Histórias e Reflexões: A paciência de Jorge Mário Bergoglio

 

UM recepcionista de uma certa unidade hoteleira, algures por este mundo fora, entrevistado para uma publicação jornalística, contou que num dado dia apareceu um homem no átrio da sua instituição procurando por uma outra pessoa ali alojada.

Confirmada a presença do procurado indivíduo, o nosso recepecionista informou-o da presença de alguém a quem pediu, por sua vez, que aguardasse.

O visitante agradeceu e foi esperando enquanto se movimentava de um lado para outro no mesmo átrio.

Como não deixaria de ser, o recepcionista voltou aos seus afazeres atendendo outras pessoas que entravam e saiam do hotel.

Eis que o tempo começa a passar enquanto o visitante continua a deambular, calma e tranquilamente, de um canto para outro do local.

Alguma indignação se apodera então do recepcionista, contudo, não podendo nem voltar a chamar o visitado, nem dirigir qualquer outra palavra ao visitante, até porque nada teria a dizer, apenas tem que se ocupar dos seus deveres sem entender, claro está, o que se está a passar.

No entanto, no meio da demora, que já se fazia longa, o recepcionista repara que o visitante não mostra quaisquer sinais de impaciência e continua a girar “fresquinho” e imperturbável pelo átrio do hotel.

Imparável, o tempo vai escorrendo. Do visitado ainda não há memória enquanto o visitante, por seu turno, nem sequer olha para o relógio, como muitos de nós fariam numa situação destas. Ele mantém, pelo contrário, a sua paz consigo mesmo e com o mundo. Até parece que quanto mais a demora se prolonga, mais paciente e compreensivo o homem fica.

Muito tempo depois, o esperado finalmente emerge. Os dois homens cumprimentam-se efusivamente com toda a naturalidade e seguem ao que lhes esperava.

Quem era, afinal, esse homem de tanta paciência? Esse homem de tanta paciência era, nada mais nada menos, que Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco.

Li este episódio em 2013 quando ele acabava de assumir o papado, rendendo Bento XVI.

Nessa altura, como é de praxe, muitas individualidades foram entrevistadas dando o seu testemunho sobre o então novo Sumo Pontífice. E o recepcionista que aqui cito foi uma dessas pessoas. Por alguma razão que desconheço.

Contava o homem que tinha ficado bastante impressionado com a paciência de Jorge Mario Bergoglio e que, nos seus longos anos de recepcionista naquele local, tinha atendido muitos impacientes.

Perante demoras como esta, uns pedindo para voltar a ligar aos visitados, outros dizendo que iam fazer qualquer coisa e voltavam mais tarde, outros resmungando enquanto vagueavam pelo local, outros ainda, pura e simplesmente, desistindo, reacções todas elas diametralmente opostas à deste senhor que agora é o Papa. Uma verdadeira lição de paciência, por conseguinte.

Escusado dizer que me lembrei deste episódio agora que o nosso país se prepara para receber esse homem transcendental, o Sumo Pontífice, trazendo a sua mensagem de paz e reconciliação aos moçambicanos que muito precisam a esta hora. E também essa lição de paciência e compreensão. 

Eliseu Bento

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