Director: Júlio Manjate

HISTÓRIAS E REFLEXOES: Está bem, mas “tcheeeiii”! - Eliseu Bento

 

A semana que finda foi marcada pela passagem do 44º aniversário da fundação da Rádio Moçambique (RM). A maior estação radiofónica nacional. A rádio-mãe e outros meritórios epítetos que a minha pena é incapaz de grafar neste modesto espaço.

Aqui fica, pois e desde já, o meu aceno de simpatia não apenas para a RM em si, mas para a imensa legião de colegas e amigos que tenho lá. Os meus parabéns e que continuem “Hoje e sempre protectando Moçambique”.

Sobre a efeméride, ainda fiz um exercício mental a ver se me lembrava de quando, de facto, comecei a escutar a RM. Debalde!

Todavia, e pela minha afeição ao desporto, a mais ténue recordação que guardo parece ser dos relatos de futebol. Acho então que os meus primeiríssimos contactos com as emissões da RM datam da altura em que ficava atento aos relatos do João de Sousa e do Anwar Mussagy (espero ter escrito correctamente este nome) lá pelos finais dos anos 70.

Mais tarde, fui naturalmente ouvindo outros nomes, ainda nos relatos de futebol, como Botelho Moniz, Saide Omar, António Barros e, nos outros programas, Zé Custódio, Agostinho Luís, Luísa Meneses, Glória Muianga, Lídia Simango, Rafael João, Izidine Faquirá e outras grandes figuras da radiodifusão nacional.

Mais tarde, creio, fui um assíduo ouvinte do “Sabadão” ou “Sabadar” (não sei bem) apresentado por Leite Vasconcelos e João de Sousa, um programa de cultura geral que acompanhava com muito agrado.

Nessa altura, ou não, não me recordo exactamente, um espaço de antena, como se diz agora, ocupava, entretanto, a malta da minha rua no bairro do Macuti onde vivíamos.

Se a memória não me atrapalha, o programa levava o genérico “Hora Jovem”, ou “Hora da Juventude” ou qualquer coisa que convocava a juventude.

Era um “interactivo” em que o ouvinte ligava, o locutor de serviço colocava uma pergunta e dava 30 segundos para o ouvinte responder e ganhar algum prémio em caso de acertar.

Pois, quando chegasse a hora e o dia, lá estávamos nós em fila na cabine telefónica para tentarmos as nossas sortes e, claro, divertirmo-nos.

O programa, de facto, passou a fazer parte do nosso quotidiano até que, num certo dia, um outro sujeito faz a sua ligação e, entre ele e o locutor estabelece-se o seguinte diálogo:

- Locutor: Muito obrigado por nos ter ligado. A nossa pergunta é: onde fica a árvore mais antiga do mundo? Tem 30 segundos para responder.

- Ouvinte: A árvore o quê?

- Locutor: A árvore mais antiga do mundo. Recordo-lhe que tem 30 segundos para responder.

- Ouvinte: A árvore mais antiga do mundo… Tcheeiii! Árvore mais antiga do mundo… Tcheeei!

- Locutor: Senhor ouvinte, o seu tempo já está a passar.

- Ouvinte: Tcheeiii! Tcheeiii! Árvore mais antiga do mundo… Tcheeeiii!

- Locutor: Desculpe, senhor ouvinte, lamentamos dizer que o seu tempo já esgotou. De qualquer modo, poderá voltar a ligar neste e em outros programas nossos. Muito obrigado.

- Ouvinte: Está bem, mas tcheeiii!

 

NB - Enquanto rabisco estas linhas, ouvindo a RM, recorda o locutor que ontem passaram precisamente quatro anos sobre a morte de uma outra grande figura da radiodifusão nacional, falo de Emílio Manhique. Que continue a ter um repouso tranquilo! Quis o destino que ele perdesse a vida precisamente no dia da assinatura do Acordo Geral de Paz que ele reportou a partir de Roma. A propósito, a RM passou ainda ontem as suas últimas palavras no Jornal da manhã: Moçambique, fique em paz!

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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