Director: Júlio Manjate

PERCEPCOES:  A morte do Robinho   (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

OS NOSSOS progenitores disseram-nos sempre que crescêssemos e construissimos as nossas habitações para melhor enfrentarmos os desafios de um futuro, sempre imprevisível. Para tal lutavam por nos dar o pão de cada dia e, não raras vezes, com o pau à ilharga. O pão era o alimento e o pau, a educação.

Felizes os que acataram tais ensinamentos porque o futuro lhes pertence. Infelizes, porém, os que ignoraram a doutrina dos pais porque de presente ganharam a imersão em penúria.

Muitos dos pais que davam ensinamentos aos filhos não o faziam porque tivessem frequentado universidades. Não. Em boa verdade, muitos eram pouco letrados mas, diga-se, nutridos de carácter e de muita inteligência. Eles olhavam para o futuro de  forma estratégica e tudo faziam para garanti-lo aos seus descendentes.

Lembro-me de tudo isto, sobretudo quando penso na vida do Robinho, um conterrâneo e contemporâneo que ignorou a catequese dos pais apegando-se a vida mundana, volúvel e passageira, que hoje o morde como verdadeira serpente.

O que é feito deste rapaz?

Robinho calcorreia as ruas do bairro, repousa na primeira taberna e, mesmo sem pecúnia, bebe o quanto lhe apetece, na certeza de que alguém pagará a sua conta. Quando o etílico lhe chega à cabeça canta e dança em voz e movimentos de fazer inveja a alguns músicos e dançarinos de renome no panorama cultural do país. Os que não resistem “convocam” mais álcool e mais álcool para o rapaz, porque cientes de que assim, melhor se divertem.

Certa altura, alguém interessado nas artes e cultura quis recuperar o Robinho, colocando-o numa escola e/ou num grupo cultural onde pudesse explorar melhorar as suas habilidades. Porém, o meu jovem “mandou passear” tal oferta e seu ofertante até porque de livros nunca foi amigo desde pequenino.

Mas Robinho engana-se porque naquele passado vivia na ambrela dos pais que, mesmo não possuindo riquezas, em sua casa não faltava o pão de cada dia. Não havia o peixe vermelho nem o serra, mas comia-se outros peixes. Não havia bifes mas comia-se carnes. Robinho apegou-se a tudo isto sem se importar com o quanto custa a sua aquisição e julgando que o presente seria eternamente presente. Enganou-se redondamente porque aquele presente pertence o passado e o presente de hoje é aquele futuro sempre imprevisível e pelo qual os pais lutaram para o vencer.

Certa vez, o irmão mais velho interpelou-me perguntando-me qual seria o fim do Robinho, sobretudo tendo em conta os vícios que o conduzem a viajar por falsa boémia. Não tive resposta.

Dias depois, bateu-me novamente a porta para me transmitir uma notícia nada boa: Robinho morreu. Atropelado como um cão, durante as suas habituais passeatas pelas ruas, cantando e dançando, comandado pelos abusos e excessos na satisfação dos seus vícios.

Descanse em paz, Robinho.

Até para a semana!

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