HISTÓRIAS E REFLEXOES: De volta à “Samora Machel”  (Eliseu Bento)

 

ESTA semana, o “Noticias” publicou na sua página dedicada à cidade da Beira, uma reportagem dando conta que um grupo de antigos estudantes da Escola Secundária e Pré-universitária Samora Moisés Machel decidiu aderir a um movimento destinado a pintar e a melhorar o visual da instituição, muito desgastado pelo tempo.

Fiquei altamente maravilhado com a ideia tanto mais que sou também antigo estudante da ″Samora″ onde passei quatro anos, tirei a minha nona classe e fiz naturalmente, muitas amizades, algumas das quais ainda vão atravessando os tempos até aos dias que passam.

Foi na ″Samora″ onde tive os primeiros contactos com o texto literário, tipo “Nós matamos o Cão Tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana, “Viragem”, de Casto Soromenho, “Portagem” de Orlando Mendes, “Cacimbo”, “Os Espinhos da Micaia”, de Eduardo Paixão e outros.

Tudo isso induzido por um senhor das letras que andava por lá, professor de Língua Portuguesa, chamado José de Matos Neves, mais conhecido por Matos Neves, responsável até pelo nascimento de alguns escritores da praça.

Lembro-me, por exemplo, que Matos Neves não era muito de fazer testes e provas formais. Matos Neves, isso sim, exigia que cada um fosse ler alguma obra à sua própria escolha sobre a qual devia depois elaborar um ficheiro para ser então avaliado.

Os dessa geração que passaram pela “Samora” lembram-se certamente de Matos Neves, também um homem do desporto, concretamente do karaté.

Mas como o meu apanágio neste espaço tem sido tentar contar histórias vou aqui trazer uma que vivi ou vivemos na “Samora Machel” em 1980.

Curiosamente, é uma história que se passou na “Samora Machel”, com o filho de Samora Machel!

Nesse ano, realizavam-se os Jogos Olímpicos de Moscovo e a comitiva moçambicana iria integrar Netwane Machel, da natação, juntamente com outros craques na altura como Raimundo Franisse, Edgar Martins, Pedro Cruz e mais alguns cujos nomes não me ocorrem.

Como na altura a única piscina olímpica em Moçambique era a do Ferroviário da Beira os seleccionados nacionais vieram fazer a sua preparação para essa competição precisamente na Beira. E, entre eles, apenas o Edgar Martins vivia nesta cidade, os restantes vinham de Maputo.

Como eram estudantes foram enquadrados nas escolas locais para irem tendo aulas enquanto treinavam. Netwane Machel ficou assim na “Samora Machel” na turma da oitava classe de que eu também fazia parte.

Aconteceu que, numa aula de educação física, do professor Diamantino, Netwane quis brincar e abusar dele. Deu-se mal.

O professor Diamantino não permitiu e expulsou Ntewane da sua aula.

Constou-nos depois que Ntewane, que não estava hospedado no Hotel Embaixador como os restantes, mas na residência do governador da província, queixou-se a este dirigente dos “maus tratos” do professor de educação física.

Constou-nos também que o assunto chegou ao Presidente Samora Machel que, no seu estilo característico, terá dado ordens ao governador para deixar o professor Diamantino em paz. E assim foi, quando muitos esperavam que pudesse acontecer o pior ao professor vimo-lo impávido e sereno a continuar a sua actividade.

Esta era apenas uma história que me recordei da minha passagem pela “Samora” nos anos 80.

Para já, o móbil destas linhas é mesmo parabenizar os meus colegas antigos estudantes da “Samora Machel” pela brilhante ideia de se organizarem para pintarem e melhorar o visual da nossa escola. E esta será a minha modesta contribuição nesse espírito.

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