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Categoria: Opinião & Análise
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SALINA de “pedra de lume” – é uma das praias mais atraentes do continente africano, por as pessoas acreditarem em lendas seculares, segundo as quais quem lá mergulha rejuvenesce 50 anos.

Ela localiza-se na cidade de Santa Maria, na Ilha do Sal, em Cabo Verde, que esta semana se tornou muito mais pequena para acolher ilustres figuras, entre Chefes de Estado e de Governos, idas de vários cantos da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP).

Oito dos nove Estados-membros juntaram-se, ao mais alto nível, nesta cidade para tomar decisões importantes sobre a vida da organização nos próximos dois anos, em que a presidência passará a ser assumida por este país insular. 

Uma das questões que atraiu a atenção de todos é a mobilidade de pessoas e mercadorias no espaço da organização, nomeadamente Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-bissau, Guiné Equatorial, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste ‒ este não se fez presente porque a deslocação de entidades representativas para fora do país depende da autorização do parlamento local, que não anuiu.

Tratando-se de um evento tão importante, por movimentar Chefes de Estado, tudo foi preparado com esmero para o sucesso do encontro considerado histórico e de viragem na CPLP, uma vez tratar de matérias tão sensíveis como a livre circulação de pessoas nos países membros, tendo em conta que estes estão conectados a outras agremiações que não têm que ver com os falantes da língua portuguesa.

Para garantir a segurança dos participantes, os anfitriões destacaram mais de 200 agentes da Polícia Nacional, coadjuvados por elementos das Forças Armadas, cujo número, embora não tenha sido revelado, era considerável a avaliar pela presença em cada esquina, pelo menos, no perímetro da conferência.

Aos visitantes está garantida a protecção sem motivos de reparo, ao ponto de duas jornalistas que decidiram fazer a sua caminhada matinal, antes de o sol nascer, se terem apercebido da presença de um carro policial que as seguia, discretamente.

Porém, o mesmo esmero já não aconteceu em relação às condições de trabalho dos mais de duzentos jornalistas credenciados para garantir a cobertura do evento. Alguns experimentaram verdadeiros momentos de “stress” para levar as suas actividades a bom termo.

Embora a CPLP tivesse disponibilizado uma linha de Internet gratuita, esta acabou por “vergar” à pressão exercida pelos “homens e mulheres da pena”, que lutavam a todo o custo por difundir a informação nos seus países sobre o decurso da conferência, para além dos que simplesmente “navegam” no facebook, WhatsApp, entre outras redes sociais.

Entretanto, se alguns não descansavam enquanto não obtivessem “o sinal da Internet”  outros enfrentavam  a tensão característica do momento de acesso à informação. O desespero era tanto que aquando da chegada de um Chefe de Estado os jornalistas corriam de um lado para o outro a fim de recolherem alguma declaração de ocasião. Foi assim na chegada de José Mário Vaz, da Guiné-Bissau. Uma jornalista da RFI gritou lá do perímetro onde estava confinada a impressa: “oh presidente, presidente, o senhor não vai falar connosco, não? Estamos aqui…” enquanto ele caminhava, rodeado pelos membros da sua delegação e da segurança, até desaparecer pelo corredor do hotel Hilton, onde decorreu a cimeira.

Confesso que fiquei estupefacta, pois ainda que seja amigo, um presidente é sempre um presidente. “Oh presidente, fale connosco…”. Enfim, são os “ossos” da nossa arte.

Delfina Mugabe