PERCEPCOES: Hecatombe na Beira (Salomão Muiambo - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

A Beira está em ruínas. Assemelha-se a cidades como Sirte, na Líbia, Damasco, na Síria, Bagdad, no Iraque, entre outras devastadas, num passado não muito distante, por guerras, quiçá, sem razão de existência.

Tal como estas cidades, a Beira assusta. Mete medo. Ela virou uma hecatombe. A diferença entre a Beira e as cidades retromencionadas é que a Beira não foi destruída pela guerra. Foi, sim, devastada pela força da natureza. Um infame ciclone tropical intenso designado Idai “visitou”, por instantes, a cidade, mas que visita tão indesejável, deixando para trás um enormíssimo rasto de destruição.

O ciclone matou tanto, tal como mata a guerra: destruiu tanto tal como destrói a guerra e, tal como a guerra, o ciclone desestruturou famílias, cortou o fornecimento de água e electricidade, comunicações, entre outros serviços básicos. As lojas estão com as prateleiras ocas, como se tivessem sido saqueadas. As escolas estão às moscas porque tanto os professores quanto os alunos não têm coragem suficiente de as frequentar, atormentados pelo efeito devastador do Idai. Assim é também o efeito da guerra.

Ainda não há dados oficiais definitivos sobre os estragos causados por este ciclone. Porém, uma semana após a sua passagem pela cidade e a avaliar pelo que se passa no Chiveve, em Búzi e Nhamatanda e em outros locais afectados pelo desastre natural é fácil depreender que o Idai causou danos incalculáveis e, de certo modo, irreparáveis. Tais são as centenas de mortes e mutilações. O Idai conduziu a enchentes severas que conjugadas com a velocidade do vento que, segundo a Meteorologia, chegou a atingir os 200 quilómetros por hora, arrasou em quase 90 porcento o tecido socioeconómico da cidade. Uma autêntica catástrofe.

Centenas de pessoas perderam a vida e milhares ficaram desabrigadas. O número de feridos é inimaginável. Uns poucos com socorro e muitos outros sem ele porque os centros de Saúde foram devastados pelas águas. Nos escombros ouve-se apenas o coaxar das rãs. De dia e ànoite.

Porque as operações de socorro e salvamento prosseguem debaixo de adversidades, receia-se que o número de mortes se eleve ainda mais, para o desconforto não só dos beirenses, mas de todos os moçambicanos. Afinal o luto da Beira é também o luto de Quelimane, de Chimoio, de Tete, cidades igualmente afectadas pelo mau tempo e é também o luto de Pemba, Lichinga, Nampula, Inhambane, Xai-Xai, Matola e Maputo que, em todo o seu conjunto, constituem este vasto Moçambique.

Colegas e amigos residentes na Beira traçam um quadro muito negro da situação que se vive nesta cidade. Não há água, não há comida. Pessoas ao relento. Nos poucos hospitais que sobraram da devastação não há medicamentos suficientes para responder àdemanda. Nas escolas não há aulas. O comércio está praticamente encerrado, o que dá azo à especulação na venda de produtos no mercado negro. O Idai tudo levou.

Um pouco para fora da cidade, corpos flutuando, supondo-se que muitos outros tenham sido arrastados pela fúria das águas para lugares incertos. Famílias penduradas por cima de árvores e telhados de casas habitacionais e empresariais, clamando por um milagre para salvar as suas vidas. A Beira já viveu momentos dramáticos, caracterizados por chuvas intensas, cheias e inundações, ventos muito fortes, trovoadas severas, que resultaram em mortes e destruições de infra-estruturas, mas o Idai não tem igual. Foi simplesmente arrasador. Um desastrehumanitário.

Uma semana depois do ciclone, todos continuam assustados com o que vêem e ouvem. Nós também, fora daquela área, mesmo que não tenhamos testemunhado “in loco” o efeito devastador das chuvas diluvianas que caíram sobre a cidade, estamos muito assustados com os relatos que continuam a chegar-nos. Aliás, o mundo inteiro está assustado com este desastre natural, razão pela qual se solidariza e canaliza apoios.

Obrigado pela solidariedade.

Acredito que tão cedo quanto antes a Beira se vai erguer e caminhar. Aliás, daqui em diante já não contam os estragos provocados pelo Idai, mas sim a força que a cidade da Beira deve ter de se levantar e caminhar.

Vai levar anos? Sim, vai, mas o mais importante é que ela se erga e caminhe longe.

Até para a semana!

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