de Sousa doou 2.2 milhões de meticais do “Prémio José Aparecido de Oliveira” que lhe fora atribuído pela CPLP às vítimas de terrorismo no norte de Moçambique. São alguns casos ilustrativos de entidades que procuram materializar o sentimento solidário com as vítimas deste mal. É o que se deseja e deve continuar, pois, a nossa geração, é sem dúvidas, a mais desenvolvida. Criamos diariamente novas tecnologias, podendo nos comunicar com gente de todos os lugares do mundo, em intervalos de segundos. Em minha opinião, essas conquistas deviam nos tornar mais unidos como nunca, mas a verdade é que talvez nunca estivemos tão afastados. Quer dizer, os celulares e os computadores transformaram-se em nossos esconderijos, isolando-nos diariamente de outras pessoas, substituindo o toque físico, o acolhimento e o amor através de telas, sem percebermos o quanto isso é prejudicial nas nossas vidas. O egoísmo e o individualismo começam a fazer parte do que somos, influenciando directamente a nossa qualidade de vida. Vive-se uma geração egoísta, em que as pessoas são incapazes de se colocar no lugar do outro. Não há dúvidas de que a experiência solidária, paracom as vítimas do terrorismo de Cabo Delgado ajuda-nos bastante a encarar os que nos rodeiam não como concorrentes ou inimigos que temos que derrotar, mas sim como irmãos e amigos. Temos que recuperar os valores que nos transformam em pessoas melhores, valores que tem a ver com a humildade, respeito e compaixão. Precisamos de olhar para nós mesmos e para os outros, não como pessoas diferentes, mas sim como seres semelhantes que podem enfrentar dramas similares, e contribuir, reciprocamente, para a superação dos mesmos. Temos que entender que as “guerras ideológicas” contra as outras pessoas, baseadas em aparências, conquistas e realidades de vida só nos tornam mais infelizes e isolados. Nascemos para viver em comunidade, sendo para isso necessário aprendermos como tratar a nós mesmos e as outras pessoas. Temos que abandonar o senso de superioridade e sermos capazes de olhar as almas de outras pessoas, andando de mãos dadas. Neste aspecto o terrorismo em Cabo Delgado traz-nos uma bela, embora dolorosa lição.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Presidente: Júlio Manjate

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