ACENTO TÓNICO: Sete dias com o Papa Francisco (1)  (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

FAZER uma cobertura jornalística de qualquer que seja o evento de interesse público é sempre uma tarefa profissionalmente enriquecedora mas, ganhar a oportunidade de acompanhar a peregrinação do Papa por vários países, com o privilégio de ter um lugar cativo no seu avião, e livre-trânsito para presenciar praticamente todas actividades do programa, é uma experiência para nunca esquecer. 

Estava fora do país, em trabalho, quando o presidente do Conselho de Administração da minha empresa, a Sociedade do Notícias, SA, ligou-me a recomendar que seguisse um determinado link na Internet, desencadeando dessa forma um longo e exigente processo de candidatura, aberto pelo Vaticano, para seleccionar jornalistas de todo o  mundo, interessados em integrar o voo papal na viagem apostólica do Papa Francisco a Moçambique, Madagáscar e Maurícias. Tomado pela modéstia, ainda tentei convencer o meu chefe que podia ser um dos meus colegas a candidatar-se a essa tarefa, mas a resposta foi curta e peremptória:

“Não, isso tens que ser tu mesmo a fazer! É inegociável... ”.

À medida que me embrenhava no processo de candidatura, ia me convencendo que aquela era de facto uma missão nobre, apetecível e de grande responsabilidade. Embora estivesse a concorrer com profissionais de todo o mundo, algo me dizia que o facto de ser de um dos países que seria visitado pelo Papa, podia representar alguma vantagem para mim.

A partir de certo momento, participar daquele concurso passou a ser uma questão de honra, minha e da minha empresa que, pela responsabilidade histórica que carrega, tem o dever de estar ligado aos grandes eventos deste país.

Volvidas algumas semanas, e cumpridas que tinham sido as formalidades iniciais do concurso, recebi do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, um e-mail dando conta que a minha candidatura tinha sido aprovada, e que dali para frente era preciso cuidar de procedimentos administrativos.

Mais tarde viria a saber que outros os colegas Arão Cuambe, da Rádio Moçambique, e Brito Simango e Mustafo Afugi, da Televisão de Moçambique (TVM), também tinham sido aceites como passageiros no voo papal.

Seguiram-se vários encontros de coordenação institucional pois, acima do interesse individual dos jornalistas e das respectivas empresas, havia o interesse nacional de assegurar uma cobertura digna e responsável da visita. Definitivamente, era também a reputação do país que estava à prova!

Abriram-se linhas de contacto com jornalistas de outros países com experiência mais recente de cobertura de eventos papais. Era preciso recolher o máximo de informação que nos permitisse saber o mínimo das exigências específicas daquele tipo de operações.

Neste exercício, deu para conhecer figuras destacadas do jornalismo português, como António Marujo, por exemplo, gente experiente que, em poucas horas de contacto, partilhou o suficiente para nos dar a confiança que precisávamos. Era preciso afinar a linguagem, perceber determinados rituais próprios da disciplina da Igreja em particular e do Vaticano, em geral.

Em paralelo, era preciso mobilizar apoios para custear a operação que, se já era cara para um jornal, era mais ainda para a rádio e para a televisão, pela natureza e complexidade da sua máquina de produção. Só para elucidar sobre os números de base: Era preciso pagar cerca de 4300 Euros para se ter acesso ao avião papal, na rota Roma- Maputo- Antananarivo- Port Louis-Antananarivo- Roma. A este custo adiciona-se o da passagem Maputo-Roma-Maputo, a preços do mercado, já que a viagem de sua Santidade iniciava e terminava em Roma.

Apesar dos apertos financeiros por que passam as nossas empresas, era preciso fazer de tudo para não perder aquela oportunidade!

Mas também havia que cuidar dos vistos para a Itália e Madagáscar, já que com as Maurícias esta obrigação foi relaxada no contexto da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Sobre a burocracia e aborrecimentos que custou para os meus colegas obterem visto para a Itália, prefiro nem falar, pois eles podem contar melhor. Mas que foi uma tremenda dor de cabeça, lá isso foi! Felizmente safei-me dessa pois ainda tenho um visto Schengen válido por mais alguns meses.

E assim começa o filme de uma odisseia cheia de vivências, umas boas e outras arrepiantes, mas que me enriqueceram imensamente, por dentro...

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