CONSONÂNCIAS:  O drama dos sofás   (Sauzande Jeque)

 

A CASA era nova e a família ainda era pequena quando o jovem casal, ido de Dombe, passou pelo novo estabelecimento especializado na venda de mobiliário, na capital provincial de Manica.

O conjunto de sofás que estava na montra, cativou a atenção do casal, mas o salário de ambos não permitia aventuras até aquele nível. O preço da mobília era muito alto.

A situação implicava o início de uma acção de poupança. E foi o que tentaram fazer. Porém, três meses depois, o dinheiro do casalinho ainda continuava macho. Quer dizer: não se multiplicava. A decisão final acabou sendo a negociação com a gerência para o pagamento a prestações. A loja aceitou, na condição do casal efectuar o primeiro pagamento, valor correspondente a metade do preço. Isto, se eles quisessem levar a mobília para casa.

O casal tentou juntar todas as migalhas de poupança que havia amealhado, mas o valor não chegava sequer a metade do solicitado. Dado que todos os planos estavam focados para aquele conjunto de sofá, com o qual pretendiam apetrechar a sua nova casinha, eles optaram pela segunda alternativa. Falar com o gerente da loja para que aquele conjunto de mobília fosse reservado. Que não fosse vendido a mais ninguém. A partir daquela data iniciaram o pagamento mensal. O mobiliário só seria levado para casa depois da conclusão da dívida.

Como acontece, quando se tem dívidas a pagar, o casal passou quase um ano e meio na penúria, para garantir a amortização da sua dívida. Em meados de Janeiro o casal iniciava o ano novo com nova mobília que tanto custou a adquirir.

Mas na fatídica noite de 14 para 15 de Março de 2019, aquele casal jovem via todo o seu esforço anulado pela invasão das águas da chuva e do vento destruidor. Era o ciclone Idai.

Com toda a destreza, marido e mulher, conseguiram salvar os três filhos da chuva e da tempestade. Mas pensando no sacrifício que tiveram para construir a casa, bem como da ginástica financeira que fizeram para conseguir aquele maravilhoso conjunto de sofás, os dois despediram-se dos filhos, dizendo que iriam tentar resgatar o mobiliário que ainda estava a flutuar dentro da casa inundada.

Passaram-se horas. As equipas de salvamento iam e vinham trazendo pessoas retiradas dos tectos das casas e das copas das árvores. Mas o jovem casal não aparecia. Passaram-se dias e as três crianças sem pai e mãe, continuavam a aguardar pelo regresso destes, o que jamais aconteceu, pelo menos até ontem. E quando as pessoas perguntam aos menores sobre o paradeiro dos pais, as crianças só sabem responder: “Papá e mamã foram buscar sofás, ainda não voltaram!”

PS: Peço ovação à iniciativa que vem do planalto de Chimoio. Não sei se é só talento dos seus dirigentes ou uma sorte natural que fumega silenciosamente da Cabeça do Velho. Mas foi agradável ouvir e ver o edil da capital provincial de Manica, o senhor João Ferreira,  a dialogar com os seus munícipes a partir do seu gabinete montado na praça pública. Uma iniciativa que vale a pena massificar nas diversas cidades e vilas do país. O cidadão gosta de ver seus dirigentes bem perto de si. 

No passado, Chimoio já foi campeão de higiene e limpeza, onde os habitantes contribuíam com a sua boa postura, usando a cidade com civismo. Apesar de ser a cidade da banana, de citrinos e da cana doce, aquela urbe era sempre limpa e acolhedora. Hoje não sei se ainda continua a ganhar troféus no capitulo da higiene, mas certamente é das urbes mais limpas do país. Parabéns Chimoio e os seus dirigentes.

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