Dialogando: O valor do diálogo  (Mouzinho de Albuquerque)

 

HÁ muitas teorias de estudiosos sobre o significado do diálogo. Mas o mais importante é retermo-nos na ciência política, segundo a qual o diálogo desenvolve-se sob pontos de vista diferentes. O verdadeiro diálogo supõe um clima de boa vontade e de compreensão recíproca, mesmo que haja confronto de ideias e visões diferentes para o alcance de um determinado objectivo.

E acreditamos que terá sido nessa perspectiva que os moçambicanos, depois de tanto tempo, terão, finalmente, decidido assinar o acordo definitivo de paz e reconciliação nacional, que é o motivo desta crónica que esperamos, logo à partida, sejamos suficientemente compreendidos.

Aliás, sempre desejamos isso, em todos os nossos escritos neste espaço, embora possa haver ou não faltem aqueles que “resistem” em continuar não compreendendo que ter opinião diferente num Estado de direito democrático como o nosso é necessário para a consolidação desse direito. Até porque todos somos sujeitos a pontos de vista discutíveis, mesmo que alguns assumam atitudes que configuram uma lamentável subserviência.

Até porque pode ter sido o pensamento diferente do PR dos outros camaradas, que viabilizou o acordo. Isto para dizer que mesmo analisando o acordo neste momento debaixo de outros pontos de vista, o que não se duvida é que na realidade a sua concretização é um grande avanço para a reconciliação nacional efectiva há muito esperada.

É verdade que a assinatura daquele acordo não é um acto inédito na nossa história recente. Sabemos que já antes assinaram-se outros acordos, só que em contextos diferentes. Por isso, desta vez esperamos que, de facto, o jurar dos signatários (Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade) deste acordo, de nunca mais se pegar em armas para resolver os diferendos, seja um compromisso que não se venha romper.

Dar valor ao diálogo que resultou na assinatura do acordo é continuarmos, como moçambicanos, a consolidar a paz definitiva que agora temos, despartidarizando o Estado, que se afirma ser um dos elementos básicos para a coexistência política no país, respeitando os princípios democráticos. Dar valor ao diálogo que culminou com a conquista da paz definitiva e reconciliação nacional é todos pensarmos desde já que estão criadas as condições para a consolidação da democracia multipartidária, evitando assumir atitudes irresponsáveis que possam pôr em causa tal feito.

Se assinamos o acordo na nobre convicção ou desejo de vermos preservados os interesses da nação, então não pode, sob nenhuma circunstância, levar à inversão daquilo que é o objectivo primordial dele (acordo).

Não é exagerado dizer que nem tudo vai bem no nosso país em matéria da convivência política, de civismo, de respeito pelas leis e em outras situações, algumas das quais foram motivo de desentendimentos entre nós ao longo dos anos, a ponto de alguns pegarem em armas para apontar contra os próprios irmãos.

A partir de agora vamos fazendo as nossas vidas, olhando para frente, de pouco valendo deitar lágrimas sobre o que aconteceu no passado, embora a memória não deva ser apagada porque para haver um futuro, vive-se hoje um presente que sucedeu a um passado que não pode ser ignorado.

O conflito armado que nos fez sofrer tanto no país em mais de dezasseis anos já lá vai (queremos que vá de vez), embora nos deixe com feridas que vão demorar “cicatrizar-se”. Mas isso já não pode ser pretexto para que não fortifiquemos cada vez mais a paz e harmonia no país. Devemos, sim, dar o valor ao diálogo para essa “cicatrização”.

Certamente que o país tem outras preocupações ou desafios, igualmente prementes, que esperam por rápidas respostas, como a corrupção que atrasa o desenvolvimento, acesso à justiça, impunidade, pobreza, falta de melhores estradas e outros. Com este acordo, porém, sejamos cientes de que isso pode ser possível se também dermos valor àquele acontecimento fazendo com que Moçambique seja um país onde há efectivamente a liberdade de expressão e de imprensa, onde já não se pode olhar o jornalismo de forma distorcida e receosa, sob pena de retrocedermos tal liberdade.

Tanto é que não é mentira que nos países pobres como o nosso o jornalismo sempre foi de activismo e propagandista. Se bem que todos não pensamos necessariamente da mesma maneira, mas todas as opiniões são válidas, neste caso para a prossecução dos objectivos subscritos no acordo rubricado entre o Presidente da República e o líder da Renamo, na cidade de Maputo.Contudo, esperamos que o acordo abra boas perspectivas de um desenvolvimento que leve a nação moçambicana a ter um bem-estar dos seus habitantes que há muito esperam.

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