ACENTO TÓNICO: A vida faz-se de recomeços (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

Um desastre natural é sempre um desastre natural! Em África ou na Europa, na China, nos Estados Unidos ou no Bangladesh. Não só não deixa de sê-lo, como também não doseia a violência do seu impacto em função das condições económicas e sociais do país onde se manifesta.

Concordo que as condições sociais e económicas possam fazer diferença na velocidade de reparação dos danos, mas há pelo menos dois aspectos que são comuns em qualquer cenário: o potencial de fazer vítimas humanas e destruir infra-estruturas; ii) a necessidade que depois fica de o país receber apoio dos seus, para se refazer dos estragos.

Objectivamente, país nenhum que seja cruzado por um ciclone tropical intenso, de categoria 4, (numa escala de 5!) se pode dar ao luxo de enfrentar as quase sempre catastróficas consequências da passagem do fenómeno, dispensando uma mão solidária.

Foi assim com a Indonésia, que precisou de muito apoio para se refazer dos danos causados pelo sismo seguido de Tsunami, a 26 de Dezembro de 2004; foi também com os Estados Unidos da América que precisaram de ajuda após serem fustigados pelo furacão Katrina, a 29 de Agosto de 2005, fazendo pelo menos dois mil mortos. Foi assim igualmente com o Haiti, que a 12 de Janeiro de 2010 foi fustigado por um terramoto que fez pelo menos 200 mil mortos.

De facto, é assim em todo o mundo civilizado! As pessoas ajudam-se mutuamente, tal como os países também o fazem quando uns estejam em situação difícil como que Moçambique vive por conta de um desastre natural. Ficam de lado as diferenças de opinião; a musculatura económica e tudo o mais que divide os Homens, e vem ao de cima o espírito de solidariedade que, felizmente, todo o humano tem a capacidade de encubar dentro de si.

Na verdade, estou assustado com a leitura que alguns compatriotas fazem da solidariedade que o nosso país está a receber (e precisa de muito mais!) de gente de boa vontade, sensibilizada pela gravidade da situação gerada pela passagem do ciclone Idai… Uma das colocações estranhas e perigosas que ouvi, foi de um concidadão que questiona o por quê de a África do Sul nos estar a ajudar pois, segundo essa voz, “Moçambique tem bombeiros e militares que deviam prestar o trabalho de assistência…”. Credo!

Em 2012, os Estados Unidos foram atingidos por um furação que levava ventos com velocidades de até 118 quilómetros por hora, cuja passagem deixou danos estimados em 20 biliões de dólares, conforme foi veiculado na altura. Apesar de toda a pujança económica que se pode reconhecer aos Estados Unidos, está claro que dificilmente sairia desta sem o apoio dos seus.

O “Idai”atravessou Moçambique com ventos a velocidades de até 220 quilómetros por hora. Ainda não terminou a avaliação dos danos, mas é possível imaginar o peso dos estragos, ainda por cima causados numa economia que ainda só começava a dar sinais animadores de retoma, em meio a uma mão cheia de dificuldades.

Moçambique precisa de apoio para sair desta, sim! Concordo que todo o cuidado será pouco na vigilância nesta fase, pois haverá, pela certa, quem quererá se aproveitar da situação de fragilidade que o país atravessa para semear outros ventos para que, um dia, o país colha outras “tempestades”.

Mas daí até sermos nós próprios, embalados em orgulhos insustentáveis, a repelir apoios de que tanto necessitamos nesta fase, parece-me absolutamente insano e despropositado.

O país não só precisa da solidariedade externa como também precisa que esta ocorra entre os moçambicanos, que precisam dar o melhor de si para ajudar a salvar as vidas que correm perigo, e fazer renascer a esperança dos milhões de cidadãos que praticamente ficaram sem chão… 

É esse exemplo que tenho visto do Presidente da República, e que acho que todos moçambicanos deviam seguir e orgulhar-se, porque é em momentos como este que se vê a nobreza de um Homem.

A vida é feita de recomeços. Como diz o velho adágio, a maior glória de um Homem não reside no facto de nunca cair, mas sim em levantar-se sempre depois de cada queda.

A minha tese é que os moçambicanos hão-de levantar-se, sim, e retomar a caminhada rumo ao desenvolvimento.

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